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The 10 Best AI Stocks to Own in 2026

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Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUARTA-FEIRA · 24 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

Juros. O Copom cortou a Selic de novo, mas a ata deixou o próximo passo no escuro.
MEI. O governo quer subir o teto do microempreendedor de R$ 81 mil para R$ 130 mil, sete anos depois do último reajuste.
Copa. Mesmo com ingresso a preço de carro, a FIFA caminha para a Copa mais lucrativa da história: quase US$ 9 bilhões só com o torneio. ☕

Brasil · Mão livre

Copom · Selic · Ata · Focus · IPCA-15 · Galípolo · Expectativas

O Copom cortou a Selic, mas a ata não deixou claro qual será o próximo passo do juro

Na quarta passada (17), o Copom — o comitê de diretores do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros do país — cortou a taxa de 14,5% para 14,25% ao ano, o terceiro corte seguido. A decisão já era esperada; faltava o porquê. Ele veio ontem, na ata: o documento em que o Banco Central explica o que pesou na decisão. E a mensagem principal foi um não-dito — o BC não se comprometeu com o próximo passo.

No papel, o tom é de cautela. O comitê afirmou que o cenário "exige restrição monetária maior e por mais tempo do que seria apropriado de outra forma" — ou seja, o juro precisa seguir alto por um período. Disse também que o quadro da inflação "se deteriorou" desde a reunião anterior e que as expectativas — a aposta que mercado e empresas fazem sobre quanto os preços vão subir lá na frente — estão "desancoradas", descoladas da meta, em especial para 2028.

Mas — e aqui está o ponto que os economistas grifaram — a ata não fechou a porta para nada. Não prometeu novos cortes nem ameaçou voltar a subir o juro. O ciclo de queda continua possível, só deixou de ser automático. A leitura predominante no mercado é de que o cenário mais provável passou a ser uma pausa na próxima reunião, em agosto, e, daí em diante, no máximo cortes pequenos e espaçados — e somente se as expectativas de inflação derem sinal de melhora. Pelas contas atuais, a inflação só volta à meta em 2028. Em resumo: o futuro da Selic ficou em aberto.

E a desconfiança do mercado não cede. A prévia da inflação de junho, o IPCA-15, que antecipa o índice oficial de preços do país, só sai nesta quinta. Mas a aposta dos analistas já vinha piorando muito antes disso: no Focus, a pesquisa semanal em que o Banco Central ouve mais de cem instituições financeiras, a projeção de inflação para 2026 subiu pela 15ª semana seguida, para 5,33%, bem acima do teto da meta, que é de 4,5%. A aposta para a Selic no fim do ano também foi revisada para cima, de 13,75% para 14%. Ou seja: mesmo com o Banco Central cortando o juro, quem aposta dinheiro segue achando que a inflação vai teimar.

🎓 O que a teoria diz

Por que o Banco Central olha menos para a inflação de hoje e mais para a "expectativa"? Porque inflação tem um quê de profecia que se cumpre sozinha. Se todo mundo acredita que os preços vão subir 6% no ano que vem, o comerciante já remarca a etiqueta, o trabalhador já pede reajuste maior e o aluguel já embute a alta. No fim, os preços sobem de fato. É a "desancoragem das expectativas": quando a previsão se descola da meta, ela vira combustível da própria inflação. Por isso o BC prefere manter o juro alto e a mão livre a prometer cortes. Enquanto a crença não voltar para perto da meta, comprometer-se com a queda é arriscado.

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💬 Frase do dia

"O cenário atual exige restrição monetária maior e por mais tempo do que seria apropriado de outra forma."

— Ata do Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros · divulgada na terça · 23/06/2026

Em "bancocentralês": o juro fica alto, e por um bom tempo. O Banco Central cortou a Selic, mas, na ata, preferiu não prometer nada sobre o próximo passo.

Brasil · Teto novo

MEI · Durigan · Fazenda · Câmara · Hugo Motta · Simples Nacional · IPCA

O governo quer elevar o teto do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil, sete anos depois do último reajuste

O governo decidiu mexer numa conta que dá nó na vida de 16 milhões de brasileiros: o limite do MEI, o Microempreendedor Individual, que é a porta de entrada mais simples para quem quer ter CNPJ. É o cadastro do salão de beleza, do borracheiro, da costureira ou do entregador que trabalha por conta própria. Hoje, quem fatura até R$ 81 mil por ano (cerca de R$ 6,75 mil por mês) pode ser MEI e pagar uma taxa fixa mensal de imposto, sem a papelada de uma empresa comum.

O problema é que esse teto está congelado desde 2018. De lá para cá, a inflação corroeu cerca de um terço do seu poder de compra: o mesmo R$ 81 mil de hoje compra muito menos do que comprava há sete anos. O efeito é perverso. Muito microempreendedor estoura o teto não porque o negócio cresceu de fato, mas porque os preços subiram. Quando passa do limite, ele é empurrado para um regime mais caro e mais burocrático, justamente quando ainda é pequeno demais para isso.

📊 Quanto o teto de R$ 81 mil vale de verdade

O limite nominal não muda desde 2018. Mas, descontada a inflação, o poder de compra dele encolhe ano a ano:

2018
R$ 81 mil
2020
R$ 72 mil
2022
R$ 62 mil
2024
R$ 56 mil
2026
R$ 52 mil

Valor do teto de R$ 81 mil deflacionado pelo IPCA, em poder de compra de 2018 (2026 até maio) · Fonte: IBGE · Elaboração: Daily Brew

A proposta que o governo articula, defendida pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, eleva o teto de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano, de forma gradual entre 2027 e 2028. Junto vem uma folga maior: o MEI poderia contratar até dois empregados, o dobro do permitido hoje. Não é um número tirado do nada. Corrigido pela inflação acumulada desde 2018, o teto já passaria de R$ 120 mil, quase o valor proposto. A ideia é fazer isso por um projeto de lei complementar negociado com a Câmara, sem medida provisória, e há conversas com o presidente da Casa, Hugo Motta, para destravar o tema. Um projeto nessa linha já tramita por lá, com previsão de reajuste automático do limite pela inflação todo ano.

Há um porém, e ele é fiscal. A Fazenda fez questão de cravar que não vai mexer no teto do Simples Nacional, o regime tributário simplificado das empresas um pouco maiores que o MEI. O motivo: ampliar o Simples como um todo custaria caro demais aos cofres públicos. Em outras palavras, o governo topa afrouxar a régua na base da pirâmide, onde está a costureira e o entregador, mas trava a porta logo acima, onde a renúncia de impostos ficaria pesada. Mexer em imposto, mesmo para aliviar o pequeno, é sempre um cabo de guerra entre quem ganha o alívio e a conta que alguém terá de pagar.

E daí?

Se você é MEI ou conhece alguém que seja, o que está em jogo é simples: um teto maior significa poder vender mais sem precisar virar uma empresa com contador, mais impostos e mais obrigações. Mas nada disso vale ainda. O limite de 2026 segue sendo R$ 81 mil, e a mudança, se passar, só começa a valer em 2027. Por ora, é articulação política, não lei. Vale acompanhar a tramitação na Câmara antes de fazer qualquer conta com o número novo.

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Economia · Caixa cheio

FIFA · Infantino · Copa 2026 · Preço dinâmico · Ingressos · MetLife · Revenda

A Copa de 2026 será a mais lucrativa da história e deve render quase US$ 9 bilhões à FIFA

A Copa do Mundo começou no dia 11, repartida entre Estados Unidos, México e Canadá, e já dá para cravar uma vencedora antes da final: a FIFA, a entidade que organiza o torneio. Só com esta Copa, a expectativa é faturar cerca de US$ 9 bilhões (perto de R$ 47 bilhões), o maior valor que a entidade já tirou de um único Mundial. O grosso vem dos direitos de transmissão e do patrocínio. Perto de US$ 3 bilhões saem só da bilheteria, somando os ingressos comuns e os chamados pacotes de hospitalidade, que são entradas vip vendidas bem mais caras porque dão direito a área exclusiva, comida e bebida à vontade.

A grande novidade desta edição está em como os ingressos foram vendidos. Pela primeira vez numa Copa, a FIFA adotou o preço dinâmico. Funciona como passagem aérea ou ingresso de show grande: não existe valor fixo, e o preço sobe quando muita gente quer e cai quando sobra assento. Na fase de grupos, o ingresso saiu por uma média de US$ 200, quase o triplo do que custou no Catar, em 2022. Os da final começaram perto de US$ 2.000 e, na revenda, chegaram a passar de US$ 10 mil (mais de R$ 50 mil) por uma única entrada.

No começo, parecia que o modelo ia desandar. Para os jogos menos badalados, a procura veio fraca e a FIFA teve de fazer o que prometera nunca fazer: baixar preços. Em Jordânia x Argélia, um ingresso de US$ 620 acabou revendido com 64% de desconto. Apesar da promessa de "tudo esgotado", sobraram milhares de entradas, e a entidade foi acusada de tentar se livrar delas para não amargar o vexame de estádio vazio. A pressão foi tanta que a FIFA suavizou o nome do sistema, que passou a chamar de preço "variável", e ainda virou alvo de questionamento no Congresso dos Estados Unidos.

Só que o tombo não veio. Os jogos de maior apelo, como a abertura, as decisões e as partidas das seleções grandes, venderam a peso de ouro e lotaram. No total, foram mais de 6 milhões de ingressos, uma procura que o próprio presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificou como inédita, com cerca de 90% de tudo já vendido. Ou seja: o preço dinâmico não fracassou. Ele só escancarou uma verdade incômoda. Nem todo jogo é a final, e o mercado faz questão de cobrar de acordo.

🎓 O que a teoria diz

É a lei mais básica da economia em ação, a da oferta e da procura. Num estádio, a oferta é fixa, porque o número de cadeiras não muda. Então quem define o preço passa a ser só a procura. Quando muita gente disputa o mesmo assento, o preço sobe até sobrar exatamente quem está disposto a pagar; quando ninguém quer, ele despenca para o produto não encalhar. O preço dinâmico nada mais é do que automatizar esse vaivém em tempo real. A final entre seleções tradicionais e o jogo de duas estreantes têm a mesma quantidade de cadeiras, e é por isso que uma custa uma fortuna e a outra vira promoção.

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📊 O número do dia

R$ 670 mi

Foi quanto a Polícia Federal mandou bloquear, nesta terça, numa operação contra o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal. A suspeita: balanços maquiados para o banco parecer mais sólido do que de fato é. No fim, até banco de bispo presta contas. Só que ao juiz.

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📈 Mercados — Fechamento de terça (23/06)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa171.259 pts↑ +0,52%
Dólar (spot)R$ 5,18↑ +0,55%
Petróleo (Brent)US$ 77,08↓ −1,05%
OuroUS$ 4.128,50↓ −1,28%
BitcoinUS$ 62.380↓ −2,46%

Fontes: B3, CNN Brasil, Trading Economics e Yahoo Finance · variação no dia 23/06 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew

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📅 Agenda — de 24 a 30 de junho

QUA 24 INFORMATIVO Brasil x Escócia, às 19h, em Miami: a última rodada da fase de grupos. A seleção de Ancelotti joga a classificação para as oitavas de final.
SEX 26 ALTO IMPACTO O IBGE divulga a taxa de desemprego (PNAD Contínua) e o Tesouro publica o relatório da dívida pública. Juntos, mostram como andam o emprego e a conta de juros do governo.
SEX 26 INFORMATIVO Nos Estados Unidos, sai o PCE, o índice de inflação preferido do Fed (o banco central americano) para decidir os próprios juros.
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