Daily Brew
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
Sexta-feira · 10 de abril de 2026
☕ Bom dia

Ontem o Ibovespa fechou em 195.129 pontos — o maior patamar de fechamento da história. Oitava alta consecutiva. O dólar foi a R$ 5,06, o menor valor em dois anos. O mercado decidiu que a paz vale mais que a guerra, mesmo que a paz seja frágil.

O Irã anunciou que vai cobrar o pedágio de Ormuz em criptomoedas. O BC viu "grande desafio". A governadora do DF disse que o BRB não vai quebrar. A Vale foi na contramão sozinha.

Bom fim de semana. O caos retoma na segunda. ☕

Mercado · 195 mil pela primeira vez
Ibovespa · Petrobras · Vale · JPMorgan · Dólar
Ibovespa estreia acima de 195k. A Vale foi na contramão. A Petrobras virou MVP

O Ibovespa superou 195 mil pontos pela primeira vez. Terceiro recorde em três pregões. O dólar caiu para R$ 5,07 — estava em R$ 5,80 há dois meses. Com o cessar-fogo de pé e Ormuz parcialmente aberto, o mercado foi na frente sem pedir licença.

A Petrobras puxou o Ibov: PETR3 e PETR4 subiram mais de 2%. O JPMorgan reforçou compra, chamando a queda de ontem de "oportunidade". Analista que fala "oportunidade de compra" depois de queda de 4% em petroleira com petróleo caindo 13% é um otimista de carteirinha.

A Vale ficou sozinha no vermelho: −1,19%. Minério de ferro pressionado pela desaceleração chinesa — que não melhorou com a guerra, mas também não piorou. A Vale virou o convidado que foi à festa errada.

🎓 O que a teoria diz
Recordes históricos atraem fluxo: quando uma bolsa bate máximas consecutivas, o efeito FOMO puxa mais capital — especialmente de investidores pessoa física. O risco é que o mercado esteja precificando um cenário perfeito (paz, juros caindo, câmbio comportado) antes de qualquer confirmação. A margem para decepção aumenta junto com o índice.
E daí?
Com Ibovespa acima de 195k e dólar em R$ 5,07, o mercado já precificou boa parte do cenário de paz. O próximo gatilho é o Copom de abril — corta ou não corta? Se cortar, 200k deixa de ser teto e vira meta.
Geopolítica · O pedágio mais caro do mundo
Ormuz · Irã · Cripto · Israel · Líbano · Hezbollah
Irã quer cobrar pedágio em cripto em Ormuz. A inovação financeira chegou à guerra

O Irã está limitando Ormuz a 15 navios por dia — e, segundo o Financial Times, pretende cobrar o pedágio em criptomoedas. A lógica é simples: cripto não passa por SWIFT, não sofre sanções e não tem banco central que congele a conta. O Irã inventou o DeFi das guerras.

No Líbano, Netanyahu propôs "negociações diretas". O Hezbollah recusou. O governo libanês disse que não conversa "sob fogo". Israel continuou os ataques. As bolsas europeias caíram com "cautela sobre o cessar-fogo" — que é a forma elegante de dizer que ninguém está convencido de que isso vai durar.

O FMI avisou: a guerra deve gerar demanda de US$ 20–50 bilhões em apoio financeiro ao Fundo. O choque já cortou 13% do fluxo diário de petróleo e 20% do GNL mundial. A chefe do FMI chamou de "teste à economia global" — com a delicadeza de quem sabe que o teste ainda não acabou.

🎓 O que a teoria diz
Sanções e inovação financeira: países sob sanções severas historicamente desenvolvem mecanismos alternativos de pagamento. O Irã usando cripto não é uma novidade — é a aceleração de uma tendência. O problema: cripto em transações de petróleo cria rastreabilidade difícil para os EUA e pressiona o argumento de que sanções funcionam.
E daí?
Enquanto Ormuz tiver 15 navios/dia, o Brent não cai muito abaixo de US$ 95. Se a Otan garantir passagem livre — o que Trump quer em "dias" — o petróleo despenca mais. Para o Brasil, cada US$ 10 de queda no Brent alivia cerca de 0,2pp no IPCA. A matemática é simples. A geopolítica não.
Brasil · A semana que o BC perdeu o sono
BC · Picchetti · BRB · PEC · BTG · Digimais
BC vê "grande desafio". BRB "não vai quebrar". BTG comprou mais uma

O diretor do BC, Picchetti, disse que a guerra criou um "grande desafio" para a política monetária com o novo choque de oferta global. Traduzindo: o petróleo subiu muito, a inflação vai aparecer nos dados, e o BC tem que decidir se corta juros mesmo assim — ou espera. É a versão técnica de "estamos numa enrascada, mas com educação."

No DF, a governadora Celina Leão garantiu que o BRB "não vai quebrar" e prometeu solução em 30 dias. Banco que precisa que a governadora faça coletiva para dizer que não vai quebrar está, por definição, num momento delicado. O mercado anotou.

O BTG assinou acordo para comprar o Digimais, fintech de Edir Macedo. O Senado quer avançar com a PEC de autonomia do BC antes das eleições — mas a área econômica do governo é contra. Alguém vai perder essa discussão em outubro.

🎓 O que a teoria diz
Choque de oferta e dilema do BC: choques de oferta (petróleo subindo) aumentam a inflação sem aumentar a atividade — o pior cenário para um banco central. Cortar juros piora a inflação; manter piora a economia. O BC ideal espera o choque dissipar antes de agir. Mas eleições em outubro não esperam.
E daí?
O Copom de abril é a decisão mais importante do ano. Com Brent recuando e cessar-fogo de pé, o BC tem argumento para cortar 0,25pp e sinalizar mais. Se o Líbano inflamar o fim de semana, a reunião de abril vira a mais tensa desde 2022.
📊 Gráfico do dia
Ibovespa — três dias, três recordes históricos (em pontos)
Fonte: B3 · InfoMoney · elaboração Daily Brew · 09/04/2026
De 188.259 a 194.938 em três pregões. Na terça, Kharg foi bombardeada e o Ibov virou nos últimos minutos. Na quarta, o cessar-fogo derrubou o Brent 13% e os bancos explodiram. Na quinta, o mercado continuou — mesmo com Ormuz cobrando pedágio. A bolsa decidiu que a guerra acabou e foi na frente.
📌 O número do dia
8
Altas consecutivas do Ibovespa — recorde histórico de fechamento
195.129 pontos. O maior fechamento da história da B3. Em oito pregões, o Ibovespa saiu de 188.161 para 195.129 — enquanto o Irã fechava Ormuz, cobrava pedágio em cripto e o mundo assistia sem entender direito o que estava acontecendo.
📈 Mercados — fechamento quinta-feira (09/04)
Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 195.129 pts ↑ +1,52% 192.206 / 195.514
Dólar (BRL) R$ 5,063 ↓ −0,78% 5,0575 / 5,1554
Brent Jun 26 US$ 95,92 ↑ +1,23% 94,37 / 99,50
Ouro (COMEX) Jun 26 US$ 4.793,50/oz ↑ +0,34% 4.721,50 / 4.825,57
S&P 500 6.813,13 ↑ +0,45% 6.761,55 / 6.835,31
Dow Jones 48.197,95 ↑ +0,60% 47.690,27 / 48.323,95
Nasdaq 22.752,19 ↑ +0,52% 22.529,21 / 22.836,75
Bitcoin US$ 71.907 ↑ +1,14% 71.612,6 / 72.372,4
Fechamento quinta 09/04. Dólar = menor valor em 2 anos. Fonte: InfoMoney · B3 · ICE · 09/04/2026
💬 A frase do dia
"O BRB não vai quebrar."
— Celina Leão, governadora do DF · 09/04/2026
Banco que precisa que a governadora faça coletiva para dizer que não vai quebrar está, por definição, num momento delicado. Ela prometeu solução em 30 dias. O Ibovespa bateu recorde no mesmo dia — porque o mercado tem senso de humor.
📅 O que acompanhar
Fim de semana Cessar-fogo aguenta? Hezbollah recusou negociar, Israel segue atacando o Líbano. Cada ataque coloca Ormuz de volta na pauta. ALTO IMPACTO
Próx. semana FMI e Banco Mundial — reunião anual. A chefe do FMI já avisou que espera demanda de US$ 20–50 bi em apoio por causa da guerra. Projeções de crescimento global serão revisadas para baixo. ALTO IMPACTO
30 dias BRB — governadora prometeu solução. O mercado vai cobrar. MÉDIO IMPACTO
Abril Copom — corta ou não corta? Com Brent em US$ 96 e cessar-fogo de pé, a janela existe. Mas o BC viu "grande desafio". Isso pode ser só cautela ou aviso de que vai segurar. ALTO IMPACTO
📚 Vale ler
Irã prevê cobrar pedágio em criptomoedas em Ormuz — Valor / FT
15 navios por dia, pagamento em cripto, sem SWIFT. O Irã não inventou o petróleo — mas está reinventando como se cobra por ele.
Valor Econômico · 09/04/2026
BC vê "grande desafio" para política monetária — Valor
Picchetti disse que o choque de oferta global complica o trabalho do Copom. A fala mais importante da semana — e passou quase despercebida no dia em que o Ibov bateu recorde.
Valor Econômico · 09/04/2026
Ibovespa supera 195k pela 1ª vez — InfoMoney
O pregão completo: Petrobras puxando, Vale caindo, DIs mistos e o dólar abaixo de R$ 5,07.
InfoMoney · 09/04/2026
Indenização, Ormuz e poeira nuclear: o que EUA e Irã querem — Valor
Os pontos de divergência que podem derrubar o cessar-fogo de duas semanas antes do prazo acabar.
Valor Econômico · 09/04/2026
☕ Boa sexta
O Ibovespa passou dos 195 mil pela primeira vez.
O Irã quer cobrar o pedágio em cripto.
O BRB "não vai quebrar".
O BC vê "grande desafio".

Bom fim de semana.
O mundo retoma na segunda. ☕
📲 Siga @dailybrewbr no Instagram
Os bastidores da economia antes de todo mundo.

Keep Reading