A guerra EUA-Irã completou um mês no sábado. Os Houthis do Iêmen entraram nos combates no fim de semana, abrindo mais uma frente. Trump prorrogou o prazo pela segunda vez — agora para 6 de abril. O Brent fechou sexta em US$ 105. O Ibovespa fechou a semana com alta de 3% mesmo assim.
No fim de semana, ministros das Relações Exteriores de Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram no Paquistão para tentar alguma saída diplomática — sem EUA ou Israel na sala. O secretário de Estado Marco Rubio disse em Paris que a operação militar pode encerrar "em duas semanas". O Irã não confirmou e continuou lançando mísseis.
Hoje às 8h25, o Boletim Focus sai — primeiro relatório pós-IPCA-15 e pós-RPM do BC. O mercado vai ver se as expectativas de inflação subiram mais depois da semana de "significativo e duradouro". O pregão abre logo depois, com o Brent acima de US$ 105 e a semana que vem terminando no prazo de Trump.
A guerra completou 30 dias no sábado — e ganhou um presente de aniversário: os Houthis do Iêmen lançaram mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início do conflito, reivindicando o ataque e prometendo continuar. A defesa israelense interceptou o projétil, mas o sinal foi claro: o conflito está se espalhando além das fronteiras do Irã. O Estreito de Bab al-Mandab — rota alternativa ao Estreito de Ormuz e caminho para o Canal de Suez — voltou ao radar dos analistas de commodities.
Trump prorrogou o prazo pela segunda vez na quinta-feira, dando ao Irã até 6 de abril para garantir um acordo ou enfrentar a retomada dos ataques a instalações de energia. Disse que o Irã havia permitido a passagem de 10 petroleiros pelo Estreito como "presente". O Irã não chamou de presente. Chamou de "exercício de soberania" e apresentou sua própria proposta de cinco pontos — que inclui reparações de guerra e reconhecimento da autoridade iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
No Paquistão, ministros das Relações Exteriores de Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram ontem e hoje para tentar avançar num quadro diplomático — sem EUA ou Israel presentes. Rubio disse em Paris no sábado que a operação militar americana pode encerrar em "duas semanas". Seja lá o que "encerrar" signifique neste contexto.
O caso Banco Master dominou a pauta doméstica da semana passada e vai continuar nesta. O rombo no FGC (Fundo Garantidor de Crédito) chegou a R$ 60 bilhões — um terço do patrimônio do fundo. Para recompor o caixa, os bancos tiveram que antecipar 60 meses de contribuição. BTG, Nubank e XP seguem na mira da Justiça por terem distribuído os CDBs a 140% do CDI usando o FGC como argumento de venda — quando a liquidez do fundo para cobrir um evento desse tamanho era questionável desde o início.
Ao mesmo tempo, o governo deve anunciar ainda esta semana uma proposta de teto de juros no crédito consignado privado. A ideia tem boa intenção — reduzir o custo do crédito para trabalhadores formais — e péssimo histórico: toda vez que o Brasil tentou tabelar juros em produtos específicos, os bancos simplesmente pararam de oferecê-los ou compensaram em outros produtos. Existe um Working Paper do próprio Banco Central mostrando por que essa política costuma não funcionar. O governo leu o paper. Vai anunciar a medida assim mesmo.
Moraes aceitou a prisão domiciliar de Bolsonaro na semana passada. O ex-presidente, condenado a 27 anos e internado com pneumonia desde 13/03, segue em recuperação em casa. Para o mercado, o impacto de curto prazo foi neutro — mas o radar eleitoral acendeu. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg desta semana mostrou Flávio Bolsonaro empatado com Lula em segundo turno. Com 7 meses para a eleição, o PL tem candidato, narrativa e base mobilizada.
Para o investidor estrangeiro, eleição no Brasil é sempre um fator de volatilidade cambial. O dólar caiu 1,64% na semana passada — mas esse movimento foi majoritariamente pela guerra, não pela política doméstica. À medida que o calendário eleitoral se aproxima e as pesquisas ficam mais relevantes, o câmbio vai incorporar mais risco político. Outubro está longe. Mas o mercado começa a precificar cedo.
Fechamento de sexta-feira (28/03). Fonte: B3, Investing.com · 28/03/2026
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O Brent em US$ 105. O acordo que ninguém assinou.
O Focus sai às 8h25. O pregão abre logo depois.
Pelo menos o café ainda está barato. Por enquanto. ☕
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