O Irã bloqueou Ormuz. Os EUA bloquearam o Irã. Agora é o bloqueio do bloqueio — com Trump ameaçando eliminar qualquer navio iraniano que se aproximar da frota americana. A Otan recusou participar. O Irã ligou para Trump pedindo acordo. Trump disse que o Irã "quer muito" fechar negócio. O Ibovespa bateu 198 mil pela primeira vez na história.
E o dólar fechou em R$ 4,99 — abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde 27 de março de 2024. Essa última parte é a mais surpreendente de todas, considerando o contexto.
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Depois de Islamabad fracassar, Trump foi às últimas consequências: anunciou bloqueio naval dos portos iranianos a partir das 10h ET de ontem. Qualquer navio entrando ou saindo de porto iraniano sem autorização será "interceptado, desviado ou capturado." E, caso algum navio iraniano se aproxime da frota americana: "será imediatamente eliminado." A Navy americana está operando a leste do Estreito, no Golfo de Omã.
Os aliados da Otan disseram não. Reino Unido, França e Alemanha recusaram participar. Keir Starmer foi direto: "Não apoiamos o bloqueio." Trump havia dito no domingo que "outros países estarão envolvidos." Ficou sozinho — de novo. O Irã respondeu colocando suas forças em "alerta máximo de combate" e ameaçando que "nenhum porto do Golfo estará a salvo."
Mas então, poucas horas depois do bloqueio entrar em vigor, Trump disse que o Irã "ligou esta manhã" e que eles "querem muito fechar um acordo." O Irã não confirmou o telefonema. Trump deu novo prazo: "duas semanas." O mercado ouviu a segunda parte — e subiu. O Brent fechou em US$ 96,75, recuando levemente apesar da escalada.
O Ibovespa fechou em 198.001 pontos — novo recorde histórico, pela décima alta consecutiva. O dólar foi a R$ 4,99, abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde 27 de março de 2024, quando começou a corrida que levou o câmbio a R$ 6,19 em dezembro. O S&P subiu 1,02%, o Nasdaq 1,23%. Os mercados decidiram que o bloqueio de Trump é pressão negociada, não escalada real — pelo menos por enquanto.
A lógica do mercado: Trump bloqueou, o Irã ligou pedindo acordo, Trump deu duas semanas. Para quem opera com horizonte de dias, isso é sinal de que o pior cenário — bloqueio permanente e escalada militar — está sendo evitado. O Brent caiu levemente (US$ 96,75, −1,33%), confirmando que o mercado de petróleo também leu como desescalada relativa.
Para o Brasil, o dólar abaixo de R$ 5 é um alívio duplo: derruba a pressão inflacionária importada e abre espaço para o Copom ser mais dovish em abril. O diferencial de juros continua atraindo capital externo — a Selic a 13,25% contra Fed Funds a 4,25% é um carry trade generoso. JPMorgan e Morgan Stanley seguem com Brasil como aposta principal em emergentes.
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 80,2% em fevereiro — recorde histórico da CNC. Inadimplência voltando a subir. Percepção de piora na economia em 48% — eram 43% em fevereiro, alta de 5 pontos em um mês. Não é coincidência que o Valor Econômico aponte hoje: o tema entrou oficialmente no radar das campanhas presidenciais de 2026. Tanto Lula quanto a oposição estão posicionando suas propostas em torno da dívida do brasileiro.
O governo responde com o pacote de bondades: Desenrola 2 com desconto de até 80%, subsídio de combustível, reversão da taxa das blusinhas. A oposição responde prometendo corte de juros sem explicar como — já que a Selic não é decidida pelo presidente. Flávio Bolsonaro, empatado tecnicamente com Lula no segundo turno pelo Datafolha, aposta na narrativa de que o governo causou o endividamento com inflação e juros altos.
O problema é que nenhum dos dois está explicando o mecanismo real: a Selic alta é consequência do risco-país e do arcabouço fiscal que o mercado não acredita completamente. O crédito caro é consequência da Selic, do spread bancário estrutural e agora do risco moral que o Desenrola vai criar. Gerar mais incerteza fiscal para ganhar dois pontos nas pesquisas piora exatamente o problema que se quer resolver.

⭐ Ibovespa: 10ª alta consecutiva, novo recorde histórico. Dólar: R$ 4,99 — abaixo de R$ 5 pela 1ª vez desde 27/mar/2024. Brent leve queda apesar do bloqueio — mercado leu como pressão negociada. Fonte: Investing.com · B3 · ICE · 13/04/2026
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Trump ameaça eliminar navios iranianos que se aproximarem do bloqueio — Valor
O bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos entrou em vigor ontem. Otan recusou participar. Irã colocou forças em alerta máximo. E Trump disse que o Irã ligou querendo acordo.
Valor Econômico · 13/04/2026
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Trump diz que o Irã quer fazer um acordo — Valor
"Eles ligaram esta manhã." O Irã não confirmou. Mas o mercado acreditou — e o Ibovespa bateu 198 mil enquanto o bloqueio ainda estava ativo.
Valor Econômico · 13/04/2026
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Endividamento das famílias entra no radar das campanhas presidenciais — Valor
80,2% das famílias endividadas. O tema chegou oficialmente à campanha de 2026. Lula com o Desenrola. Oposição com promessas de juros baixos sem explicar o mecanismo. O eleitor no meio.
Valor Econômico · 13/04/2026
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O Irã quer cobrar o pedágio em cripto.
O BRB "não vai quebrar".
O BC vê "grande desafio".
Bom fim de semana.
O mundo retoma na segunda. ☕
Os EUA bloquearam o Irã.
A Otan não bloqueou nada.
O Irã ligou pedindo acordo.
O Ibovespa bateu 198 mil.
O dólar foi abaixo de R$ 5.
O mundo é complicado.
O mercado, pragmático. ☕
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