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QUINTA-FEIRA · 11 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

Pesquisa Quaest. Lula abriu dez pontos no primeiro turno — e Flávio Bolsonaro, que liderava em abril, começou a cair.
NTN-B. O Tesouro pagou juro real de 8% ao ano para se financiar, o maior em anos — o preço da desconfiança com a dívida.
Copa do Mundo. Começa hoje: promete US$ 41 bi ao PIB global e custa US$ 17 bi em produtividade mundo afora. ☕

Brasil · Corrida de 2026

Genial/Quaest · Eleições 2026 · Lula · Flávio Bolsonaro · Aprovação · Independentes

Pesquisa Quaest: Lula abre 10 pontos, e queda de Flávio pode custar a vitória no 2 turno

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana (2.004 entrevistas presenciais, margem de erro de 2 pontos) mexeu com a corrida presidencial de 2026. No primeiro turno, o presidente Lula (PT) lidera com 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro (PL) — dez pontos de distância. Mas o número que mudou o tom da disputa está no cenário de segundo turno.

Até poucos meses atrás, o jogo vinha apertando: a vantagem de Lula numa simulação de segundo turno encolheu mês a mês e, em abril, Flávio chegou a passar à frente, por 42% a 40%. De lá para cá, o quadro virou. Lula retomou a liderança e, em junho, abriu 44% a 38% — a maior diferença do ano. O gráfico abaixo mostra essa gangorra.

A virada tem nome: os eleitores independentes — aqueles sem identificação clara com nenhum dos dois campos políticos. Entre eles, segundo a Quaest, Lula subiu de 29% para 37% em um mês, enquanto Flávio recuou de 31% para 24%. No mesmo período, a avaliação do governo parou de piorar: a aprovação está em 47% e a desaprovação em 48%, praticamente empatadas, depois de meses em que a rejeição era claramente maior.

Duas ressalvas, porém, valem para qualquer manchete de pesquisa. Faltam cerca de quatro meses para a eleição, marcada para outubro, e mesmo assim a maior parte do eleitorado ainda não fechou questão — na pergunta espontânea, sem lista de nomes, 56% dizem ainda não ter escolhido em quem votar. E pesquisa é a fotografia de um momento, não a previsão do resultado: em 2022, os institutos erraram a distância entre os principais candidatos. O recado de junho não é "está decidido", e sim que a tendência, hoje, joga contra quem vinha subindo.

E daí?

Para o mercado, pesquisa eleitoral importa menos pelo nome na frente e mais pela previsibilidade: cenário indefinido é cenário de risco, e risco tem preço — é o mesmo prêmio por trás do juro real recorde dos títulos públicos que detalhamos mais adiante nesta edição. Uma corrida que volta a ter um favorito mais nítido tende a reduzir essa incerteza; uma que segue embolada, a aumentá-la. Mas, com a eleição em outubro e o eleitorado majoritariamente indeciso, a palavra-chave continua sendo cautela — o número de hoje conta de quem está ganhando agora, não de quem vai ganhar no fim.

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Brasil · O Preço do Medo

NTN-B · IPCA · Tesouro Direto · Juro real · Dívida pública · Risco-país

Tesouro paga juro real de 8% ao ano para se financiar — o maior em anos

O governo brasileiro precisa de dinheiro. Sempre precisa. Ele gasta mais do que arrecada e cobre a diferença pegando emprestado — vende um título cuja promessa, em resumo, é: "me empreste seu dinheiro hoje e eu devolvo mais adiante, corrigido". Esse título se chama NTN-B, um papel do Tesouro Nacional atrelado à inflação. Ele garante duas coisas: primeiro, cobrir o IPCA (índice oficial de inflação do Brasil), seja qual for; segundo, pagar um juro real acima dela. Esse juro real acaba de bater 8% ao ano — garantido pelo governo.

Para dimensionar: quem empresta R$ 100 mil ao governo hoje recebe de volta, em nove anos, cerca de R$ 325 mil — sem montar empresa, sem contratar ninguém, sem correr risco. É um retorno alto o bastante para levantar a pergunta certa em finanças: não "como aproveito?", e sim "por que estão me oferecendo tanto?"

Juro é o preço da confiança. Quando um amigo organizado, com boa reputação, pede R$ 50 emprestado, você empresta sem cobrar nada. Mas se um conhecido endividado, com fama de mau pagador, pede dinheiro e ainda oferece pagar o dobro de volta, aquele "dobro" não está dizendo que é um bom negócio — está dizendo que esse tomador é arriscado. Juro alto não é presente: é medo precificado.

E é assim que o mercado enxerga o Brasil hoje: o devedor de reputação frágil da história — um país que já deu calote no passado e que segue sinalizando que vai gastar mais do que arrecada por muito tempo. O IPCA + 8% é, na prática, milhões de investidores dizendo: "eu empresto, mas o risco de essa dívida virar impagável é grande o bastante para eu exigir 8% acima da inflação para aceitar".

"Mas eu não tenho NTN-B — o que isso tem a ver com a minha vida?" Tudo. Esse juro é o piso de todos os outros. Se o governo — o devedor mais seguro do país — paga 8% acima da inflação, ninguém empresta por menos. O financiamento encarece, o crédito seca e o dinheiro foge da produção para a renda fixa: por que um banco arriscaria num negócio incerto se pode emprestar ao governo a um juro elevado e sem risco algum?

E daí?

Toda vez que esse juro sobe, uma fatia maior dos impostos arrecadados vai só para pagar essa dívida — sobra menos para hospital, escola, asfalto. E o efeito não é neutro: quem vive de salário e crédito sente o aperto duas vezes, com crédito mais caro e menos serviço público, enquanto quem tem dinheiro guardado vê o rendimento da aplicação crescer. Esse número de aparência inofensiva faz três coisas ao mesmo tempo: encarece a dívida de quem deve, drena o orçamento que bancaria hospital e escola, e remunera melhor quem já tem dinheiro para emprestar.

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Copa do Mundo · Dois Placares

Copa do Mundo · Consumo · Produtividade · PIB · Empregos · B3 · UKG

A Copa promete US$ 41 bi de consumo — e custa US$ 17 bi em produtividade

A Copa do Mundo de 2026 começa hoje, com a cerimônia de abertura no Estádio Azteca, na Cidade do México, antes do primeiro jogo do torneio, entre México e África do Sul. É a maior edição da história: 48 seleções, 104 partidas, divididas entre Estados Unidos, México e Canadá. O Brasil estreia no sábado (13), contra Marrocos, em Nova York. Para a economia, o evento também é o maior já realizado — e os números mostram dois lados da mesma moeda.

Do lado positivo, estimativa do Bank of America aponta que o torneio deve adicionar cerca de US$ 41 bilhões ao PIB global e sustentar mais de 800 mil empregos no mundo — direta ou indiretamente ligados ao evento, da hotelaria ao streaming. No Brasil, o efeito mais imediato deve aparecer no consumo: bares, supermercados e lojas de eletrônicos tendem a vender mais nas semanas de jogo, especialmente em dias de partida da seleção brasileira.

Do lado negativo, o consumo que sobe em um lugar costuma sair de outro: a produtividade. Um levantamento da UKG, empresa de gestão de força de trabalho, estima uma perda global de US$ 17 bilhões em produtividade durante o torneio — só nos Estados Unidos, seriam US$ 11,7 bilhões. A pesquisa ouviu 8 mil trabalhadores de oito países (entre eles México e EUA, mas não o Brasil): 37% pretendem ajustar a agenda durante a competição, 27% admitem que vão faltar, chegar tarde ou sair mais cedo, e 14% planejam assistir aos jogos escondidos no expediente.

No Brasil, a legislação trabalhista não prevê ponto facultativo automático nos dias de jogo da seleção — a decisão fica a critério de cada empresa. Na prática, muitas adotam soluções intermediárias: telão no próprio escritório, banco de horas ou liberação parcial da equipe.

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📊 Mercados — Fechamento Quarta 10/06

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 168.619 pts ↓ −0,70%
Dólar R$ 5,17 ↓ −0,09%
S&P 500 7.342 pts ↓ −0,60%
Dow Jones 50.608 pts ↓ −0,52%
Nasdaq 25.474 pts ↓ −0,80%
Petróleo Brent US$ 93,10 ↑ +1,80%
Ouro US$ 4.133 ↓ −3,60%
Bitcoin US$ 61.800 ↑ +0,25%

Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 10/06 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew

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📅 Agenda — Semana de 9 a 13 de junho

QUI 11 ALTO IMPACTO Copa do Mundo começa — cerimônia de abertura e primeiro jogo (México x África do Sul) no Estádio Azteca, na Cidade do México.
QUI 11 MÉDIO Juros e dívida no radar — o mercado acompanha se o juro real das NTN-B (títulos públicos atrelados à inflação), na máxima de anos, segue pressionado em meio às dúvidas sobre o ajuste fiscal.
SEX 12 INFORMATIVO Véspera da estreia da seleção brasileira na Copa — concentração e treino final em Nova York antes do confronto com Marrocos.
SAB 13 ALTO IMPACTO Brasil x Marrocos — estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, em Nova York. Fique de olho no volume de negócios na B3 (bolsa de valores brasileira) durante a partida.

📚 Vale ler

Genial/Quaest: Lula lidera o 1º turno e vence todos os cenários de 2º

A pesquisa presidencial completa de junho, com os quatro cenários de segundo turno e o movimento dos eleitores independentes.

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O estudo por trás do número positivo do torneio: de onde vêm os US$ 41 bi de PIB global e os mais de 800 mil empregos.

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Copa do Mundo pode tirar até US$ 17 bi em produtividade das empresas, diz estudo

O outro lado da conta: o levantamento da UKG sobre o comportamento de trabalhadores e gestores durante a competição.

InfoMoney

☕ BOA QUINTA

Lula reabre a vantagem.
Flávio descobre que abril ficou para trás.
O governo paga 8% só para ser levado a sério.
E a Copa começa — que o trabalho espere.
Aproveite o jogo. A conta sempre espera. ☕

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