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TERÇA-FEIRA · 20 DE OUTUBRO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

Cinco pesquisas divulgaram números para o segundo turno ontem. Todas colocam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula, mas as diferenças são pequenas. A disputa segue estável na margem, enquanto a PoderData, que acompanha a campanha com maior frequência, já registra uma recuperação recente de Flávio.

O fim da escala 6x1 tem apoio de 66,2% dos brasileiros. Entre os eleitores de Lula, a aprovação chega a 91,4%; entre os de Flávio, fica em 41,1%. Mas um dado chama atenção: a maioria dos favoráveis diz que a medida não mudaria seu voto.

Lá fora, o boom da inteligência artificial está aumentando a demanda por energia, infraestrutura e financiamento. Somado ao petróleo caro, ao El Niño e à pressão sobre os juros globais, pode dificultar os cortes da Selic em 2027.

1 · ELEIÇÃO · AS PESQUISAS

Cinco pesquisas dão Flávio à frente, mas a disputa segue estável na margem

A seis dias do segundo turno, cinco pesquisas nacionais divulgadas ontem colocaram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula. A vantagem varia de 0,6 ponto na BTG/Nexus a 4 pontos na PoderData.

Instituto Flávio Lula Diferença
BTG/Nexus 50,3% 49,7% 0,6 p.p.
Futura 50,4% 49,6% 0,8 p.p.
AtlasIntel 51,1% 48,9% 2,2 p.p.
DataTrends 51,5% 48,5% 3,0 p.p.
PoderData 52,0% 48,0% 4,0 p.p.

Votos válidos. Os institutos têm metodologias, amostras e períodos de campo diferentes.

Na BTG/Nexus, a vantagem de Flávio caiu de 3,2 para 0,6 ponto em uma semana. Na AtlasIntel, diminuiu de 5,6 para 2,2 pontos desde 9 de outubro. A DataTrends também mostrou aproximação em relação à rodada anterior.

São movimentos relativamente pequenos, próximos das margens de erro das pesquisas. No conjunto, os resultados sugerem uma disputa apertada, com oscilações, mas sem uma mudança decisiva e consolidada.

A PoderData foi além e já captou uma recuperação de Flávio

A PoderData publicou quatro pesquisas de segundo turno em onze dias, um ritmo mais frequente do que o dos demais institutos desta comparação.

A trajetória acompanhou a aproximação registrada na média das pesquisas: a vantagem de Flávio passou de 6 pontos em 8/10 para 2 pontos em 13/10 e desapareceu no empate de sexta-feira, 16/10.

Mas a pesquisa de ontem mostrou uma mudança: Flávio voltou a 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. São quatro pontos de vantagem, depois do empate.

A EVOLUÇÃO NA PODERDATA

08/10 53% × 47% +6 p.p.
13/10 51% × 49% +2 p.p.
16/10 50% × 50% 0 p.p.
19/10 52% × 48% +4 p.p.

Flávio × Lula, em votos válidos. Fonte: PoderData/Aya.

A pesquisa de maior frequência acompanhou a aproximação vista nos demais institutos e já registra uma recuperação na rodada mais recente. Isso não comprova, por si só, uma nova tendência: é preciso verificar se o movimento se repete.

A rejeição sugere pouco espaço para crescimento

Na BTG/Nexus, 47,8% rejeitam Lula, contra 46,8% que rejeitam Flávio. No Datafolha da semana passada, eram 46% e 44%, respectivamente. Na PoderData de ontem, a diferença é maior: 48% contra 44%.

A rejeição de Lula permanece ligeiramente superior em diferentes levantamentos. Ela não representa um teto matemático de votos, mas ajuda a explicar por que o presidente tem encontrado dificuldades para ultrapassar a faixa de 48% a 50% dos votos válidos.

Para romper essa estabilidade, a campanha de Lula precisaria ampliar seu eleitorado ou elevar o comparecimento de simpatizantes. Uma mudança relevante de percepção na reta final, aquilo que na política se costuma chamar de "fato novo", poderia alterar esse quadro.

A BTG/Nexus mostra o tamanho do desafio: 90,9% dos entrevistados dizem já ter escolhido definitivamente, enquanto 8,4% ainda admitem trocar de voto.

A próxima rodada de pesquisas ajudará a mostrar se a recuperação captada pela PoderData também aparece nos demais levantamentos.

Fontes: PoderData · BTG/Nexus · AtlasIntel · Futura · DataTrends.

2 · Trabalho · O fim da escala 6x1

Jornada de trabalho · Pesquisa BTG/Nexus · Eleições · Mercado de trabalho

66% apoiam o fim da escala 6x1, mas a maioria diz que isso não mudaria seu voto

O fim da escala de trabalho 6x1 tem apoio de 66,2% dos brasileiros, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada ontem. Outros 26,4% são contrários à mudança, e 7,4% não souberam responder.

O Congresso promulgou na sexta-feira a emenda constitucional que garante duas folgas semanais sem redução salarial. A jornada máxima cairá de 44 para 42 horas em dezembro e deve chegar a 40 horas após o período de transição, em dezembro de 2027.

A proposta tem apoio de aproximadamente dois em cada três brasileiros. Mas essa aprovação esconde diferenças relevantes entre os eleitores dos dois candidatos à Presidência.

A diferença entre os eleitorados chega a 50 pontos

Entre os eleitores de Lula, 91,4% apoiam o fim da escala 6x1, enquanto apenas 5,3% são contrários.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o apoio cai para 41,1%. Nesse grupo, 48,6% desaprovam a proposta e 10,3% não souberam responder.

Aprovação do fim da escala 6x1

Eleitores de Lula 91,4%
Total dos brasileiros 66,2%
Eleitores de Flávio 41,1%

Fonte: BTG/Nexus, pesquisa divulgada em 19/10/2026.

A diferença entre os dois eleitorados é de 50,3 pontos percentuais. É uma das maiores divisões encontradas pela pesquisa em temas relacionados ao trabalho.

A renda também influencia as respostas. Entre quem ganha até um salário mínimo, o apoio chega a 78,3%. Entre os entrevistados com renda familiar superior a cinco salários mínimos, cai para 57,7%.

Regionalmente, a aprovação varia de 78,8% no Nordeste a 54,1% no Sul. Em todas essas faixas, porém, há mais entrevistados favoráveis do que contrários à mudança.

Aprovar uma medida é diferente de votar por causa dela

O levantamento fez uma segunda pergunta aos entrevistados favoráveis ao fim da escala: o que aconteceria se o candidato escolhido se posicionasse contra a mudança?

A maioria, 62,4%, respondeu que não alteraria o voto. Outros 17,7% disseram que certamente deixariam de apoiar o candidato, enquanto 14,8% ficariam em dúvida.

📌 E daí?

Uma medida pode ser popular sem determinar o voto. O eleitor pode apoiar uma mudança trabalhista e, ainda assim, considerar economia, segurança, rejeição aos candidatos ou outros assuntos mais importantes. A pesquisa mostra que aprovação de uma política pública não equivale automaticamente a transferência eleitoral.

A votação da proposta no Senado terminou em 75 votos a 1. Flávio, que anteriormente havia criticado o texto, votou a favor. Lula defendeu a alteração da jornada e participou de sua promulgação.

O apoio formal dos dois candidatos também diminui a possibilidade de o eleitor distinguir suas candidaturas apenas pela posição em relação à escala de trabalho.

🎓 O que a teoria diz

Preferência não é prioridade. O eleitor pode concordar com uma proposta sem atribuir a ela importância suficiente para determinar sua escolha. Em economia política, a relevância de um tema para o voto depende não apenas da intensidade da preferência, mas também de quanto os candidatos se diferenciam naquele assunto e de como ele se compara às outras preocupações do eleitor.

O resultado é uma distinção importante na reta final: o fim da escala 6x1 é amplamente aprovado, mas a maioria dos apoiadores declara que sua escolha eleitoral não depende da posição do candidato sobre a medida.

Fontes: BTG/Nexus, levantamento divulgado em 19/10, realizado com 2.002 entrevistados entre 16 e 18/10; Agência Senado, 16/10/2026.

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3 · Mundo · Os juros da inteligência artificial

Inteligência artificial · Federal Reserve · Petróleo · El Niño · Selic · Inflação

IA, petróleo e El Niño: três choques que podem atrapalhar os cortes da Selic em 2027

A inteligência artificial pode criar um problema para os bancos centrais antes de entregar os ganhos de produtividade que promete.

As grandes empresas de tecnologia estão investindo centenas de bilhões de dólares em chips, servidores, centros de dados e redes elétricas. O dinheiro começa a circular agora, aumentando a procura por energia, equipamentos, trabalhadores especializados e financiamento.

Mas boa parte dos ganhos de produtividade que esses investimentos podem gerar só aparecerá nos próximos anos. No curto prazo, a demanda está crescendo mais rapidamente do que a capacidade produtiva.

Duas reportagens recentes da Reuters mostraram que dirigentes de bancos centrais passaram a tratar o boom da IA como mais uma fonte de pressão sobre os preços e sobre os juros globais.

Segundo estimativas citadas pela agência, os investimentos relacionados à IA podem chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão em 2027, valor próximo de 3% do PIB americano.

Para o Fed, existe uma dificuldade particular. As maiores empresas de tecnologia conseguem continuar investindo mesmo com juros elevados. Quem sente primeiro o aperto são famílias endividadas, pequenas empresas e setores sensíveis ao crédito, como a construção civil.

O problema não é só a IA

A expansão da tecnologia ocorre num momento em que a economia mundial enfrenta outros dois riscos importantes para a inflação: petróleo caro e El Niño.

Três fontes de pressão sobre os preços

1. Inteligência artificial. Empresas e governos disputam recursos para financiar centros de dados, geração de energia e infraestrutura. A demanda por capital pode elevar os juros de longo prazo.

2. Petróleo. O Brent encerrou segunda-feira próximo de US$ 109,55 por barril. Energia e transportes caros podem pressionar os índices de inflação em vários países.

3. El Niño. Alterações nos padrões de chuvas e temperaturas podem elevar preços de alimentos e energia. Em consulta do Banco Central, analistas estimaram um impacto de 0,4 ponto percentual sobre o IPCA de 2027, dos quais 0,2 ponto já estavam incorporados às projeções naquele momento.

Fontes: Reuters, 16 e 19/10; Brent, fechamento de 19/10; Banco Central, Relatório de Política Monetária de junho/2026. Os efeitos descritos são riscos e estimativas, não resultados garantidos.

Há ainda uma quarta pressão: o financiamento de governos e empresas.

Os Estados Unidos e diversos países europeus precisam captar grandes volumes de recursos. Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia disputam o dinheiro disponível para financiar a expansão de infraestrutura.

Quando muitos agentes querem tomar empréstimos, os investidores podem exigir juros maiores para emprestar. Essa é uma das preocupações mencionadas por autoridades monetárias ouvidas pela Reuters.

Por que isso importa para o Brasil?

Segundo o Focus divulgado ontem, o mercado espera que a Selic termine 2027 em 12% ao ano, enquanto a inflação projetada para o próximo ano é de 4,32%, acima do centro da meta de 3%.

A combinação de juros internacionais elevados, petróleo caro e choques climáticos pode limitar a velocidade de queda da taxa brasileira.

O primeiro canal é o câmbio. Quando os títulos americanos oferecem remuneração mais alta, aplicações em dólar tornam-se relativamente mais atraentes. Isso pode pressionar moedas emergentes, incluindo o real.

Se o real perde valor, produtos importados, componentes industriais e insumos cotados em dólares ficam mais caros. Parte do aumento pode chegar ao IPCA.

A transmissão não é mecânica. O real também depende da situação doméstica, dos preços das commodities e do apetite mundial por risco. Além disso, bancos centrais podem acomodar choques temporários quando as expectativas permanecem ancoradas.

O problema aparece quando vários choques acontecem ao mesmo tempo. Petróleo e alimentos pressionam diretamente o custo de vida. Os juros externos elevados podem dificultar uma valorização do real. E os investimentos em IA podem ampliar a procura por recursos antes de elevar a produtividade.

A ironia é que a inteligência artificial, uma tecnologia que promete reduzir custos e aumentar a produtividade no longo prazo, pode contribuir para encarecer o dinheiro no curto prazo.

Fontes: Reuters, reportagens de 16 e 19/10/2026; Banco Central, Relatório de Política Monetária de junho/2026; Boletim Focus de 19/10/2026; Brent, fechamento de segunda-feira.

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📈 Mercados

Ativo Fechamento No dia
Ibovespa 205.079 pts −0,17%
Dólar R$ 5,047 −0,49%
S&P 500 7.690,73 pts +0,41%
Nasdaq 26.430,89 pts +1,11%
Petróleo (Brent) US$ 109,55 −0,30%
Ouro (futuro) US$ 4.160,10 −0,50%

Fechamento de segunda-feira, 19/10/2026. Dólar à vista; Brent e ouro conforme contratos de referência. Fontes: B3/UOL, Associated Press, ICE/WSJ e Reuters.

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📅 O que vem aí

Hoje · Terça · 20/10 · 9h30

Construção civil nos EUA. Divulgação prevista de dados de início de obras e autorizações para construção de moradias. Um indicador de como os juros elevados atingem o mercado imobiliário americano.

Hoje · Terça · 20/10 · horário a confirmar

Real Time Big Data. Pesquisa nacional de segundo turno prevista para divulgação hoje, com entrevistas realizadas de 15 a 19 de outubro.

Hoje · Terça · 20/10 · após o fechamento

Balanço da Netflix. A empresa apresenta seus resultados trimestrais, em uma semana importante para os balanços de companhias americanas.

Quarta · 21/10

Quaest e Palver. Novos levantamentos eleitorais previstos para a reta final do segundo turno.

Quinta · 22/10 · 19h (previsto)

Datafolha. Nova rodada da pesquisa presidencial, a três dias do segundo turno. O principal teste para os movimentos captados nesta semana.

Sexta · 23/10 · 9h

IPCA-15. O IBGE divulga a prévia da inflação de outubro. Alimentos, combustíveis e serviços serão especialmente relevantes para as expectativas da Selic.

Domingo · 25/10

Segundo turno presidencial. Os brasileiros voltam às urnas para escolher o próximo presidente da República.

Horários de Brasília. Agenda prevista; datas e horários das pesquisas podem mudar e devem ser confirmados antes do envio.

📚 Vale ler

As cinco pesquisas divulgadas na segunda-feira
A comparação dos levantamentos nacionais a seis dias do segundo turno.
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UOL/ESTADÃO · TRABALHO · 19/10/2026
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REUTERS · INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL · 19/10/2026
A disputa global por financiamento e juros mais altos
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REUTERS · JUROS GLOBAIS · 16/10/2026
O impacto esperado do El Niño sobre a inflação brasileira
O Relatório de Política Monetária do Banco Central e as estimativas de impacto do fenômeno no IPCA de 2027.
BANCO CENTRAL · INFLAÇÃO · JUNHO/2026