Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEXTA-FEIRA · 15 DE MAIO DE 2026
☕ Bom dia
O S&P passou pela primeira vez dos 7.500 pontos. O Dow voltou aos 50 mil. O Nasdaq também fechou no topo. No Brasil, o Ibovespa quebrou três quedas seguidas e o dólar voltou para baixo de R$ 5. A bolsa decidiu apostar na diplomacia.
O motor foi Pequim. Trump pousou na China para uma cúpula de dois dias com Xi Jinping no Grande Salão do Povo. Pauta: tarifas, Taiwan, Irã, IA, terras raras. No fim do dia, os dois disseram que o Estreito de Ormuz deve "continuar aberto" — frase diplomática para mercado de petróleo. Cisco bombou no after-hours da véspera com US$ 5,3 bi em pedidos de IA, e arrastou o resto do tech.
O CPI americano segue alto. Ormuz, no chão, segue fechado. Mas hoje o mercado preferiu olhar para o palco. ☕
Geopolítica · Pequim, dois dias
Trump · Xi · China · Taiwan · Irã · Ormuz · Terras raras · IA
Trump pousou em Pequim. O mercado decidiu que isso era bom.
Na quinta, Trump e Xi abriram cúpula de dois dias no Grande Salão do Povo, em Pequim. A pauta cobre tudo o que está sobre a mesa entre as duas maiores economias: tarifas, terras raras, Taiwan, inteligência artificial e a guerra com o Irã. Na delegação americana, nomes como Elon Musk e Tim Cook — sinal de que a parte "negócios" do encontro é tão importante quanto a parte "política".
A linha mais relevante para o mercado saiu no readout chinês: os dois lados concordaram que o Estreito de Ormuz "deve permanecer aberto e livre de pedágios". Não é a reabertura — Ormuz segue fechado pelo Irã desde fevereiro — mas é a primeira sinalização conjunta de pressão diplomática para destravar. Sobre o Irã, Trump disse que a campanha "continua". Sobre Taiwan, Xi avisou que tratar mal a questão coloca a relação em "grande perigo".
Para o investidor, o sinal foi suficiente. Wall Street fechou em recorde, o dólar caiu globalmente, o real subiu, e o Brent operou de lado. Quando dois presidentes sentam para conversar, o resto do dia vira nota de rodapé.
🎓 O que a teoria diz
Prêmio de risco geopolítico: mercados embutem nos preços a probabilidade de eventos adversos. Quando dois adversários estratégicos sinalizam disposição para diálogo, esse prêmio encolhe — mesmo sem entrega concreta. É o efeito do que economistas chamam de "comunicação coordenada": a sinalização vale tanto quanto o fato, no curto prazo. O risco é que, sem entrega, o desconto se reverta tão rápido quanto apareceu.
E daí?
Cúpula bilateral de dois dias é evento de mídia, não de política monetária — mas mexe com risco. Real apreciado e bolsa em alta refletem o trade global. Para Petrobras, o cenário é misto: Ormuz reabrindo derruba o barril, mas a sinalização de cooperação alivia o prêmio de risco emergente. O próximo gatilho é o readout final do encontro, no sábado. Até lá, mercado dá o benefício da dúvida.
EUA · Sete mil e quinhentos
S&P 500 · Nasdaq · Dow Jones · Cisco · CPI · Fed · IA
S&P fechou acima de 7.500 pela primeira vez. Cisco fez o serviço.
Na quinta, o S&P 500 fechou em 7.501 pontos, alta de 0,77%. Foi o primeiro fechamento acima de 7.500 da história. O Nasdaq subiu 0,88%, para 26.635, também novo recorde. O Dow Jones passou os 50.000 — alta de 0,75% — pela primeira vez desde fevereiro, mês em que estourou a guerra com o Irã. Wall Street fechou três índices no topo no mesmo dia. Não acontece sempre.
O combustível teve dois bicos. O primeiro, Cisco: a empresa reportou na noite anterior receita recorde de US$ 15,8 bi e elevou a projeção de pedidos de IA para US$ 9 bi no ano fiscal, ante US$ 5 bi anteriores. A ação subiu cerca de 15% no pregão e puxou o resto do tech. O segundo, Pequim: Trump aterrissou para a cúpula com Xi, e o mercado leu o gesto como redução de risco geopolítico — independentemente do que sair do encontro.
O CPI de abril, divulgado na terça, veio a 3,8% em 12 meses — patamar mais alto desde maio de 2023. Energia subiu 17,9% no ano, gasolina, 28,4%. Em qualquer outra semana, esse número teria virado o pregão para baixo. Esta semana, virou nota de rodapé.
🎓 O que a teoria diz
Precificação antecipada: mercados de ações embutem expectativas futuras, não o presente. A bolsa sobe porque os participantes apostam que o Fed não vai reagir a um choque de oferta com alta de juros — e que a inflação vai ceder quando Ormuz reabrir. O risco é que, se o CPI continuar acima do esperado por mais dois ou três meses, o consenso se desfaz com velocidade proporcional à convicção com que foi construído.
E daí?
S&P em recorde sustenta apetite por risco global e mantém fluxo para emergentes positivo — bom para o Ibovespa no curto prazo. Mas a leitura do CPI de maio (meados de junho) volta a ser o gatilho. Se vier acima de 4%, o "ignora" vira "vamos ter que olhar" em uma semana. Cisco mostrou que o tema da temporada continua sendo IA — quem investe em índice americano pega isso de graça.
Brasil · Bolsa volta, dólar cai
Ibovespa · Selic · Copom · PTAX · IPCA · BCB · NTN-B
Ibovespa quebra três quedas. Dólar volta abaixo de R$ 5.
O Ibovespa fechou na quinta a 178.365 pontos, alta de 0,72% — o suficiente para encerrar uma sequência de três pregões em queda. Itaú e os outros grandes bancos sustentaram o movimento. O dólar caiu 0,45% e voltou a operar abaixo de R$ 5: a PTAX oficial do BCB fechou em R$ 4,9809. O alívio veio do mesmo lugar de Nova York: a cúpula em Pequim acalmou o humor global de risco.
No pano de fundo doméstico, a Selic está em 14,5% — o Copom cortou de 14,75% em abril, com tom cauteloso. As expectativas para a inflação de 2026 rondam 4,6%, acima do teto da meta. O IPCA-15 de abril mostrou aceleração para 0,89% no mês, 4,37% em 12 meses. Mesmo com o real apreciando, o serviço de desinflação cabe agora ao câmbio: enquanto Ormuz não abre, o pass-through importado continua na fila do BC.
No mercado de juros, os DI futuros já abriam a sessão em queda mesmo antes da Bolsa virar — sinal de que o trade de Pequim chegou na curva antes da renda variável. O próximo Copom é em junho. Se o real continuar apreciado e o Brent não disparar, há espaço para mais um corte de 25 pb. Se algum desses fios estourar, a porta fecha.
🎓 O que a teoria diz
Pass-through cambial: quando o real se aprecia, o IPCA recebe alívio nos preços de bens importados — combustíveis e alimentos primeiro. No Brasil, a transmissão é rápida e bem documentada. Mas o canal funciona nos dois sentidos: se a cúpula de Pequim virar fumaça e o dólar voltar, o repasse aparece nos preços antes da próxima reunião do Copom. O comitê precificou desinflação ao cortar em abril. Depende do externo para que esse cenário se mantenha.
E daí?
Quem carrega NTN-B deve monitorar as expectativas de IPCA — se subirem mais, o ágio nas NTN-Bs encurta e o prêmio de risco sobe. Para o câmbio, o driver de curto prazo virou externo: o readout final de Pequim vale mais que o próximo Copom. E o Copom de junho chega com a porta aberta, mas a chave dependente da diplomacia.
📊 Gráfico do dia
Ibovespa — últimos 30 pregões
A bolsa subiu. O câmbio também. Alguém está errado.
Fonte: B3 via Yahoo Finance · Elaboração: Daily Brew

O gráfico mostra a variação do Ibovespa nos últimos 30 pregões. O índice quebrou três quedas seguidas na quinta, com Itaú e os grandes bancos sustentando o movimento. O dólar fechou abaixo de R$ 5 e a curva de juros recuou — sinal de que o fluxo externo está disposto a precificar otimismo enquanto a cúpula de Pequim não decepcionar.
📌 O número do dia
7.501
PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA QUE O S&P 500 FECHA ACIMA DE 7.500
A bolsa americana decidiu que diplomacia em Pequim e Cisco vendendo IA pesam mais do que CPI a 3,8% e Ormuz fechado. O número sai do papel quando alguém perguntar o porquê.
📊 Mercados — Fechamento Quinta 14/05
⭐ S&P 500: primeiro fechamento da história acima de 7.500 pontos — empurrado pela Cisco (+15%) e pelo trade pró-cúpula em Pequim. ⭐ Dow Jones: voltou aos 50.000 pontos pela primeira vez desde fevereiro, quando começou a guerra com o Irã. ⭐ Nasdaq: novo recorde histórico, com Cisco liderando o tape e o tema de IA bombando. Fonte: Yahoo Finance · BCB PTAX · Elaboração: Daily Brew · 14/05/2026 |
💬 A frase do dia
"Não gosto disso — totalmente inaceitável."
— Donald Trump, via Truth Social · Sobre a contraproposta iraniana de paz · 10/05/2026
Quatro dias depois, Trump pousou em Pequim para conversar com Xi sobre o mesmo Estreito de Ormuz. A diplomacia em 140 caracteres tem rodapé em jato presidencial.
📅 O que vem aí
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Seg 18/05 |
IBC-Br — Atividade econômica (BCB) — proxy mensal do PIB, referente a março. Primeiro termômetro de como a economia reagiu à Selic em 14,75% antes do corte para 14,5% em abril. Alto impacto |
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Ter 19/05 |
Vendas no Varejo — IBGE (março) — mede o pulso do consumo doméstico. Com desemprego subindo e juro alto, o dado vira termômetro de resistência do consumidor. Médio impacto |
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Qua 20/05 |
Ata do Copom — divulgação da ata da reunião de abril, quando o comitê cortou a Selic de 14,75% para 14,5%. O mercado vai garimpar sinais sobre o próximo passo de junho. Alto impacto |
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Qui 21/05 |
Relatório Trimestral de Inflação (BCB) — o RTI traz as projeções oficiais do Banco Central para IPCA. Com Ormuz fechado e câmbio pressionado, a revisão das projeções vai sinalizar o apetite do Copom para cortar mais em junho. Alto impacto |
📚 Vale ler
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Trump rejeita proposta iraniana e Brent sobe acima de US$ 107 O presidente americano classificou a oferta do Irã como "totalmente inaceitável". O impasse prolonga o bloqueio de Ormuz e mantém analistas revisando para cima as projeções de petróleo. CNN BRASIL · ENERGIA · 11/05/2026 |
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Banco Central reduz Selic para 14,5% com cautela sobre inflação O Copom cortou a taxa em 0,25 ponto percentual de forma unânime em abril, mas sinalizou preocupação com expectativas acima da meta. A ata da reunião sai na quarta-feira que vem. AGÊNCIA BRASIL · POLÍTICA MONETÁRIA · 29/04/2026 |
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FMI corta projeção global mas eleva PIB do Brasil para 1,9% em 2026 O Fundo elevou a projeção para o Brasil mesmo reduzindo as estimativas globais. O mercado de trabalho resiliente e o agro sustentam o crescimento — mas juros altos e câmbio pressionado complicam o segundo semestre. AGÊNCIA BRASIL · ECONOMIA GLOBAL · 22/04/2026 |
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JPMorgan: Brasil começa 2026 forte, mas desaceleração vem aí O banco projeta desaceleração do crescimento brasileiro no segundo semestre, pressionado por juro ainda elevado, câmbio em alta e deterioração das expectativas de inflação. O início do ano surpreendeu para cima — a dúvida é quanto dura. INFOMONEY · CONJUNTURA · 2026 |
☕ Boa sexta
Trump pousou em Pequim.
O S&P fechou em 7.501 — primeira vez.
O dólar voltou para baixo de R$ 5.
Ormuz continua fechado, mas hoje conversaram sobre.
Bom fim de semana — o readout final sai sábado. ☕
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