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Segunda-feira · 30 de março de 2026
☕ Bom dia

A guerra EUA-Irã completou um mês no sábado. Os Houthis do Iêmen entraram nos combates no fim de semana, abrindo mais uma frente. Trump prorrogou o prazo pela segunda vez — agora para 6 de abril. O Brent fechou sexta em US$ 105. O Ibovespa fechou a semana com alta de 3% mesmo assim.

No fim de semana, ministros das Relações Exteriores de Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram no Paquistão para tentar alguma saída diplomática — sem EUA ou Israel na sala. O secretário de Estado Marco Rubio disse em Paris que a operação militar pode encerrar "em duas semanas". O Irã não confirmou e continuou lançando mísseis.

Hoje às 8h25, o Boletim Focus sai — primeiro relatório pós-IPCA-15 e pós-RPM do BC. O mercado vai ver se as expectativas de inflação subiram mais depois da semana de "significativo e duradouro". O pregão abre logo depois, com o Brent acima de US$ 105 e a semana que vem terminando no prazo de Trump.

Geopolítica · Um mês
Guerra · Houthis · Prazo · Paquistão
Um mês de guerra, dois prazos prorrogados e uma nova frente aberta no Iêmen

A guerra completou 30 dias no sábado — e ganhou um presente de aniversário: os Houthis do Iêmen lançaram mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início do conflito, reivindicando o ataque e prometendo continuar. A defesa israelense interceptou o projétil, mas o sinal foi claro: o conflito está se espalhando além das fronteiras do Irã. O Estreito de Bab al-Mandab — rota alternativa ao Estreito de Ormuz e caminho para o Canal de Suez — voltou ao radar dos analistas de commodities.

Trump prorrogou o prazo pela segunda vez na quinta-feira, dando ao Irã até 6 de abril para garantir um acordo ou enfrentar a retomada dos ataques a instalações de energia. Disse que o Irã havia permitido a passagem de 10 petroleiros pelo Estreito como "presente". O Irã não chamou de presente. Chamou de "exercício de soberania" e apresentou sua própria proposta de cinco pontos — que inclui reparações de guerra e reconhecimento da autoridade iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

No Paquistão, ministros das Relações Exteriores de Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram ontem e hoje para tentar avançar num quadro diplomático — sem EUA ou Israel presentes. Rubio disse em Paris no sábado que a operação militar americana pode encerrar em "duas semanas". Seja lá o que "encerrar" signifique neste contexto.

🎓 O que a teoria diz
Alargamento de conflito e prêmio de risco: quando um conflito regional se expande para novos atores — como a entrada dos Houthis —, o mercado responde com alta no prêmio de risco geopolítico. Isso se traduz em Brent mais alto, ouro mais alto, bolsas mais baixas e dólar mais forte globalmente. O Estreito de Bab al-Mandab, controlado pelos Houthis, é a rota de saída do Mar Vermelho para o Oceano Índico — e já foi bloqueado em 2024. Uma segunda rota fechada além de Ormuz seria um choque de oferta de petróleo sem precedente histórico recente.
E daí?
A semana termina com o prazo de Trump em 6 de abril — cinco dias depois do Payroll de sexta. Se os Houthis ampliarem as operações no Mar Vermelho, o Brent pode cruzar US$ 110 antes da próxima reunião do Copom. O ouro já subiu 2,55% na sexta — sinal de que o mercado está comprando proteção, não risco.
Brasil · Crédito
Master · FGC · Consignado · Spread
O Master custou R$ 60 bi. O governo quer tapar juros com teto. A conta vai chegar de outro jeito

O caso Banco Master dominou a pauta doméstica da semana passada e vai continuar nesta. O rombo no FGC (Fundo Garantidor de Crédito) chegou a R$ 60 bilhões — um terço do patrimônio do fundo. Para recompor o caixa, os bancos tiveram que antecipar 60 meses de contribuição. BTG, Nubank e XP seguem na mira da Justiça por terem distribuído os CDBs a 140% do CDI usando o FGC como argumento de venda — quando a liquidez do fundo para cobrir um evento desse tamanho era questionável desde o início.

Ao mesmo tempo, o governo deve anunciar ainda esta semana uma proposta de teto de juros no crédito consignado privado. A ideia tem boa intenção — reduzir o custo do crédito para trabalhadores formais — e péssimo histórico: toda vez que o Brasil tentou tabelar juros em produtos específicos, os bancos simplesmente pararam de oferecê-los ou compensaram em outros produtos. Existe um Working Paper do próprio Banco Central mostrando por que essa política costuma não funcionar. O governo leu o paper. Vai anunciar a medida assim mesmo.

E daí?
Os 60 meses de contribuição antecipada ao FGC têm custo. Esse custo vai aparecer nas taxas de crédito dos próximos anos — exatamente o oposto do que o teto no consignado pretende. A conta do Master chega para todos nós, só com defasagem. Para ações de banco: ITUB4, BBDC4 e BBAS3 ficaram pressionadas na semana passada. O tema segue no radar.
Brasil · Política
Bolsonaro · Flávio · Eleições 2026 · Pesquisas
Bolsonaro foi para casa e o radar eleitoral acendeu. O mercado notou

Moraes aceitou a prisão domiciliar de Bolsonaro na semana passada. O ex-presidente, condenado a 27 anos e internado com pneumonia desde 13/03, segue em recuperação em casa. Para o mercado, o impacto de curto prazo foi neutro — mas o radar eleitoral acendeu. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg desta semana mostrou Flávio Bolsonaro empatado com Lula em segundo turno. Com 7 meses para a eleição, o PL tem candidato, narrativa e base mobilizada.

Para o investidor estrangeiro, eleição no Brasil é sempre um fator de volatilidade cambial. O dólar caiu 1,64% na semana passada — mas esse movimento foi majoritariamente pela guerra, não pela política doméstica. À medida que o calendário eleitoral se aproxima e as pesquisas ficam mais relevantes, o câmbio vai incorporar mais risco político. Outubro está longe. Mas o mercado começa a precificar cedo.

E daí?
Para o câmbio: enquanto a guerra dominar o noticiário, o dólar se move pelo Brent. Mas qualquer pesquisa que mostre cenário eleitoral mais competitivo vai adicionar volatilidade. Para ações: setores regulados — utilities, concessões, bancos públicos — ficam mais sensíveis a rumores de política econômica pós-eleição.
📌 O número do dia
30
Dias de guerra EUA-Irã · completados ontem
Trump havia dito que duraria "um mês ou menos". Dura um mês e o prazo foi prorrogado pela segunda vez. Os Houthis entraram. O Brent está em US$ 105. O Estreito de Ormuz ainda está fechado para a maioria dos navios. O acordo que ia durar cinco dias dura quatro prazos.
📈 Mercados — fechamento sexta-feira (28/03)
Ativo Fechamento Dia (Var.% de sex)
Ibovespa 181.557 pts ↓ −0,64%
Dólar (BRL) R$ 5,2405 ↓ −0,01%
Brent Jun 26 US$ 105,00 ↑ +3,12%
Ouro (COMEX) Jun 26 US$ 4.521/oz ↑ +2,55%
S&P 500 6.368,74 ↓ −1,67%
Dow Jones 45.166,64 ↓ −1,73%
Nasdaq 20.948,36 ↓ −2,15%
Bitcoin US$ 66.096 ↓ −4,11%
Fechamento de sexta-feira (28/03). Fonte: B3, Investing.com · 28/03/2026
💬 A frase do dia
"Quando tivermos acabado com eles, nas próximas duas semanas, eles estarão mais enfraquecidos do que jamais estiveram na história recente."
— Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA · Paris · 28/03/2026
Rubio disse "duas semanas" num fim de semana em que os Houthis entraram na guerra, o Paquistão mediou sem os EUA e Trump prorrogou o prazo pela segunda vez. No mercado, "duas semanas" já foi cotado e precificado três vezes. O Brent não acreditou.
📅 O que vem nesta semana
Hoje 8h25 Boletim Focus — Primeiro Focus pós-IPCA-15 e pós-RPM. Se IPCA 2026 subir acima de 4,5%, o Copom de abril fica ainda mais pressionado. ALTO IMPACTO
Seg–Sex Desdobramentos do prazo Trump (6/04) — Qualquer declaração de Irã, Rubio ou Trump move o Brent e o câmbio em minutos. O termômetro mais rápido do mercado esta semana. ALTO IMPACTO
Sex 03/04 Payroll EUA (março) — BLS às 9h30 (Brasília). Fraco = espaço para o Fed cortar = alívio global. Forte = mais pressão sobre emergentes e Copom de abril. MÉDIO IMPACTO
Semana Proposta teto consignado privado — Governo deve anunciar medida. Impacto no spread dos bancos e em papéis do setor financeiro. MÉDIO IMPACTO
Semana toda IR 2026 — Prazo aberto até 29 de maio. O Leão não negocia com o Irã. INFORMATIVO
📚 Vale ler hoje
Um mês de guerra: novos focos de tensão e Houthis entram no conflito
O balanço de 30 dias de um conflito que começou em "um mês ou menos" e não tem data de encerramento.
O Tempo · 28/03/2026
Sem EUA ou Israel, líderes do Oriente Médio se reúnem no Paquistão
A reunião que tenta resolver sem os dois principais envolvidos. Arábia Saudita, Turquia e Egito em Islamabad.
Seu Dinheiro · 29/03/2026
Um mês de guerra no Irã: o que os EUA alcançaram até agora?
Trump listou cinco objetivos. Um mês depois, nenhum está completamente cumprido — e o prazo foi prorrogado duas vezes.
Euronews · 28/03/2026
☕ Boa semana
Um mês de guerra. Dois prazos prorrogados. Uma nova frente no Iêmen.
O Brent em US$ 105. O acordo que ninguém assinou.
O Focus sai às 8h25. O pregão abre logo depois.

Pelo menos o café ainda está barato. Por enquanto. ☕
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