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☕ Bom dia

No mercado de previsão, a chance de o Lula vencer já passou dos 60%, mais que a direita toda somada.

O Flávio foi pedir aos Estados Unidos pra segurar o tarifaço, e o Lula respondeu na lata.

E um estudo com os dados da Receita mostrou por que, no Brasil, quem nasce embaixo quase sempre fica embaixo. ☕

Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Eleicao 2026

Kalshi · chance de vencer + pesquisas

No mercado de previsão, Lula passa de 60% para a reeleição, quase 3x a chance de Flávio, que nem uniu o próprio bolsonarismo

A três meses da eleição (4 de outubro), a chance de o Lula se reeleger passou dos 60% no mercado de previsão Kalshi, um site onde as pessoas põem dinheiro na chance de cada candidato ganhar. O Lula está em 64% e, como mostra o gráfico, disparou nos últimos meses, enquanto o Flávio caiu.

Esses 64% são só do Lula. Bem atrás vêm o Flávio Bolsonaro, com 25%, e o Renan Santos, do MBL, com 9%. Ou seja, o Lula sozinho tem mais chance de vencer do que todos os outros candidatos somados.

As pesquisas dos últimos dias vão na mesma direção. A AtlasIntel, de quarta, dá o Lula com 48,8% contra 42,3% do Flávio no segundo turno, uma queda forte do senador desde abril. E nem no Rio, reduto da família, ele dispara: uma pesquisa da Paraná de ontem deu o Lula na frente, 41,6% a 38,6%.

Boa parte desse tombo tem nome: o caso do banco Master. Em maio veio à tona um áudio em que o Flávio negociava cerca de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar um filme sobre o pai. Na virada do mês, o caso avançou em duas frentes: no Supremo, o ministro André Mendonça mandou o financiamento para a Procuradoria decidir se abre investigação e juntou o caso à apuração do Banco Master; e a Polícia Federal foi ver se R$ 2 milhões em emendas do deputado Mário Frias pararam numa entidade ligada à produtora. Todos negam, e ninguém foi condenado.

O pano de fundo é enorme: o Banco Master quebrou e foi fechado pelo Banco Central no fim do ano passado, no maior buraco bancário da história do Brasil, com uma conta que passa de R$ 50 bilhões. O Vorcaro está preso desde então, e é esse rombo que mora por trás da queda do favorito da direita.

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Foto: Claus Bunks / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Brasil x EUA

Investigação da Seção 301 · decisão até 15 de julho

Flávio pede aos EUA para adiar a tarifa de 25% para depois da eleição, e Lula responde que "o Brasil não está à venda"

Os Estados Unidos ameaçam taxar em 25% os produtos que o Brasil vende pra lá, e a decisão pode sair nas próximas semanas. Na quarta, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, mandou uma carta ao USTR (o escritório de comércio do governo americano) pedindo para empurrar a tarifa por 180 dias, ou seja, para depois da eleição de outubro. O argumento dele: a taxa agora daria força política ao Lula, que costuma subir nas pesquisas quando a pressão de fora aperta.

Na quinta, Lula respondeu nas redes. Disse que "o Brasil não está à venda", classificou o pedido como "atitude de traidores da pátria" e afirmou que a origem da ameaça está na própria família Bolsonaro. A conta que ele faz é do ano passado, quando os EUA cravaram uma tarifa de 50% sobre o Brasil e Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente. Para o presidente, não há motivo para a taxa, nem antes nem depois do voto.

No fundo da briga está uma investigação americana que mira até o Pix. Os EUA alegam que o Banco Central, por ser dono e fiscal do sistema ao mesmo tempo, atrapalha as empresas de pagamento de lá. Lula disse que "o Pix é uma conquista do Brasil" e não será entregue. Flávio nega que pretenda mexer no sistema e lembra que o Pix nasceu no governo do pai dele.

O Flávio está numa sinuca. Se a tarifa vier, tende a favorecer o Lula, como o próprio senador admite; se ele pede aos EUA para adiá-la, reforça a imagem que mais o desgasta, a de quem recorre a um governo estrangeiro enquanto o Lula aparece como defensor do país. A decisão americana sai até 15 de julho. E, com o Flávio já em queda desde o caso Master e a direita dividida, cada novo desgaste tende a virar ponto pro Lula: mais um baque pode ser fatal para ele, e talvez para a direita.

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Foto: Núcleo Editorial / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mobilidade social

Estudo Britto et al. · Atlas da Mobilidade (IMDS) · FGV · IBGE · OCDE

No Brasil, o filho de pai pobre tem 46% de chance de continuar pobre, mesmo com 17 milhões subindo de renda

Só 2 em cada 100 filhos de pais pobres chegam ao topo da renda no Brasil. O número está num mapa que saiu mostrando, cidade por cidade, a chance de quem nasce embaixo subir na vida, o Atlas da Mobilidade Social. E o retrato é duro: o filho de uma família entre os 20% mais pobres tem 46% de chance de continuar no grupo mais pobre quando crescer. Na Bahia, por exemplo, a chance de chegar aos 10% mais ricos é de só 1,4%.

Por trás desse mapa tem um estudo de economistas brasileiros que fez uma conta que quase nunca deu pra fazer por aqui: cruzou os registros da Receita e do emprego formal pra comparar a renda dos pais com a dos filhos, já adultos. O trabalho, Mobilidade Intergeracional na Terra da Desigualdade (aceito na Review of Economics and Statistics, uma das principais revistas de economia), mostra que subir 10 degraus na escada de renda dos pais vira só uns 5 degraus e meio na dos filhos: metade da vantagem, ou da desvantagem, passa direto de pai pra filho. E não é só embaixo que a escada trava; no topo, os ricos também grudam, e passam a renda alta pros filhos.

Aí vem a parte boa, e ela é de verdade. Nos últimos anos o Brasil tirou muita gente da pobreza rápido: foram 8,6 milhões fora da linha da pobreza em um ano, segundo o IBGE, e a FGV calcula que 17 milhões de pessoas subiram de faixa de renda em poucos anos. O detalhe é que isso acontece dentro de uma mesma geração, muito puxado por emprego aquecido e por programas como o Bolsa Família. Subir de faixa hoje não é a mesma coisa que garantir que o seu filho vá subir amanhã.

Então o país melhora ou está travado? Os dois, porque são coisas diferentes. Tirar gente da pobreza agora, o Brasil está fazendo, e bem. Fazer o filho do pobre mudar de patamar na vida é outra história, e aí a gente ainda anda no ritmo das "9 gerações" que a OCDE calculou. E daí? Renda extra alivia o presente, mas o que de fato encurta essas gerações é o que dá chão pro filho subir: creche, escola boa, saúde. Sem isso, a pobreza cai num ano e volta a rondar no seguinte.

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📊 Mercados — Fechamento de quinta (02/07)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa172.788 pts↑ +0,64%
Dólar (comercial)R$ 5,21↓ −0,03%
Petróleo (Brent)US$ 70,57*↓ −0,8%
Ouro (futuro)US$ 4.125*↑ +2,3%
S&P 5007.483 pts0,0%
BitcoinUS$ 60,1 mil*↑ +2,5%

* Preço por volta do fechamento do mercado brasileiro; segue em negociação no exterior. Sexta os EUA estão fechados (feriado de 4 de julho), então os valores são de quinta.

Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics, Investing.com e CoinGecko · variação no dia (02/07) · Elaboração: Daily Brew

Do NOT Chase SpaceX. Do This Instead.

SpaceX is getting all the attention right now.

NVIDIA, Apple, Tesla, and the other mega-cap names are still dominating the conversation.

But Wall Street’s top-rated analysts are pointing to a different group of stocks.

MarketBeat tracks the highest-rated analyst recommendations every day, and 5 names have just risen to the top.

The Top 5 Stocks to Buy Now report reveals the 5 stocks getting some of Wall Street’s strongest analyst support before the broader market catches on.

If you’re looking for your next move, don’t just follow the names everyone is already talking about.

📅 O que vem aí

Hoje · 03/07

Lá fora, tudo parado — o feriado de 4 de julho caiu no sábado e foi passado para hoje, dia 3, com Wall Street fechada e sem dado americano.

📚 Vale ler

Lula tem 48,8% e Flávio 42,3% em um eventual segundo turno

Os números da pesquisa Atlas/Bloomberg por trás do bloco das previsões, e a queda recente do Flávio.

Poder360 · Eleição · jul/2026

Flávio diz aos EUA que o tarifaço daria uma vitória política ao Lula

O documento que ele mandou ao governo americano pedindo pra adiar a taxa de 25%; o pano de fundo da briga do bloco 2.

Jornal de Brasília · Política · jul/2026

O mapa que mostra, cidade por cidade, a chance de um filho pobre subir na vida

O Atlas da Mobilidade Social, feito com os mesmos dados do estudo do bloco 3. Dá pra ver a sua região.

IMDS · Desigualdade · 2026

O estudo que mediu, com dados da Receita, a chance de o pobre subir de vida

Um resumo acessível do trabalho que está por trás do mapa da mobilidade (Britto e outros).

CEPR / VoxEU · Economia

Brasil x Noruega nas oitavas: data, horário e o caminho até as quartas

Tudo sobre o jogo de domingo e o chaveamento da seleção rumo ao hexa.

CNN Brasil · Copa · jul/2026

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