A quinta-feira foi daquelas que o mercado financeiro prefere esquecer rápido — mas que o bolso demora mais para superar.
O Ibovespa derreteu 2,55% ontem e o dólar disparou para R$ 5,24. O padrão já está ficando familiar: conflito no Oriente Médio escala, commodity sobe, mercados caem, e os comunicados oficiais tentam dar a impressão de que a situação está sob controle.
O petróleo fechou a US$ 100,46 na quinta-feira, alta de 6,65% no dia. Diante disso, o governo brasileiro anunciou que vai zerar o PIS/Cofins sobre o diesel — mas vai custar caro: R$ 30 bilhões. Tem café? Você vai precisar.
O número chegou às 9h de ontem: IPCA de fevereiro em 0,70%, acima dos 0,64% que o mercado esperava. A educação puxou, como todo começo de ano. Mas o que preocupa não é o componente sazonal — é a composição por baixo: serviços ainda pressionados, alimentação fora do domicílio sem trégua, e núcleos de inflação que não cedem na velocidade que o Copom gostaria.
O problema é que esse dado ainda não viu o petróleo caro. O choque real — no diesel, no frete, na energia — aparece no IPCA de março e de abril. O BC sabe disso. O mercado sabe disso. E os dois sabem que o Copom vai se reunir antes de ver esse número.
A decisão de terça ficou mais difícil. Antes do IPCA, o mercado precificava corte de 50 pontos-base. Agora, a aposta majoritária migrou para 25 bps — com uma taxa terminal de 14,75%. Cortar mais agressivamente com inflação surpreendendo para cima e petróleo em três dígitos é arriscado. Não cortar seria uma guinada hawkish que o governo certamente não aplaudiria. O novo imposto de exportação sobre petróleo que financia o pacote do diesel é a primeira vez que o Brasil taxa exportações de commodity dessa forma em muitos anos — e manda um sinal ruim para o investidor estrangeiro de olho no setor de energia brasileiro.
A lógica do pacote anunciado ontem pelo governo é simples de explicar e difícil de defender: o Brasil vai deixar de arrecadar R$ 20 bilhões em PIS/Cofins sobre o diesel e gastar mais R$ 10 bilhões em subvenção direta a produtores e importadores — num total de R$ 30 bilhões — para reduzir o preço do combustível em R$ 0,64 por litro nas bombas. A conta, segundo Haddad, será paga por um novo imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, que o governo estima render exatamente os mesmos R$ 30 bilhões.
O problema é que essa matemática só fecha se o petróleo continuar caro. A arrecadação do imposto de exportação depende do volume exportado multiplicado pelo preço do barril — duas variáveis que o próprio conflito que motivou o pacote torna imprevisíveis. O economista Cláudio Frischtak, ex-Banco Mundial, reconhece que os números podem se aproximar em cenário de Brent elevado. Mas, como ele mesmo pontuou, o cálculo envolve grande margem de incerteza.
Ou seja: se a guerra arrefecer e o petróleo recuar para US$ 70, a compensação some — e o buraco fiscal fica.

* Sessão marcada por aversão global ao risco: Brent voltou a pressionar US$ 100 com novos ataques no Golfo. No Brasil, o IPCA de fevereiro (0,70%) veio acima do esperado e o dólar devolveu a estabilidade da véspera. Wall Street fechou no vermelho em todas as bolsas, com Nasdaq liderando as perdas.
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