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SÁBADO · 18 DE ABRIL DE 2026

☕ Bom dia

Hormuz reabriu, o Brent caiu 9%, o WTI 11%. S&P e Nasdaq em recorde, Nasdaq na 13ª alta seguida — sequência que não se via desde 1992. SMundo trocou guerra por paz.

Aqui, dois ganharam, um pagou. Dólar fechou na mínima do ano, juros precificados caíram mas o Ibovespa devolveu o prêmio das semanas anteriores — Petrobras virou problema no dia.

E o BC? Tinha avisado quinta que o ciclo poderia encolher. Hormuz reabriu, riscos melhoraram, curva agradeceu.☕


Global · O petróleo pediu reembolso

EUA · Irã · Hormuz · Brent · S&P 500 · Nasdaq · Fed

O petróleo pediu reembolso do seguro de guerra.

Hormuz reabriu durante o cessar-fogo, e o petróleo desmontou o prêmio de guerra que ainda restava no preço. O Brent caiu 9,07% para US$ 90,38; o WTI, 11,45% para US$ 83,85 — as maiores quedas em uma sessão desde 8 de abril. O cessar-fogo Israel-Líbano segurou, as conversas com o Irã não descarrilaram, e o fluxo no Estreito começou a destravar — segundo a Reuters, cerca de 20 navios foram vistos saindo do Golfo, com coordenação da IRGC. Mas seguro marítimo segue caro e a logística ainda está longe do normal. A direção mudou; a normalização, não.

Wall Street estava esperando esse cheque. O S&P 500 fechou em 7.126,06 (+1,20%), novo recorde histórico. O Nasdaq, em 24.468,48 (+1,52%), também recorde, e — atenção — emendou a 13ª alta seguida, a sequência mais longa desde 1992. O Dow Jones fez 49.447,43 (+1,79%), seu melhor fechamento desde fim de fevereiro. O mercado passou semanas pagando seguro de guerra. Em um pregão, pediu reembolso — e recebeu.

A leitura monetária mudou junto. A Reuters destacou que cortes do Fed em 2026 voltaram à mesa — depois de o mercado ter empurrado esse timing para 2027 durante o pico da escalada. O Fed, claro, não vai sair correndo: ainda não está claro se os choques recentes deixaram sequela inflacionária ou foram só sustos temporários. Mas a curva já se mexeu. O VIX recuou para o menor nível em quatro semanas.

O Brent a US$ 90 já está no cenário-base do Goldman para o 2T26, depois da revisão recente. O risco assimétrico mudou de lado: agora o que machuca é a manchete que reabre o impasse. Hormuz prova diariamente que sabe ser variável de preço — e que costuma avisar pouco antes.

🎓 O que a teoria diz

Prêmio de guerra: o petróleo cobra um risk premium sobre o preço fundamental sempre que há ameaça crível à oferta. Quando o risco recua, esse prêmio é desmontado de forma brusca — o ativo precifica a expectativa, não a memória do que custou. É por isso que −9% no Brent em uma sessão é mais rápido do que as semanas que precisaram para chegar até US$ 118.

E daí?

Se o cessar-fogo virar acordo durável, o Brent pode convergir para a região de US$ 85-90 — cenário-base do Goldman para o 2T26 e nível próximo das projeções de casas como Barclays. Se o impasse reabrir, o prêmio de guerra volta e, pela velocidade de hoje, US$ 100 reaparece no radar em poucos pregões. Wall Street vai dormir bem este fim de semana; Riad e Teerã, talvez não.

Brasil · Cheque externo virou troco

Ibovespa · Petrobras · Dólar · Curva DI

Bolsa pagou em Petrobras. Câmbio e curva embolsaram o alívio.

O contraste do dia foi aqui. Enquanto Wall Street fazia sua festa pós-Hormuz, o Ibovespa caiu 0,55% e fechou em 195.733,51 — saiu do clube dos 200 mil pela porta que tinha entrado pela janela. A culpa? Justamente o setor que vinha segurando o índice nas semanas anteriores: óleo. Petrobras devolveu boa parte do prêmio que tinha embolsado quando o Brent estava a US$ 99; Prio, idem; demais petrolíferas, idem. O alívio que tirou peso do mundo tirou o lastro do índice. É o tipo de coisa que só acontece com bolsa que tem petróleo no DNA.

Vale ajudou a limitar o estrago — o minério segue firme com a China esperando dado de PIB melhor — mas não compensou. Bancos andaram de lado. O Brasil olhou para fora em modo otimista e respondeu cético dentro de casa. É a tradução financeira de chegar atrasado na própria festa.

O câmbio contou outra história. O dólar fechou em R$ 4,9836 (−0,20%), mínima do ano e terceiro pregão consecutivo abaixo de R$ 5. Aqui, o alívio externo passou direto: dólar mais fraco lá fora, Brent menor, e diferencial de juros ainda alto puxando o real. Foi o ativo brasileiro que melhor entendeu o cheque do dia.

A curva foi o terceiro pagamento. Quinta foi de Picchetti, que avisou em público que o ciclo de corte podia encolher se os riscos piorassem — o DI jan/27 subiu 8,5 bps. Sexta foi de Hormuz: os riscos não pioraram, melhoraram. O DI jan/27 devolveu 14,1 bps para 13,910%; o jan/28 desabou 22 bps para 13,265%; o belly inteiro foi a passeio. A curva caiu coerente com o próprio framework do diretor — ele tinha condicionado a mensagem aos riscos, e o cenário de risco mudou de lado em uma sessão.

Pro carry trade, é cenário dobrado: real forte e curva curta caindo.

🎓 O que a teoria diz

Forward guidance: quando o BC condiciona o tom da política à evolução dos riscos, a curva responde a mudanças nos riscos — não só ao discurso. Picchetti avisou na quinta que o ciclo poderia encolher se os riscos piorassem; quando o Brent caiu 9% e o dólar foi para a mínima do ano, o cenário de risco virou. A queda da curva foi coerente com o framework, não contra ele.

Brent fechamento diário. O pico em US$ 118,35 (31/03) refletiu o bloqueio de Hormuz; a queda de −13% em 08/04 veio com o primeiro cessar-fogo EUA-Irã; o rebote para US$ 99,39 em 16/04 aconteceu mesmo com o cessar-fogo Israel-Líbano anunciado. Ontem (17/04), o Estreito reabriu durante o cessar-fogo e o Brent caiu 9,07% num único pregão para US$ 90,38. Em cinco semanas, o barril foi de US$ 118 a US$ 90 — e ainda passou por US$ 99 no meio do caminho. Volatilidade que esgota até quem operava petróleo nos anos 70.

📌 O número do dia

1992

Última vez que o Nasdaq emendou 13 altas seguidas

Em 1992, o Brasil tinha Cruzeiro, o Collor estava prestes a cair, a internet era curiosidade acadêmica, e o Nasdaq fechou 13 dias seguidos no positivo. Trinta e quatro anos depois, repetiu o feito — depois de Hormuz reabrir e o Brent perder 9% em um único pregão. O instinto bullish de Wall Street, claro, não envelhece.

📈 Mercados — Fechamento sexta 17/04

Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 195.733,51 pts ↓ −0,55% 195.368 / 198.666
Dólar (spot fechamento) R$ 4,9836 ↓ −0,20% 4,9506 / 4,9933
Brent (ICE jun/26) US$ 90,38 ↓ −9,07% 86,09 / 98,98
Ouro (COMEX jun/26) US$ 4.879,60 ↑ +1,50% 4.785,90 / 4.917,70
S&P 500 7.126,06 ↑ +1,20% 7.074,55 / 7.147,52
Dow Jones 49.447,43 ↑ +1,79% 48.788,81 / 49.717,98
Nasdaq 24.468,48 ↑ +1,52% 24.286,47 / 24.519,51
Bitcoin US$ 77.122 ↑ +2,64% 74.538 / 78.262

Brent: maior queda diária desde 8/04, depois da reabertura de Hormuz durante o cessar-fogo — WTI fez pior, −11,45%. S&P 500: novo recorde histórico em 7.126. Nasdaq: 13ª alta seguida, sequência mais longa desde 1992. Dólar: mínima do ano em R$ 4,9836, terceiro pregão consecutivo abaixo de R$ 5.

Fonte: B3 (spot) · ICE Brent · COMEX Ouro · Reuters / Investing.com (índices) · BCB PTAX · Bitfinex (BTC) · Corte: 17h30 BRT, 17/04/2026

💬 A frase do dia

"Bastou um cessar-fogo para o mercado lembrar como é o petróleo sem prêmio de guerra."

— Estrategista de banco internacional citado pela Reuters · 17/04/2026

É a memória curta dos mercados em forma viva. Hoje, US$ 90 voltou a parecer normal. No fim de março, o mercado tratava US$ 118 do mesmo jeito. Daqui duas semanas, ninguém sabe.

📅 O que vem aí

Seg 20/04

Relatório Focus — primeiro Focus depois de Hormuz reaberto e do recado do Picchetti. Diz se as expectativas também cederam ou se o mercado se moveu sozinho. Alto impacto

Ter 28/04

IPCA-15 de abril — última leitura de inflação antes da decisão do Copom. Mercado espera 0,45%. Acima disso, Galípolo entra na sala mais cauteloso. Alto impacto

Qua 29/04

Decisão do Copom + FOMC — Galípolo e Powell decidem na mesma data. Selic em 14,75%; Fed na faixa 3,50-3,75%. Comunicados vão pesar mais que a decisão em si. Alto impacto

📚 Vale ler

Oil falls on prospects for talks to end Iran war and revive supply — Investing.com

Brent caiu 9,07% para US$ 90,38 e WTI 11,45% para US$ 83,85 — as maiores quedas diárias desde 8 de abril, com a perspectiva de retomada do fluxo no Estreito de Hormuz. Reportagem destaca que logística e seguro marítimo ainda estão longe do normal.

Investing.com · Commodities · 17/04/2026

Dow rises, S&P 500 and Nasdaq notch fresh records as war-resolution hopes grow — Yahoo Finance

S&P em 7.126,06 (+1,20%); Nasdaq em 24.468,48 (+1,52%) e 13ª alta seguida, mais longa sequência desde 1992; Dow em 49.447,43 (+1,79%), melhor fechamento desde fim de fevereiro.

Yahoo Finance · Mercados · 17/04/2026

Ibovespa tem terceira queda seguida e semana termina em baixa; Petrobras desaba — InfoMoney

Índice fechou em 195.733,51 pontos (−0,55%), fora do clube dos 200 mil. Petrobras devolveu prêmio acumulado nas semanas anteriores; Vale ajudou a limitar o estrago. Dólar em R$ 4,9836, mínima do ano.

InfoMoney · B3 · 17/04/2026

Juros futuros derretem junto com o petróleo, com menor temor de inflação — Bom Dia Mercado

DI jan/27 caiu 14,1 bps para 13,910%, jan/28 desabou 22 bps para 13,265%. O alívio na commodity afastou as preocupações de uma alta mais duradoura nos preços dos combustíveis e seu impacto inflacionário.

Bom Dia Mercado · Juros · 17/04/2026

☕ Bom sábado

Hormuz reabriu.

O barril desabou 9%.

O Nasdaq fez 13 — mil novecentos e noventa e dois.

A bolsa brasileira fez Petrobras (e perdeu).

O dólar furou os R$ 5 pra baixo.

Picchetti avisou. Hormuz cumpriu o "se".

Mundo trocou guerra por paz.

Brasil trocou Petrobras por dólar — e a curva, por duração. Bom fim de semana, descansa que segunda volta o Focus. ☕

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