A Super Quarta entregou o script completo — com um capítulo extra que ninguém pediu. O Fed manteve os juros pelo segundo mês seguido, o Copom cortou a Selic em 0,25pp e o petróleo fechou a US$ 107,38 depois que o Irã ameaçou atacar instalações petrolíferas em retaliação à ofensiva americana e israelense. Três decisões, três direções, mesmo dia.
O detalhe mais perturbador não foi nenhuma das decisões — foi o dot plot. O comitê do Fed ficou dividido exatamente ao meio: 7 diretores não querem mais nenhum corte em 2026, outros 7 aceitam no máximo um. Quando o próprio banco central não sabe o que vai fazer, o mercado também fica sem roteiro.
No Brasil, o Copom entregou o que prometeu em janeiro — mas com um comunicado tão cauteloso que parece ter sido escrito por um advogado. "Gradual", "parcimônia", "dependente de dados". O mercado traduziu: não esperem 0,50pp na próxima.
E o Brent? Subiu mais 3,83%, ignorando qualquer discussão de juro mundo afora. O Estreito de Ormuz não leu os comunicados. O mercado ficou com a cara de quem pediu um prato e vieram três.
O Federal Reserve manteve os juros em 3,5%–3,75% pela segunda reunião consecutiva — com exceção de Stephen Miran, que votou por corte pela segunda vez seguida. A decisão confirmou o que 99% do mercado esperava.
O que surpreendeu foi o dot plot — o gráfico que o Fed publica quatro vezes por ano onde cada um dos 19 diretores marca anonimamente onde acha que os juros deveriam estar no futuro. O mercado lê esse gráfico com mais atenção do que qualquer comunicado oficial. O resultado desta semana: sete diretores não veem mais nenhum corte em 2026 e sete projetam apenas uma redução. A mediana permaneceu em 3,4%, mas a divisão é a mais apertada em anos — e sinaliza que qualquer piora inflacionária pode eliminar até esse único corte projetado.
Na coletiva, Powell foi ao mesmo tempo transparente e inconclusivo. Disse que preços de energia mais altos vão impulsionar a inflação — admitindo o óbvio — mas que o Fed não sabe a duração do conflito e portanto não pode antecipar resposta. Resumo: o Fed vai esperar para ver.
Se o petróleo ficar acima de US$ 100 por mais dois meses, o debate de zero cortes deixa de ser minoria. Para completar, Powell tem mandato até maio. Kevin Warsh, o provável substituto, é mais hawkish. O mercado está lendo o comunicado de hoje como um dos últimos documentos de Powell — e tentando adivinhar o que o próximo presidente do Fed vai fazer com a herança.

O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual — de 15% para 14,75% ao ano. Primeiro corte desde maio de 2024. A decisão foi unânime. O Banco Central havia prometido em janeiro que cortaria em março se o cenário se confirmasse. O cenário não colaborou integralmente — guerra, petróleo, inflação teimosa — mas Galípolo manteve a palavra. Consistência vale mais do que coragem.
O comunicado foi um manual de cautela: "gradual", "parcimônia", "dependente de dados". O mercado leu como: não esperem 0,50pp na próxima reunião. O Focus projeta Selic a 12,25% no fim de 2026 — o que exigiria mais dez cortes seguidos de 0,25pp. É uma conta que precisa de petróleo cooperando, inflação cadente e Fed quieto. Três variáveis completamente fora do controle de Brasília.
O Brent fechou a US$ 107,38 (+3,83%) — chegou perto de US$ 110 durante o dia. O Irã ameaçou atacar instalações petrolíferas do Oriente Médio em retaliação à ofensiva americana e israelense sobre o maior campo de gás iraniano. No mesmo dia, Israel confirmou ter assassinado o ministro da Inteligência do Irã e a principal autoridade de segurança do país. O conflito escalou mais um degrau.
O ING foi objetivo: a única forma de normalizar preços é retomar o fluxo pelo Estreito de Ormuz. Enquanto não acontece, as refinarias operam com menos matéria-prima e o barril fica caro. No Brasil, a ironia está completa: a mesma guerra que dificulta os cortes de juros engorda o maior ativo do país. Brent acima de US$ 100 é problema para o Copom e festa para a Petrobras.
Fonte: Investing.com Brasil · 18/03/2026 (fechamento). Brent: Valor Econômico.
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O Estreito de Ormuz não leu nenhum dos comunicados.
Três cafés. Mínimo. ☕☕☕
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