O fim de semana prometia paz. Deu 21 horas de reunião em Islamabad, sem acordo, com as duas delegações saindo pela porta dos fundos culpando a outra. O Brent amanheceu a semana com apetite. O Ibovespa vai ter que decidir o que fazer com isso.
Enquanto isso, o Datafolha publicou: reprovação de Lula em 51%, positiva em 29%. A seis meses do primeiro turno, o governo acelerou o pacote de bondades — subsídio de combustível, Desenrola 2, reversão de tarifas. O remédio é doce. A conta, não.
Hoje não tem mercado local para olhar — foi feriado nos EUA. Mas tem bastante coisa para pensar. ☕
As negociações de paz entre EUA e Irã em Islamabad terminaram domingo de manhã sem acordo, depois de 21 horas de conversas. O vice-presidente JD Vance fez o comunicado: o Irã se recusou a assumir compromisso de não buscar arma nuclear. "Esse é o objetivo central do presidente", disse Vance, com o ar de quem acabou de perder uma reunião de condomínio.
Trump não demorou. Postou que o Irã "nunca terá uma arma nuclear", que as forças americanas estão "prontas para a ação" e que o país persa deveria reabrir Ormuz "o mais rápido possível". Era o primeiro domingo sem ultimato desde fevereiro — durou pouco. O cessar-fogo de duas semanas segue tecnicamente de pé, mas Trump ameaçou bloquear o Estreito e impor tarifas de 50% à China se Pequim ajudar militarmente o Irã.
O Brent fechou a semana em US$ 95,20. Com Islamabad sem acordo e Ormuz ainda restrito, a pressão volta. O cessar-fogo tem prazo até 21 de abril. Se não houver avanço, o petróleo que caiu 13% na semana passada pode recuperar parte do terreno — e o Copom vai ter que sentar em cima das mãos novamente.
O Irã está limitando Ormuz a 15 navios por dia — e, segundo o Financial Times, pretende cobrar o pedágio em criptomoedas. A lógica é simples: cripto não passa por SWIFT, não sofre sanções e não tem banco central que congele a conta. O Irã inventou o DeFi das guerras.
No Líbano, Netanyahu propôs "negociações diretas". O Hezbollah recusou. O governo libanês disse que não conversa "sob fogo". Israel continuou os ataques. As bolsas europeias caíram com "cautela sobre o cessar-fogo" — que é a forma elegante de dizer que ninguém está convencido de que isso vai durar.
O FMI avisou: a guerra deve gerar demanda de US$ 20–50 bilhões em apoio financeiro ao Fundo. O choque já cortou 13% do fluxo diário de petróleo e 20% do GNL mundial. A chefe do FMI chamou de "teste à economia global" — com a delicadeza de quem sabe que o teste ainda não acabou.
O Datafolha de abril confirmou o que as pesquisas anteriores já sinalizavam: 51% desaprovam o trabalho de Lula, 40% avaliam o governo como ruim ou péssimo, e o presidente aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno — 46% a 45%, dentro da margem de erro. Primeira vez que um Bolsonaro aparece à frente de Lula numa simulação de segundo turno. A família tem talentos variados.
A resposta do Palácio do Planalto foi rápida e previsível: pacote de bondades. Subsídio de combustível, Desenrola 2 para renegociação de dívidas, reversão da taxa das blusinhas. O diagnóstico interno é que a alta dos combustíveis — inflada pela guerra no Irã — está derrubando a aprovação. A solução é segurar o preço na bomba e torcer para que Ormuz abra antes das eleições. Plano sólido.
O problema é estrutural: 80,2% das famílias brasileiras estão endividadas — recorde histórico da série da CNC. A inadimplência voltou a subir. A percepção de piora na economia atingiu 48% segundo a Genial/Quaest. Subsídio não resolve endividamento. Desenrola não resolve Selic a 13,25%. E a conta do pacote chega em algum momento. Provavelmente depois de outubro.
Somando as intenções de voto de Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema, a direita e o centro-direita já concentram mais de 45% das intenções de voto no primeiro turno. Lula aparece com 38%. Não é eleição ainda, mas o sinal é claro: o eleitorado que migrou do PT nos últimos anos não voltou — e parte dele foi parar em candidaturas que sequer eram conhecidas há seis meses.
O problema do pacote de benesses não é só econômico — é político. Cada subsídio anunciado confirma a narrativa da oposição: o governo está comprando votos. Cada Desenrola lançado seis meses antes da eleição virou meme antes de virar política pública. A comunicação do governo precisa transformar benefício em direito antes que a oposição transforme em escândalo. Isso é difícil de fazer quando o timing é tão óbvio.
O cenário macro complica tudo: se Ormuz não reabrir, o Brent sobe, o IPCA sobe, o Copom segura o corte e o pacote resolve menos do que o governo espera. Se Ormuz reabrir, o Brent cai, a inflação cede, o Copom corta — e o governo vai ter que explicar por que lançou um pacote de emergência que não era tão emergencial assim. Não tem saída boa.

Referência: fechamento sexta 10/04. Mercados americanos fechados hoje (feriado). Acompanhe o Brent — Islamabad não fechou acordo. Fonte: Yahoo Finance · B3 · ICE · 10/04/2026
|
|
|
Negociações EUA-Irã fracassam após 21 horas em Islamabad — CNN Brasil
JD Vance confirma: sem compromisso iraniano sobre o programa nuclear, não há acordo. O cessar-fogo de duas semanas ainda está de pé — por enquanto.
CNN Brasil · 12/04/2026
|
|
Datafolha: reprovação de Lula sobe para 51% a menos de 6 meses do primeiro turno — ND Mais
Aprovação em 45%, reprovação em 51%. Avaliação positiva do governo em 29%. E Flávio Bolsonaro pela primeira vez à frente no segundo turno, dentro da margem de erro.
ND Mais · 12/04/2026
|
|
Da segurança às dívidas: as pendências de Lula a seis meses da eleição — Metrópoles
80,2% das famílias endividadas, inadimplência voltando a subir, percepção de piora na economia em 48%. O pacote de bondades é a aposta. A conta chega depois de outubro.
Metrópoles · 10/04/2026
|
O Brent abriu a semana com saudade do conflito.
Lula tem 51% de reprovação e um pacote de bondades.
O Copom tem um problema que nenhum dos dois resolve.
Mas os mercados americanos estão fechados hoje.
Então pelo menos isso. ☕
| 📲 Siga @dailybrewbr no Instagram |