Ontem o Ibovespa fechou em 195.129 pontos — o maior patamar de fechamento da história. Oitava alta consecutiva. O dólar foi a R$ 5,06, o menor valor em dois anos. O mercado decidiu que a paz vale mais que a guerra, mesmo que a paz seja frágil.
O Irã anunciou que vai cobrar o pedágio de Ormuz em criptomoedas. O BC viu "grande desafio". A governadora do DF disse que o BRB não vai quebrar. A Vale foi na contramão sozinha.
Bom fim de semana. O caos retoma na segunda. ☕
O Ibovespa superou 195 mil pontos pela primeira vez. Terceiro recorde em três pregões. O dólar caiu para R$ 5,07 — estava em R$ 5,80 há dois meses. Com o cessar-fogo de pé e Ormuz parcialmente aberto, o mercado foi na frente sem pedir licença.
A Petrobras puxou o Ibov: PETR3 e PETR4 subiram mais de 2%. O JPMorgan reforçou compra, chamando a queda de ontem de "oportunidade". Analista que fala "oportunidade de compra" depois de queda de 4% em petroleira com petróleo caindo 13% é um otimista de carteirinha.
A Vale ficou sozinha no vermelho: −1,19%. Minério de ferro pressionado pela desaceleração chinesa — que não melhorou com a guerra, mas também não piorou. A Vale virou o convidado que foi à festa errada.
O Irã está limitando Ormuz a 15 navios por dia — e, segundo o Financial Times, pretende cobrar o pedágio em criptomoedas. A lógica é simples: cripto não passa por SWIFT, não sofre sanções e não tem banco central que congele a conta. O Irã inventou o DeFi das guerras.
No Líbano, Netanyahu propôs "negociações diretas". O Hezbollah recusou. O governo libanês disse que não conversa "sob fogo". Israel continuou os ataques. As bolsas europeias caíram com "cautela sobre o cessar-fogo" — que é a forma elegante de dizer que ninguém está convencido de que isso vai durar.
O FMI avisou: a guerra deve gerar demanda de US$ 20–50 bilhões em apoio financeiro ao Fundo. O choque já cortou 13% do fluxo diário de petróleo e 20% do GNL mundial. A chefe do FMI chamou de "teste à economia global" — com a delicadeza de quem sabe que o teste ainda não acabou.
O diretor do BC, Picchetti, disse que a guerra criou um "grande desafio" para a política monetária com o novo choque de oferta global. Traduzindo: o petróleo subiu muito, a inflação vai aparecer nos dados, e o BC tem que decidir se corta juros mesmo assim — ou espera. É a versão técnica de "estamos numa enrascada, mas com educação."
No DF, a governadora Celina Leão garantiu que o BRB "não vai quebrar" e prometeu solução em 30 dias. Banco que precisa que a governadora faça coletiva para dizer que não vai quebrar está, por definição, num momento delicado. O mercado anotou.
O BTG assinou acordo para comprar o Digimais, fintech de Edir Macedo. O Senado quer avançar com a PEC de autonomia do BC antes das eleições — mas a área econômica do governo é contra. Alguém vai perder essa discussão em outubro.

Fechamento quinta 09/04. Dólar = menor valor em 2 anos. Fonte: InfoMoney · B3 · ICE · 09/04/2026
|
|
|
Irã prevê cobrar pedágio em criptomoedas em Ormuz — Valor / FT
15 navios por dia, pagamento em cripto, sem SWIFT. O Irã não inventou o petróleo — mas está reinventando como se cobra por ele.
Valor Econômico · 09/04/2026
|
|
BC vê "grande desafio" para política monetária — Valor
Picchetti disse que o choque de oferta global complica o trabalho do Copom. A fala mais importante da semana — e passou quase despercebida no dia em que o Ibov bateu recorde.
Valor Econômico · 09/04/2026
|
|
Ibovespa supera 195k pela 1ª vez — InfoMoney
O pregão completo: Petrobras puxando, Vale caindo, DIs mistos e o dólar abaixo de R$ 5,07.
InfoMoney · 09/04/2026
|
|
Indenização, Ormuz e poeira nuclear: o que EUA e Irã querem — Valor
Os pontos de divergência que podem derrubar o cessar-fogo de duas semanas antes do prazo acabar.
Valor Econômico · 09/04/2026
|
O Irã quer cobrar o pedágio em cripto.
O BRB "não vai quebrar".
O BC vê "grande desafio".
Bom fim de semana.
O mundo retoma na segunda. ☕
| 📲 Siga @dailybrewbr no Instagram |