Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
TERÇA-FEIRA · 26 DE MAIO DE 2026
☕ Bom dia
Segunda foi de feriado nos EUA — Wall Street, Londres e Hong Kong fechados. Mas o petróleo não tirou folga: o Brent perdeu o piso dos US$ 100. Marco Rubio disse que “há algo bastante sólido na mesa” sobre Ormuz. Trump escreveu que está tudo “proceeding nicely”. O barril aceitou a deixa e caiu quase 6%, perto de US$ 95.
Aqui, sem o termômetro lá fora, o Ibovespa subiu 0,86%, em 177.730 pontos. O dólar fechou em R$ 5,01, depois de abrir perto de R$ 5,006 — primeira vez tão perto da marca dos R$ 5 em três semanas. A Petrobras puxou a fila do choro: −3,58%, arrastada pelo barril (a Prio acompanhou). E o boletim de expectativas saiu: a inflação projetada para 2026 bateu 5,04% — 11ª semana seguida em alta.
Hoje Wall Street reabre. Confiança do consumidor americano sai às 11h. Café passado. ☕
Petróleo · Abaixo de cem
Brent · Trump · Rubio · Ormuz · 60 dias · Teerã
O Brent perdeu US$ 100. O mercado vendeu o seguro antes do anúncio chegar.
A semana abriu com manchete repetida em inglês e sinônimos. O Departamento de Estado mandou Marco Rubio para os jornais de domingo dizer que “há algo bastante sólido na mesa” sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, com um processo estruturado de 60 dias para um memorando de entendimento (MoU) nuclear já em desenho. Trump postou que tudo segue “proceeding nicely”. O Irã rebateu com a música de sempre: progresso não significa acordo iminente, e Ormuz “continuará sob controle iraniano”.
O barril leu apenas a primeira parte. O Brent caiu quase 6% na segunda e fechou perto de US$ 95 — abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde abril. Na conta da semana, recuou de US$ 112 para esse nível — cerca de 15% em cinco sessões. O Wall Street estava fechado para o Memorial Day, mas as desks de energia em Londres e Singapura trabalharam o dia todo.
Nada mudou no Golfo. Pela conta da Organização Marítima Internacional, os 20 mil tripulantes seguem retidos desde 4 de março. Nenhuma assinatura foi divulgada, nenhum porto foi reaberto, nenhuma sanção foi suspensa. Mas o prêmio de guerra começou a derreter mesmo assim — porque, para quem opera, esperar pelo papel sai mais caro do que apostar nele.
🎓 O que a teoria diz
Atualização bayesiana (Thomas Bayes, 1763): diante de uma probabilidade desconhecida, o agente parte de um prior — sua melhor crença inicial — e ajusta a estimativa a cada novo sinal observado. Cada nova manchete sobre Irã-EUA é um sinal parcial: uma palavra de Rubio, um post de Trump, uma desmentida de Teerã. O preço do barril é o posterior coletivo, recalculado em tempo real. Quando três sinais positivos chegam em sequência, o mercado não espera a quarta confirmação — ele já reprecificou.
E daí?
Para o Brasil, cada dólar a menos no barril alivia a pressão prospectiva sobre combustíveis e o IPCA — e pressiona a receita da Petrobras. Para quem opera, o teste agora é o reverso: se o MoU não sair na semana, ou se sair com texto frouxo, o caminho de volta vira leilão à vista. Hedge segue caro pelo motivo certo — não pelo barril atual, pelo barril que pode voltar.
Brasil · Onze no degrau
IPCA · Selic · Câmbio · PIB · Expectativas · FGV
A inflação projetada subiu pela 11ª semana. O dólar projetado caiu. PIB também subiu. Tabuleiro misto.
O Boletim Focus de ontem trouxe 5,04% para o IPCA de 2026 — ante 4,92% na semana anterior. É a décima primeira alta consecutiva. Há um mês, a mediana era 4,86%; no começo de abril, 4,75%. A projeção avança em escada, num passo curto e teimoso. O teto da meta é 4,5%, e o cenário central já dá a meta por estourada.
No mesmo boletim, outros números andaram para o lado contrário. O dólar projetado para o fim de 2026 recuou de R$ 5,20 para R$ 5,17. O PIB projetado para o mesmo ano subiu de 1,85% para 1,89%. A Selic projetada ficou em 13,25% — sem mudança na semana, mas já bem acima dos 13,00% de quatro semanas atrás. Os economistas estão ajustando as engrenagens uma por uma.
Outro termômetro também saiu na segunda. A FGV reportou que a confiança do consumidor cedeu 0,3 ponto em maio, para 88,8 — interrompendo duas altas seguidas. Não é queda livre. É cansaço.
🎓 O que a teoria diz
Expectativas adaptativas (Cagan, 1956; Friedman, 1968): agentes formam suas expectativas extrapolando o passado recente. Quando a inflação observada surpreende para cima vários meses seguidos, o agente ajusta a expectativa para o próximo período na mesma direção — mesmo que outros fundamentos (câmbio, juro) toquem o lado oposto. O resultado é inércia: a expectativa demora a virar mesmo quando os ventos já viraram. Para um Copom que trabalha com defasagem, essa inércia é o inimigo mais paciente.
E daí?
Para a curva de juros, o sinal é ambíguo. Dólar mais baixo deveria aliviar o preço de importados; PIB mais forte ajuda a arrecadação; mas a expectativa de inflação subindo trava qualquer flerte com corte. Para quem carrega prefixado, o IPCA-15 de amanhã vira o próximo teste. Para NTN-B curta, a inércia ajuda o carrego; para a duration longa, o risco ainda mora na abertura dos juros reais.
Mercados · Sócio sozinho
Brent · Petrobras · Ibovespa · Dólar · Bancos · Mills
O Brent caiu quase 6%. O Ibov subiu, o dólar tocou os R$ 5 e a Petrobras puxou a fila do choro.
Foi um dia raro. Com Wall Street, Londres e Hong Kong fechados, o Ibovespa subiu 0,86%, para 177.730 pontos — depois de seis semanas consecutivas no vermelho, a maior sequência desde 2018. O dólar à vista caiu 0,42% e fechou em R$ 5,01, depois de abrir próximo de R$ 5,006 — voltou a flertar com a marca de R$ 5 após três semanas acima dela. Em 5 de maio, já tinha fechado em R$ 4,91.
Por baixo da capa, o desenho foi mais interessante que a manchete. A Petrobras (PETR4) caiu 3,58%, para R$ 43,33, arrastada pela queda de quase 6% no Brent — foi a ação mais negociada do dia. A Prio acompanhou em queda forte; a energia chorou em coro, mas a Petrobras puxou a fila. Do outro lado, bancos lideraram: Banco do Brasil subiu cerca de 3%, com o setor financeiro aliviando o desconto acumulado por risco fiscal. Mills disparou 15,4% com o anúncio da venda para a francesa Loxam.
A coreografia é conhecida, mas pouca gente repara. Brasil exporta petróleo bruto, importa derivados, transporta tudo em caminhão e consome combustível em todo elo da cadeia. Quando o Brent cai forte, perde quem vende; ganha quem compra. O Ibov é a média ponderada dos dois lados — e a média, ontem, escolheu o lado do consumo.
🎓 O que a teoria diz
Choques setoriais assimétricos (Mundell, 1961): um mesmo choque de preço relativo afeta setores de forma oposta. Quando o petróleo cai, o sinal é adverso para os produtores (Petrobras, royalties, União) e favorável para os consumidores intensivos do insumo (transporte, indústria, varejo). O efeito agregado em um índice como o Ibovespa depende do peso de cada lado — e da velocidade com que cada setor reprecifica. O pregão é o tabuleiro onde essa briga se resolve.
E daí?
Para quem está alocado, vale separar o que é alívio (câmbio, inflação, bancos, varejo) do que é pressão (Petrobras, Prio, royalties de estados produtores). Se o Brent ficar abaixo dos US$ 100, dividendos da Petrobras para 2026 entram em conta de cabeça. Para a tese de Ibov, o teste é saber se outros setores aguentam o peso do petroleiro mais leve do índice.
📈 Gráfico do dia
Brent · últimos 30 pregões · US$/barril
O barril descontou a paz parcial antes do papel sair.
Fonte: Yahoo Finance (BZ=F, série contínua) · Elaboração: Daily Brew

A linha mostra o Brent (série contínua de futuros, Yahoo BZ=F) nos últimos 30 pregões. Da máxima de US$ 118 no final de abril, o barril perdeu cerca de 20%; só entre a segunda passada (US$ 112) e o fechamento de ontem (US$ 95), foram quase 15% em cinco sessões. O nível pré-guerra estava perto de US$ 73. A paisagem pode mudar de volta rápido se o MoU não sair.
📌 O número do dia
11
Semanas consecutivas de alta no IPCA projetado
A mediana do consenso de mercado para o IPCA de 2026 subiu pela 11ª semana seguida, agora em 5,04%. Há dois meses, era 4,75%. O teto da meta é 4,5%. As projeções não saltam — sobem o degrau.
📈 Mercados — Fechamento Segunda 25/05 (Wall Street fechada)
⭐ Brent: fechou abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde abril, com avanço nas negociações EUA-Irã e fala de Rubio sobre Ormuz. Queda de cerca de 15% em cinco pregões (US$ 112 → US$ 95). ⭐ Ibovespa: primeira sessão no positivo depois de seis semanas no vermelho. Bancos (BBAS3 +3%) e Mills (+15,4%, anúncio da venda para a francesa Loxam) lideraram. Petrobras (PETR4 −3,58%) puxou para baixo. ⭐ Dólar: abriu próximo de R$ 5,006 e fechou em R$ 5,01 — voltou ao patamar dos R$ 5 após três semanas acima. Em 5/5 já havia fechado em R$ 4,91, menor em mais de dois anos. Fonte: B3 (Ibov) · Money Times / CNN Brasil (Dólar spot) · Yahoo BZ=F série contínua (Brent) · Yahoo Finance (Ouro front-month) · AP (S&P, Dow, Nasdaq — fech. 22/05, Wall Street fechada por Memorial Day) · Investing (BTC ref. 24h) · Elaboração: Daily Brew · 25/05/2026 |
💬 A frase do dia
“Há algo bastante sólido na mesa.”
— Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA · Sobre as negociações com o Irã · 25/05/2026
Trump entrega a versão emocional aos sábados, e a técnica aos domingos. Rubio ficou com a versão útil de segunda. O barril só quer saber qual delas vira papel assinado.
📅 O que vem aí
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Ter 26/05 |
Confiança do consumidor (Conference Board, EUA) · reabertura Wall Street — primeira leitura após três dias acumulados de manchete sobre Irã-EUA. O índice sai às 10h ET (11h BRT) e dá o termômetro do humor antes do PCE de sexta. Médio impacto |
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Qua 27/05 |
IPCA-15 de maio (Brasil) — a prévia da inflação oficial. O IPCA cheio de abril veio em 0,67%; o acumulado em 12 meses fechou em 4,39%, perto do teto de 4,5%. Com a expectativa para 2026 já em 5,04%, qualquer surpresa para cima recoloca a discussão de juro mais alto. Alto impacto |
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Qui 28/05 |
PNAD Brasil · PIB EUA 2ª estimativa · PCE de abril (EUA) · jobless claims — dia carregado. No Brasil, a taxa de desocupação do trimestre móvel. Nos EUA, a revisão do PIB do 1º trimestre, o índice de preços preferido do Fed (Personal Income and Outlays às 8h30 ET) e os pedidos semanais de seguro-desemprego. PCE acima do esperado mantém o Fed parado por mais tempo. Alto impacto |
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Sex 29/05 |
PIB do 1º trimestre (Brasil) — primeira foto da economia brasileira com a Selic em 14,5%, divulgada pelo IBGE às 9h. Com a expectativa para 2026 já em 1,89%, qualquer surpresa para cima reforça a tese de inércia inflacionária; para baixo, libera a discussão de defasagem da Selic. Alto impacto |
📚 Vale ler
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Iran war news: Trump says peace deal talks proceeding nicely as oil prices plunge A cobertura ao vivo da CNN sobre o dia: Rubio falando em “algo sólido na mesa”, Trump no Memorial Day em Arlington honrando os 13 mortos na guerra, e o Brent abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde março. CNN · ORIENTE MÉDIO · 25/05/2026 |
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Crude Oil Drops as US Inches Toward Iran Deal to Reopen Strait A leitura da Bloomberg sobre o que está sendo precificado: o desenho do framework de 60 dias, o peça a peça da reabertura de Ormuz e o que ainda separa as duas partes — principalmente sobre quem fica com o controle operacional do Estreito. BLOOMBERG · ENERGIA · 25/05/2026 |
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Mercado eleva projeção de inflação para 2026 e reduz expectativa para dólar A radiografia do boletim de ontem: 11ª alta consecutiva no IPCA projetado para 2026 (5,04%), Selic mantida em 13,25%, dólar projetado caindo de R$ 5,20 para R$ 5,17 e PIB subindo de 1,85% para 1,89%. O retrato técnico do tabuleiro misto. INFOMONEY · BRASIL · 25/05/2026 |
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Brent volta a negociar abaixo de US$ 100: Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3) têm forte queda A foto do dia para quem está alocado em energia: PETR4 perdeu 3,58%, foi a ação mais negociada da B3, e o pano de fundo para revisão de dividendos se o Brent ficar abaixo de US$ 100 — o que entra no modelo de payout automático da empresa. MONEY TIMES · MERCADOS · 25/05/2026 |
☕ Boa terça
O barril perdeu cem.
O dólar tocou nos cinco.
A Petrobras perdeu o passo.
A inflação projetada subiu mais um degrau.
E o papel do acordo ainda não saiu. ☕
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