Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEXTA-FEIRA · 08 DE MAIO DE 2026
☕ Bom dia
Na semana passada o Copom cortou a Selic. A ata, que saiu na terça, foi mais dura do que o corte deixou parecer — o ciclo segue, mas em modo cautela. Ontem, o mercado não comprou alívio.
O Ibovespa caiu para baixo dos cento e oitenta e quatro mil pontos, pressionado por Petrobras (na esteira do Brent abaixo de cem) e por Bradesco (que despencou mesmo com lucro acima do consenso). O dólar quase parou — não foi crise cambial, foi setorial.
Em Washington, Lula passou algumas horas com Trump na Casa Branca: reunião, almoço, fotografia. Pauta longa, comunicado curto. Hoje sai o payroll. ☕
Brasil · A bolsa não aplaudiu
Ibovespa · Petrobras · Bradesco · Brent · Dólar · DI
Ibovespa caiu 2,38% para 183.218 pontos depois de duas altas seguidas. Câmbio quase parado. Foi correção concentrada em bolsa, não fuga.
Quinta foi de tombo, não de sequência. Depois de duas altas seguidas (segunda +0,62%, terça +0,50%), a bolsa devolveu a recuperação da semana num único pregão. Ibovespa fechou em 183.218 pontos, queda de 2,38%, pressionado por Petrobras, bancos e exterior. O dólar à vista terminou em R$ 4,923, praticamente parado — sinal de que a saída foi de ações específicas, não do país.
Os dois pesos relevantes do dia. PETR4 caiu cerca de 2,5%, na esteira do Brent que voltou a operar abaixo de US$ 100 e fechou perto desse nível — com a defasagem em relação à paridade praticamente zerada, a tese de geração de caixa para 2026 perde múltiplo. BBDC4 caiu 4,26% mesmo depois de o banco ter divulgado, na quarta, lucro de R$ 6,8 bilhões no 1T26 — alta de 16,1% no ano, ROE em 15,8% e número acima do consenso de R$ 6,65 bi. O mercado cobrou conta de qualidade do crédito e provisões, não o headline.
Selic mais baixa ajuda no desconto de fluxo — em tese. Mas as duas histórias do dia são próprias: a Petrobras é refém do Brent (que virou novela em duas semanas), e o Bradesco precisa convencer o mercado de que a recuperação de nove trimestres consecutivos já está nos preços. O índice gosta de macro — mas não no pregão em que dois nomes pesados andam juntos no vermelho por razões próprias.
🎓 O que a teoria diz
Concentração e risco idiossincrático: índices muito concentrados em poucos nomes (Vale, Itau e Petrobras lideram a carteira do Ibovespa) tornam o “movimento do índice” menos uma fotografia da economia e mais a soma das histórias daqueles tickers. Quando dois pesos relevantes andam no vermelho por motivos próprios, o índice cai mesmo num cenário macro favorável. Não é anômalo — é estrutura.
E daí?
Ibovespa: a leitura macro segue construtiva — juro começando a cair, câmbio ancorado, ata desta semana cautelosa mas não restritiva. O índice depende de histórias setoriais para subir e ontem não teve. Petrobras: sem prêmio do Brent, o foco volta a dividend yield e política de preços; com petróleo barato, a pressão por reajuste no diesel some — alívio fiscal político, não catalizador de short-cover. Bradesco: nove trimestres em recuperação; o mercado quer ver o décimo. Vale para alocadores setoriais em bancos — não para day-trade. Seleção ativa: em ambiente de índice puxado por pesos específicos, comprar setor faz mais sentido do que comprar índice cego.
Geopolítica · Casa Branca
Lula · Trump · Minerais críticos · PL 2780/24 · Tarifas · Venezuela
Lula passou cerca de três horas com Trump na Casa Branca. Reunião, almoço de trabalho, fotografia. Pauta longa, declarações enxutas.
Foi o terceiro encontro dos dois. Lula chegou à Casa Branca por volta das 12h21 (BRT) e deixou o local depois de cerca de três horas. A comitiva brasileira reuniu cinco ministros — Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (MDIC) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) — além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A pauta prática girou em torno de minerais críticos — terras raras, lítio, nióbio, níquel, cobre, grafite. A pauta diplomática: tarifas comerciais, crime organizado transnacional, Venezuela. O Brasil chegou com o PL 2780/24 já aprovado pela Câmara em 6/5 — texto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, fundo garantidor de R$ 2 bilhões e incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões ao longo do programa. O texto agora vai ao Senado.
As três horas não foram para fechar acordo. Foram para alinhar tom e desenhar a próxima etapa. As declarações públicas saíram enxutas, sem anúncio formal robusto — o que era esperado. O resultado prático vai aparecer nas semanas seguintes, em câmaras técnicas, missões bilaterais e MoUs sobre pesquisa, refino e financiamento. Diplomacia presidencial, neste caso, abre porta — não fecha contrato.
🎓 O que a teoria diz
Hold-up problem (Williamson, 1985): em transações com investimento específico (uma planta de refino que só serve para o cliente X, por exemplo), a parte que investe primeiro fica refém da outra após o invest. A solução é contrato de longo prazo, integração vertical ou garantia institucional prévia. O Brasil tenta usar o marco legal aprovado para reduzir hold-up sobre si: chega à mesa com regra já escrita, não com página em branco a ser preenchida pelo capital americano.
O que vem
PL 2780/24 no Senado: tramitação nas próximas semanas decide se a moldura aprovada vira lei e se a regulamentação sai amigável ao capital ou trava M&A. Tarifas comerciais: aguardar declaração sobre suspensão ou flexibilização pontual; sinalização positiva ajuda exportadores brasileiros, sobretudo metalúrgicos e agro. Setor mineral brasileiro: nomes listados e privados em terras raras seguem como benchmark pós-USA Rare Earth/Serra Verde — ambiente regulatório definido pode catalisar nova rodada de M&A. Risco vivo: se a regulamentação do PL travar capital externo ou se o tarifaço americano não se mover, o encontro vira fotografia — nem todo encontro com Trump vira acordo.
EUA · Dia D do trabalho
Payroll · BLS · Fed · Powell · Jobless claims · FOMC
Payroll de abril sai hoje, primeiro relatório de emprego depois do choque do petróleo. Número forte demais reanima medo de Fed segurando juro; fraco demais reanima medo de recessão.
O BLS divulga o non-farm payroll de abril hoje, às 8h30 ET (9h30 BRT). É o primeiro big number do mercado de trabalho americano depois das duas semanas de turbulência em Ormuz. O pano de fundo: jobless claims iniciais subiram para 200 mil na semana encerrada em 2/5 — abaixo da expectativa de 205 mil. O núcleo do mercado de trabalho segue estável apesar das ondas de demissões em tecnologia ligadas à adoção de IA.
O contexto monetário pesa. O Fed manteve em 3,50–3,75% na última reunião, com placar de oito a quatro — o maior dissenso desde 1992. Powell encerra o mandato como chair em 15/5; segue como governor até jan/2028, e a sucessão no comando do FOMC entra no radar antes da próxima reunião, em 16-17 de junho. Cada dado parcial entre agora e lá carrega peso desproporcional na curva americana.
Para o Brasil, o payroll é coadjuvante — mas com efeito direto. Number forte abre dólar global, pressiona emergentes, encarece o nosso prêmio. Fraco aperta o Fed, derruba o dólar, ajuda real e DI longo. Em ambiente de Selic começando a cair com cautela, a sexta da curva DI brasileira de hoje pode depender mais de Washington do que de Brasília.
🎓 O que a teoria diz
Sacrifice ratio: em política monetária, o custo de reduzir inflação em um ponto percentual costuma ser pago em pontos de PIB perdido (ou desemprego adicional). Quanto mais crível o BC, menor o sacrifice ratio — expectativas se ajustam sem necessidade de recessão profunda. O FOMC dividido em 8×4 sinaliza que o próprio comitê não concorda sobre quanto sacrifício já basta. Cada payroll, cada CPI, recalibra o cálculo dos quatro dissidentes.
O que vem
Payroll — hoje 8h30 ET: consenso em torno de 60-65 mil vagas líquidas (Reuters em 62 mil); surpresa de qualquer lado mexe imediatamente em DI longo brasileiro e em USD/BRL. CPI EUA — terça 12/5: teste de quão rápido o Brent voltou para os preços ao consumidor. PPI — quarta 13/5: espelho do CPI no atacado. Powell — 15/5: encerra o mandato como chair; sucessão do FOMC vira tema doméstico americano de meio do ano. Risco vivo: sem reunião do Fed em maio, o mercado vai operar com hipotéses sobre o que cada dado significa para junho — volatilidade aumenta com fim de semana.
📈 Gráfico do dia
Ibovespa · últimos 30 pregões
Rondou os 200 mil em meados de abril e voltou para 183 mil ontem. Devolveu de uma vez quase todo o ráli das duas semanas anteriores.
Fonte: Yahoo Finance (^BVSP) · Elaboração: Daily Brew

A linha mostra o fechamento diário do Ibovespa nos últimos 30 pregões. No início da janela o índice estava em torno de 182 mil; subiu até rondar a região de 198/199 mil em meados de abril (pico em 14-15/04 perto de 198,5 mil) e desinflou em sequência ao longo das duas últimas semanas. O ponto verde marca o fechamento de quinta — 183.218 pontos, queda de 2,38%. A correção não foi linha reta — houve duas altas no meio do caminho —, mas a devolução do ráli foi forte: o índice voltou ao patamar do início da janela.
📌 O número do dia
−2,38%
QUEDA DO IBOVESPA · QUINTA 07/05 · FECHAMENTO 183.218 PTS
Tombo num único pregão, depois de duas altas seguidas. O dia em que a Selic mais baixa não ajudou: Petrobras pesou pelo Brent, Bradesco pesou apesar do lucro, e o índice não teve ninguém grande para puxar de volta.
📈 Mercados — Fechamento de quinta 07/05
| Ativo | Fechamento | Dia | Mín / Máx |
|---|---|---|---|
| Ibovespa ⭐ | 183.218,26 pts | ↓ −2,38% | 182.868 / 187.779 |
| Dólar (USD/BRL spot local) | R$ 4,9230 | ↑ +0,05% | 4,8958 / 4,9324 |
| Dólar PTAX venda (BCB) | R$ 4,9170 | ↓ −0,21% | PTAX 07/05 |
| Brent (Yahoo BZ=F) ⭐ | US$ 100,06 | ↓ −1,19% | 96,07 / 103,41 |
| Ouro Comex (front-month) | US$ 4.699,80 | ↑ +0,38% | — |
| S&P 500 | 7.337,11 pts | ↓ −0,38% | 7.321 / 7.385 |
| Dow Jones | 49.596,97 pts | ↓ −0,63% | 49.488 / 50.130 |
| Nasdaq Composite | 25.806,20 pts | ↓ −0,13% | 25.714 / 26.036 |
| Bitcoin (Investing diário) | US$ 80.025 | ↓ −1,74% | 79.566 / 81.703 |
⭐ Ibovespa: tombo num único pregão, depois de duas altas seguidas (segunda +0,62%, terça +0,50%). Petrobras (PETR4) caiu cerca de 2,5% na esteira do Brent perto de US$ 100, e Bradesco (BBDC4) caiu 4,26% mesmo depois de divulgar lucro acima do consenso na quarta. O dólar quase parado — capital saiu do índice, não do país.
⭐ Brent: chegou a operar abaixo de US$ 100 (mínima intradia 96,07) e fechou perto desse nível, em US$ 100,06. Ouro Comex teve maior settlement desde 24/04, mas segue em correção em relação ao recorde do início do ano.
Fonte: B3 / CNN / Money Times (Ibovespa) · Reuters / AP (S&P, Dow, Nasdaq) · Yahoo Finance / InfoMoney (Brent BZ=F) · WSJ/DJ Market Data (Ouro Comex front-month) · BCB (PTAX venda 07/05) · Money Times / R7 (Dólar à vista local) · Investing (Bitcoin diário) · Elaboração: Daily Brew · 07/05/2026.
💬 A frase do dia
“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações.”
— Ata do Copom · reunião de 28-29/04 · publicada em 05/05
Em português claro: cortamos, não prometemos. O próximo passo depende do barril, do payroll e do que sair na terça no IPCA.
📅 O que vem aí
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Hoje 08/05 |
Payroll EUA — abril (BLS, 8h30 ET) — primeiro relatório de emprego depois do choque do petróleo. Número forte demais reanima medo de Fed segurando juro; fraco demais reanima medo de recessão. Alto impacto |
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Ter 12/05 |
IPCA cheio de abril (IBGE, 9h) · CPI EUA — abril (BLS, 8h30 ET) — dia duplo de inflação. No Brasil, teste de quanto da pressão vista no IPCA-15 (0,89%) chegou ao consumidor. CPI americano calibra o que sobra para o Fed em junho. Alto impacto |
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Qua 13/05 |
PPI EUA — abril (BLS, 8h30 ET) — preços ao produtor calibram repasse de petróleo no atacado. Em ambiente de Brent oscilando entre US$ 96 e US$ 110 nas duas semanas anteriores, a leitura mensal vem ruídosa. Médio impacto |
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Qui 14/05 |
Preços de import/export EUA · jobless claims semanal (BLS/DOL, 8h30 ET) — preços de importação medem pass-through cambial; jobless claims vem na semana pós-payroll. Médio impacto |
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Sex 15/05 |
Powell encerra mandato como chair do Fed — segue como governor até jan/2028. Sucessão no comando do FOMC vira tema doméstico americano de meio do ano. Acompanhar |
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Próxima sem. |
IBC-Br mar/2026 (BCB) · Vendas no varejo PMC mar/2026 (IBGE) — primeira leitura de atividade brasileira pós-PNAD em 6,1%. Em ambiente de Selic começando a cair e câmbio ancorado, o IBC-Br calibra se a desaceleração sustenta. Médio impacto |
📚 Vale ler
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Ibovespa cai 2,38% e perde os 184 mil pontos puxado por Petrobras, Bradesco e demais bancos. InfoMoney: sexto pregão consecutivo de queda. PETR4 acompanhou o Brent que voltou a operar próximo de US$ 100; BBDC4 caiu mesmo após divulgar lucro acima do consenso. Cautela com encontro Lula-Trump também mencionada como pano de fundo. Dólar à vista quase parado em R$ 4,92. INFOMONEY · Mercados · 07/05/2026 |
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InfoMoney: nono trimestre consecutivo no azul, lucro líquido recorrente acima do consenso (R$ 6,65 bi). Receitas totais em R$ 36,9 bi (+14% YoY). Reagindo a dúvidas sobre qualidade de crédito e provisões, BBDC4 caiu 4,26% no pregão de quinta — e arrastou outras financeiras. INFOMONEY · Resultados · 07/05/2026 |
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Exame: terceiro encontro entre os presidentes. Pauta inclui minerais críticos (terras raras, lítio, nióbio), tarifas comerciais, crime organizado e Venezuela. Comitiva brasileira com cinco ministros. Brasil chegou com PL 2780/24 já aprovado pela Câmara — tentativa de chegar com posição, não página em branco. EXAME · Geopolítica · 07/05/2026 |
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Bloomberg: claims iniciais subiram 10 mil para 200 mil na semana encerrada em 2/5 — consenso esperava 205 mil. Nível ainda baixo apesar de ondas de demissões no setor de tecnologia ligadas à adoção de IA. Pano de fundo do payroll de hoje. BLOOMBERG · EUA · 07/05/2026 |
☕ Boa sexta
A bolsa devolveu a recuperação da semana num único pregão.
A Petrobras tropeçou no Brent.
O Bradesco lucrou e ainda assim foi punido.
Lula passou três horas na Casa Branca.
Hoje sai o payroll. A próxima semana traz IPCA e CPI no mesmo dia. ☕
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