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Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

SEGUNDA-FEIRA · 15 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

O Lula vive seu melhor momento na corrida. É favorito com quase o dobro da chance do Flávio nos mercados de previsão, e melhorou em pesquisas recentes.

A inflação se aproxima dos 5% e incomoda. Os vilões são a comida e a energia, e o Banco Central já acendeu o sinal amarelo.

Quarta é dia de decidir o juro. O Copom escolhe entre cortar de novo ou segurar a taxa, na chamada Super Quarta.

Brasil · Eleições 2026

Quaest · Gerp · Polymarket · Lula · Flávio · Renan Santos

O Lula passa dos 50% no Polymarket e melhora em pesquisas recentes

A eleição é só em outubro, mas nos mercados de previsão — onde se arrisca dinheiro de verdade em quem vai ganhar — já existe um favorito claro: o Lula, na ponta há meses. A novidade é que o presidente voltou a passar dos 50%: marca 51% de chance de vitória no Polymarket, contra 27% do Flávio Bolsonaro, como mostra o gráfico. É o melhor momento dele na corrida em meses.

Probabilidade de vencer a eleição de 2026, em %. Fonte: Polymarket (mercado de previsão), leitura de 15/06/2026.

Nas pesquisas, o sinal recente também melhorou para o Lula em alguns levantamentos: a Genial/Quaest mostrou 44% a 38% contra o Flávio (em maio, era 42% a 41%), e a AtlasIntel e a Vox trouxeram leituras favoráveis ao presidente. A Gerp, porém, destoou e colocou o Flávio numericamente à frente, por 44,7% a 39,1%.

Antes de cravar favoritismo, lembre do calcanhar de aquiles do Lula: a rejeição segue alta, na casa dos 48%, e supera a aprovação há cerca de um ano e meio. Ele lidera a disputa, mas com um teto que ainda incomoda.

Mesmo assim, a semana jogou a favor do governo. A oposição passou dias repercutindo um áudio que ligou o senador Flávio a um banqueiro encrencado, enquanto o PT lançou uma carta para reaproximar o Lula dos evangélicos. E a direita ainda arruma a casa: com Jair preso e inelegível e Tarcísio de olho na reeleição em São Paulo, o Flávio herdou a vaga, mas sem o palanque unido que sonhava.

O personagem mais curioso é o Renan Santos. No mesmo mercado de quem vence a eleição, ele já aparece perto de 14% — à frente de gente bem mais conhecida —, mas nas pesquisas ainda raspa os 3%. O campo dele garante que esse descompasso some até as urnas e que ele estoura os dois dígitos também no voto. É a própria tensão entre o que o dinheiro aposta e o que o eleitor responde — tema da caixa aqui embaixo. Esta semana deve trazer novas pesquisas, e o mercado vai cravar o olho para ver se o repique do Lula virou tendência ou foi só um bom momento.

🎓 O que a teoria diz

Por que olhar para um mercado de previsão, e não só para a pesquisa? É o que estudam os mercados de previsão. A ideia vem de longe: já em 2004, os economistas Justin Wolfers e Eric Zitzewitz mostraram que, quando muita gente aposta dinheiro num resultado, os preços reúnem a informação espalhada e costumam prever tão bem quanto, ou melhor que, as pesquisas — afinal, o dinheiro em jogo força quem aposta a pesar probabilidade, não só preferência. Mais recentemente, estudos sobre Polymarket e Kalshi na eleição americana de 2024 deram razão à lógica, mas com um asterisco: os mercados acertaram o vencedor, sem superar com folga os modelos estatísticos, e só ficam bem calibrados em eventos com histórico, como eleições (Clinton e Huang, 2025; e um estudo do NBER sobre o Kalshi, 2026).

E daí?

Cuidado para não ler o número errado: o mercado de previsão não diz “50% dos votos”, e sim “50% de chance de o Lula ganhar”. São coisas diferentes — dá para vencer com 50% de chance e 50,1% dos votos, ou perder com boa intenção de voto e um tropeço no fim. Use as odds para calibrar a expectativa e a pesquisa para entender o voto.

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Brasil · A inflação

IPCA · maio · batata · energia · Focus · teto da meta

A inflação voltou a ficar acima do teto e bateu 4,72%

A conta do supermercado voltou a doer. A inflação medida pelo IPCA — o índice oficial de preços — subiu 0,58% em maio e chegou a 4,72% em 12 meses, de novo acima do teto da meta, de 4,5%. Em bom português: os preços estão subindo mais rápido do que o Banco Central gostaria.

O vilão da vez veio do prato. Os alimentos pesaram quase metade do índice, com a batata-inglesa disparando 44,69% só no mês e puxando tomate e cebola junto. A energia elétrica, mais cara com a bandeira amarela, foi o item de maior impacto sozinho. Quem aliviou um pouco foi a gasolina, que ficou mais barata — mas não o bastante para segurar a conta.

O problema não é só o número de maio; é para onde ele aponta. As projeções do mercado (o Boletim Focus) já colocam a inflação perto de 5% no fim de 2026, e subindo. É o que os economistas chamam de expectativas “desancorando”: cada vez menos gente acredita que ela volta para a meta tão cedo. E isso pesa no bolso, porque quanto mais a inflação resiste, mais tempo o juro fica lá em cima, encarecendo financiamento, cartão e a prestação da casa.

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Brasil · Os juros

Copom · Super Quarta · juros · 14,5% · Fed

Super Quarta: Brasil e EUA decidem juros no mesmo dia

Marque na agenda: quarta-feira é a “Super Quarta” — o dia em que o Copom e, lá fora, o Fed (o banco central dos Estados Unidos) decidem os juros quase ao mesmo tempo. Aqui, o comitê do Banco Central define se continua cortando a taxa, hoje em 14,5% ao ano, ou se aperta o freio. E o mercado está rachado no meio.

De um lado, o ciclo de corte já começou (o juro caiu em março e de novo em abril) e a economia agradece dinheiro mais barato. De outro, a inflação voltou a furar o teto (é o bloco aqui de cima) e as expectativas pioraram, o que, pela cartilha, pede cautela. Cortar com a inflação subindo é como tirar o pé do freio numa descida: pode ser ousadia demais.

Por isso parte do mercado aposta num corte menor, para 14,25%, e outra parte acha melhor segurar. Mais do que o quarto de ponto em si, o que vai pesar é o recado: um corte sinaliza que o Banco Central confia que a inflação vai ceder; segurar é admitir que o cenário piorou e que a hora é de esperar.

No fim, quem sente é você. Lá fora, o Fed deve ficar parado; aqui, um corte alivia um tiquinho o custo do crédito, e segurar mantém o aperto. Seja qual for a decisão, o recado de quarta vale pelos próximos meses.

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📈 Mercados — Fechamento da semana (12/06)

AtivoFechamentoNa semana
Ibovespa171.133 pts↑ +1,25%
Dólar (spot)R$ 5,06↓ −1,83%
Petróleo (Brent)US$ 87,33↓ −6,19%
Ouro (futuro)US$ 4.238,80↓ −2,27%
S&P 5007.431 pts↑ +0,65%
BitcoinUS$ 63.743↑ +4,63%

Fontes: B3, Yahoo Finance e Investing · variação na semana encerrada em 12/06 · Elaboração: Daily Brew

📅 O que vem aí

Hoje · 15/06

Boletim Focus — a pesquisa semanal com as projeções do mercado para juros, inflação e câmbio.

Quarta · 17/06

IBC-Br, a prévia do PIB — o termômetro mensal da atividade que mostra se a economia acelerou ou freou.

Quarta · 17/06

A Super Quarta — as decisões de juros do Copom (Brasil) e do Fed (EUA), quase ao mesmo tempo. Alto impacto

📚 Vale ler

Genial/Quaest: Lula abre 6 pontos sobre Flávio no 2º turno

Os números do 1º e do 2º turno, a aprovação do governo e como a corrida se mexeu.

EXAME · POLÍTICA · 10/06/2026

IPCA de maio sobe a 4,72% e fura o teto da meta

O que puxou a inflação, item a item, e o que isso significa para a decisão do Copom.

INFOMONEY · ECONOMIA · 12/06/2026

Semana decisiva: a Super Quarta de juros no Brasil e nos EUA

A agenda da semana e o que esperar das decisões do Copom e do Fed na quarta.

MONEY TIMES · MERCADOS · 14/06/2026

☕ Boa segunda

Na corrida, o Lula vive seu melhor momento — favorito com mais de 50%, mas com a rejeição ainda alta.

A inflação furou o teto, e na quarta o Brasil decide o rumo dos juros.

Boa semana — e bom café. ☕

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