Daily Brew
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Quarta-feira · 01 de Abril de 2026
☕ Bom dia

O cenário mudou de manhã. O Wall Street Journal reportou que Trump quer encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo sem reabrir o Estreito de Ormuz. O Ibovespa disparou mais de 2%, o dólar caiu para R$ 5,18 e o Brent parou de subir.

No Brasil, o G1 revelou hoje que um documento interno do BRB mostra que o banco sabia que parte da carteira de consignados comprada do Master não tinha empréstimos associados — ou seja, comprou ativos fictícios com ciência prévia. O caso Master ganhou uma nova e grave camada.

Hoje foi o último pregão de março. O mês fecha diferente do que abriu: com sinal de saída da guerra, Ibovespa recuperando e o escândalo do crédito brasileiro ganhando mais um capítulo.

Geopolítica · Virada
Trump · WSJ · Ormuz · Ibovespa · Brent
Trump quer sair da guerra. O mercado acreditou desta vez

O Wall Street Journal reportou que Trump sinalizou a assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado. O raciocínio dentro do governo: forçar a reabertura do Estreito prolongaria a guerra além do prazo de seis semanas prometido — e o custo econômico e político já é alto demais.

O mercado reagiu com força. O Ibovespa fechou em alta de 2,71%, aos 187.462 pontos — maior alta diária em semanas. O dólar caiu para R$ 5,18. As bolsas americanas também subiram: S&P +2,91%, Nasdaq +3,83%. O Brent Jun 26 recuou 3,18%, para US$ 103,97 — o sinal de fim da guerra derrubou o prêmio de risco geopolítico do petróleo.

O secretário de Defesa Pete Hegseth disse que "os próximos dias serão decisivos". O presidente iraniano Pezeshkian disse que o Irã está pronto para acabar com a guerra, mas quer garantias. É o sinal mais concreto de ambos os lados ao mesmo tempo — e o mercado precificou. Março fechou com o Brent acumulando alta de 63% no mês, o maior ganho mensal desde 1988. O último pregão do mês foi verde.

🎓 O que a teoria diz
Prêmio de risco geopolítico e reversão: o mercado havia embutido um prêmio de guerra nos ativos brasileiros — dólar mais alto, bolsa mais baixa, juros longos mais altos. Quando um sinal de desescalada aparece, esse prêmio se desfaz rapidamente. O movimento de hoje não é que o Brasil melhorou — é que o risco global diminuiu. A velocidade da reversão depende de quão crível for o sinal. Trump já prorrogou prazos três vezes.
E daí?
Se o sinal virar anúncio formal nos próximos dias, o Brent pode recuar para US$ 85–95, o Focus de próxima segunda revisa o IPCA para baixo e o Copom ganha espaço para retomar 0,50pp em abril. Se for mais um balão de ensaio, o mercado de hoje vira perda amanhã — e a anestesia de risco fica mais perigosa do que o risco em si.
📊 O gráfico do dia
Ibovespa intraday — 31/03/2026 (pontos)
Fonte: B3 · elaboração Daily Brew
De 181.561 na abertura para 187.462 no fechamento (+2,71%). A linha tracejada marca o fechamento de ontem (182.514). Maior alta diária em semanas — impulsionada pelo sinal de fim da guerra.
Brasil · Escândalo
BRB · Master · Carteiras falsas · Compliance Zero
O BRB sabia. Documento interno mostra que o banco conhecia as carteiras sem empréstimo real

O G1 revelou hoje que um documento interno do BRB mostra que o banco tinha ciência de que parte da carteira de consignados comprada do Master não tinha empréstimos associados — ativos fictícios. O BRB pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras do Master. Desse total, R$ 2,6 bilhões foram identificados pelo BC como sem lastro real.

A nova revelação muda o enquadramento do caso. Até agora, a defesa do BRB era que foi vítima de fraude. Com o documento interno, a pergunta passa a ser: o BRB era vítima ou participante? A Polícia Federal já prendeu executivos do Master na Operação Compliance Zero. A investigação agora aperta o cerco sobre os dirigentes do BRB.

O caso tem ramificações políticas importantes: o BRB é o banco do Governo do Distrito Federal. O GDF já comprometeu imóveis públicos como garantia para cobrir o rombo. Para o mercado, o tema pressiona papéis do setor financeiro — e entra no radar eleitoral com outubro se aproximando.

🎓 O que a teoria diz
Due diligence e responsabilidade institucional: quando um banco compra carteiras de crédito, é obrigado a verificar se os ativos existem e se os contratos têm lastro. Se um documento interno prova que o BRB sabia que parte dos ativos era fictícia e comprou mesmo assim, o enquadramento jurídico muda de "vítima de fraude" para "cúmplice ou conivente". É a distinção entre negligência e cumplicidade — com consequências radicalmente diferentes para os envolvidos.
E daí?
Para o sistema financeiro: se um banco público comprou ativos fictícios com ciência, a pergunta óbvia é se outros fizeram o mesmo. Para o FGC: o rombo de R$ 60 bilhões tem um novo elemento de culpa potencial. Para a política: o GDF — governo Ibaneis Rocha, aliado do Bolsonaro — está com imóveis comprometidos como garantia. Eleição em outubro. A conta política vai chegar junto com a jurídica.
Brasil · Dados do dia
Consignado · 59,4% · Caged · Déficit · Bloqueio
59,4% no consignado. Caged saiu. O fiscal veio melhor — e o bloqueio veio junto

O BC divulgou ontem que a taxa média do consignado privado chegou a 59,4% ao ano em fevereiro — recorde histórico. O produto com desconto em folha, mais seguro para o banco, cobra quase 60% ao ano do trabalhador CLT. As concessões caíram 22,5%. O governo deve anunciar teto de juros para a linha ainda esta semana — medida politicamente fácil, economicamente arriscada.

O Caged de fevereiro saiu com criação de 271 mil vagas formais — dentro da expectativa do mercado e compatível com um mercado de trabalho ainda aquecido, apesar da desaceleração da atividade. O resultado primário de fevereiro foi déficit de R$ 30 bilhões, melhor que o esperado, com queda real de 8,4%.

Ao mesmo tempo, o governo bloqueou R$ 1,6 bilhão no Orçamento para cumprir o arcabouço fiscal. É o ajuste automático quando a arrecadação fica abaixo do projetado — sinal de que a guerra já está comprimindo a atividade econômica e os impostos sobre consumo.

🎓 O que a teoria diz
Teto de juros e efeitos colaterais: toda vez que o Brasil tabelou juros em produto específico — cartão de crédito, crédito rural, financiamento estudantil —, os bancos responderam reduzindo oferta ou compensando em outra linha. O BC tem Working Paper documentando isso. O consignado a 59,4% é indefensável. Mas o teto resolve o sintoma sem tratar a causa: Selic em 14,75%, inadimplência crescente e spread estruturalmente alto.
E daí?
Para ações de banco (ITUB4, BBDC4, BBAS3): teto no consignado comprime margem. Para o trabalhador: pode baratear quem já tem contrato, mas reduz oferta para novos. Se o sinal de fim da guerra se confirmar, o Copom ganha espaço — e a Selic mais baixa em 2026 será o remédio real para o spread, não o teto.
📌 O número do dia
+2,71%
Ibovespa no último pregão de março — 187.462 pontos
O mesmo índice que caiu 7% em março subiu 2,71% no último dia. A diferença foi uma reportagem do Wall Street Journal. Março fecha negativo no mês — mas com esperança de abril.
📈 Mercados — fechamento terça-feira (31/03)
Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 187.462 pts ↑ +2,71% 182.515 / 187.508
Dólar (BRL) R$ 5,1822 ↓ −1,32% R$ 5,174 / R$ 5,267
Brent Jun 26 US$ 103,97 ↓ −3,18%† US$ 103,12 / US$ 111,40
Ouro (COMEX) Jun 26 US$ 4.699/oz ↑ +3,11% US$ 4.510 / US$ 4.717
S&P 500 6.528,44 ↑ +2,91% 6.395,88 / 6.539,05
Dow Jones 46.341,51 ↑ +2,49% 45.480,30 / 46.383,40
Nasdaq 21.590,63 ↑ +3,83% 21.063,38 / 21.642,62
Bitcoin US$ 68.099 ↑ +1,95% US$ 65.795 / US$ 68.097
Fechamento 17h (31/03). †Brent Jun 26 caiu −3,18% para US$ 103,97; contrato maio expirou a US$ 118,35 (+5%). Fonte: B3, Investing.com · 31/03/2026
💬 A frase do dia
"A todos os países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como Reino Unido, que se recusou a se envolver: comprem dos EUA ou simplesmente tomem o Estreito."
— Donald Trump · 31/03/2026
No mesmo dia em que o WSJ diz que Trump quer encerrar a guerra, ele sugere que aliados "simplesmente tomem o Estreito de Ormuz". O mercado optou por ler o WSJ. O Ibovespa subiu 2,71%.
📅 O que vem nesta semana
Semana Confirmação do sinal do WSJ — Qualquer declaração de Trump ou do Irã confirma ou desfaz o otimismo de hoje. O termômetro da semana. ALTO IMPACTO
Semana Teto consignado privado — Governo deve anunciar medida. Impacto em margens dos bancos. MÉDIO IMPACTO
Sex 03/04 Payroll EUA (março) — BLS às 9h30 (Brasília). Expectativa ~270 mil vagas. Primeiro Payroll pós-guerra. MÉDIO IMPACTO
Seg 06/04 Prazo de Trump — Com o sinal de saída, o cenário mudou. Mas Trump pode mudar de ideia antes. ALTO IMPACTO
📚 Vale ler hoje
Trump disposto a encerrar a guerra mesmo sem reabrir o Ormuz
O que o WSJ reportou, por que o mercado acreditou desta vez — e o que ainda precisa acontecer para confirmar.
ADVFN · 31/03/2026
BRB sabia que carteiras do Master não tinham empréstimos reais
O documento interno que muda o enquadramento do caso: de vítima de fraude para possível conivência.
G1 · 31/03/2026
Brent sobe 63% em março — maior alta mensal desde 1988
O balanço do petróleo em março: recordes, volatilidade, sinal de saída e o que o mercado espera para abril.
InfoMoney · 31/03/2026
☕ Boa terça-feira
Trump quer sair da guerra. O Ibovespa subiu 2,71%.
O BRB sabia das carteiras falsas. O escândalo cresceu.
O consignado está em 59,4%. O Brent +63% em março.

Março acabou diferente do que começou. Abril começa em seis dias. ☕
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