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TERÇA-FEIRA · 07 DE JULHO DE 2026

☕ Bom dia

Os Estados Unidos começaram a decidir se taxam o Brasil, e até o Pix entrou na mira.

O Itamaraty acendeu o alerta: chamar o PCC de terrorista pode abrir brecha para os EUA agirem dentro do Brasil.

E o Boletim Focus aparou a inflação prevista, mas manteve os juros em 14% para 2026, mesmo com o petróleo nos setenta e tanto. ☕

Foto: Wikimedia Commons

Brasil · Tarifas

Brasil chama tarifa dos EUA de ilegal e leva a defesa do Pix a Washington

O Brasil subiu o tom contra os Estados Unidos nesta segunda. O Itamaraty protocolou uma resposta formal contra uma das tarifas que os EUA propuseram aplicar, a de 12,5%, baseada na acusação de que o país não teria regras suficientes para barrar importações feitas com trabalho forçado. O governo chamou a acusação de "arbitrária", "ilegal" e contra as regras do comércio mundial.

Essa é só uma das duas frentes abertas por Washington. A outra é uma tarifa de 25%, que mira o Pix, o etanol, regras para plataformas digitais, propriedade intelectual e o desmatamento. Em tese, para os produtos que caírem nas duas frentes e ficarem fora das listas de exceção, a conta pode chegar a 37,5%. O Brasil já tinha respondido à de 25% na semana passada, então agora contesta as duas por escrito.

No mesmo dia, começou em Washington a audiência que ouve os dois lados antes da decisão. O Pix roubou a cena. Uma representante do Tesouro americano chegou a perguntar como os EUA poderiam se integrar ao sistema brasileiro. Um professor da FGV e um executivo de pagamentos defenderam que o Pix é infraestrutura pública, como uma estrada, e não concorrência desleal, e uma ONG de consumidores americana reforçou o argumento.

Para os EUA, o problema é que o Pix, gratuito e público, virou o meio de pagamento mais usado do país e tirou espaço das empresas americanas, um tratamento que eles chamam de "injusto e discriminatório". O Brasil rebate que Pix não é empresa, é serviço público.

O governo Lula escolheu não discursar na audiência. Mandou apenas observadores da embaixada, por entender que ali não é a mesa de negociação de verdade, e aposta na conversa direta com os americanos. Pela oposição, Flávio Bolsonaro abre o segundo dia nesta terça. A decisão final tem prazo, 15 de julho.

E aqui está o risco. Quem esteve na sala saiu com a mesma impressão: o debate foi técnico, mas o veredito será político. Ou seja, o Brasil pode ganhar no argumento e perder na canetada, e o que sobrar da conta aperta exportadores e empregos aqui dentro.

📚 Teoria · quando estar integrado vira fraqueza

Em 2019, dois cientistas políticos, Henry Farrell e Abraham Newman, publicaram um estudo que virou referência ("Weaponized Interdependence", na revista International Security). A tese: o país que fica no centro das redes que o mundo inteiro usa (o dólar, o sistema que liga os bancos, as rotas de comércio) transforma essa posição em arma.

Eles descrevem duas jogadas. Uma é enxergar tudo: como o dinheiro passa por você, você vê quem paga quem. A outra é fechar a torneira: você corta o adversário da rede. Foi assim que os EUA tiraram o Irã e a Rússia do sistema bancário internacional, sem disparar um tiro.

E daí?

É o pano de fundo da briga com o Brasil. A tarifa é uma torneira que Washington pode apertar. E o Pix incomoda justamente porque roda por fora do dólar e das bandeiras de cartão americanas, ou seja, depende menos da rede que os EUA controlam.

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Foto: Wikimedia Commons

Brasil · Soberania

Governo alerta que os EUA podem usar tropa no Brasil por causa do PCC

O governo Lula mandou nesta segunda um documento à Câmara com um aviso pesado. Segundo o Itamaraty, a decisão dos Estados Unidos de tratar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas pode abrir margem para o uso da força militar americana em território brasileiro.

Desde 5 de junho, Washington colocou as duas maiores facções do Brasil na mesma lista onde estão grupos como o Estado Islâmico. Na prática, isso libera os americanos a bloquear dinheiro, barrar transações e punir quem ajudar os grupos. O que assustou Brasília é a parte final: a lei dos Estados Unidos daria base para eles agirem fora das próprias fronteiras. Washington diz que o rótulo serve para bloquear dinheiro e barrar vistos, não para mandar soldado; o temor do Brasil é que a lei americana, sendo larga, possa ir além disso.

O Itamaraty diz que a medida não traz nenhum ganho real no combate ao crime e ainda pisa na soberania do país. O Brasil afirma que não foi avisado oficialmente e trata a decisão como um ato unilateral. A classificação saiu logo depois de uma reunião do senador Flávio Bolsonaro com autoridades americanas.

A resposta chegou à Câmara a pedido do deputado Evair de Melo e foi escrita a várias mãos, por gente da diplomacia, da segurança pública, da inteligência e da Justiça. O argumento central é que os dois países já têm ferramentas que funcionam, como troca de informações, investigações conjuntas e combate à lavagem de dinheiro. Para o governo, isso torna o rótulo de terrorista desnecessário, e serve mais para pressionar do que para ajudar.

E por que isso importa pra você, que não tem nada a ver com facção? Porque esse tipo de rótulo é largo. O próprio Itamaraty avisou que ele pode alcançar pessoas e empresas brasileiras com ligação só indireta, ou até sem querer, com os grupos. É aí que mora o susto: os Estados Unidos passariam a decidir sozinhos quem é suspeito aqui dentro, podendo bloquear contas, barrar vistos e processar brasileiros. Junte com a ameaça da tarifa de 25% e o recado fica claro, a pressão americana sobre o Brasil só cresce.

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Foto: Agência Brasil

Brasil · Juros

Boletim Focus · petróleo · juros básicos

O petróleo despencou de US$ 100 para US$ 72, mas os seus juros não vem junto

Tinha uma conta que parecia óbvia. Petróleo mais barato baixa a inflação, inflação menor abre espaço pro Banco Central cortar os juros. Pois o barril despencou, de mais de US$ 100 para perto de US$ 72, de volta ao patamar de antes da guerra no Irã. E mesmo assim o mercado não vê os juros básicos caindo muito abaixo dos 14% neste ano.

O Boletim Focus desta segunda até mostrou a inflação prevista para 2026 recuando de leve, de 5,33% para 5,30%. Só que a aposta nos juros não se mexeu. Desde meados de maio, aquela ligação automática entre o preço do petróleo e os juros foi afrouxando. O barril despencou forte no ano, como mostra o gráfico, mas os juros ficaram parados lá em cima.

Preço diário do petróleo Brent em 2026

O motivo é que o freio dos juros mudou de endereço, e agora mora aqui dentro. Pesa a inflação dos serviços, que sobe devagar e custa a ceder. Pesam as expectativas desancoradas, o jeito técnico de dizer que o mercado deixou de acreditar que a inflação volta pra meta tão cedo. E pesa, principalmente, a conta do governo: mais gasto e mais crédito na praça assustam quem empresta e seguram o corte.

Os bancos se dividem no tamanho do alívio. O Itaú diz que a curva dos juros se descolou do petróleo por medo do lado fiscal e aposta em só mais um corte pequeno, com os juros parando em 14% no fim do ano. O Santander é um pouco mais otimista, acha que o petróleo barato ainda derruba a inflação, baixou sua previsão de 5,2% para 5% e vê dois cortes, levando os juros a 13,75%. Na precificação do mercado, a chance de um corte já em agosto passa de 70%, mas daí pra frente a maioria imagina o Banco Central parado.

No fim, pro seu bolso a leitura é uma só. Enquanto os juros ficarem perto de 14%, o dinheiro segue caro, e não adianta torcer pelo petróleo barato pra aliviar o cartão ou o financiamento. O que destrava o corte é a inflação de serviços e a conta do governo aqui dentro, não o barril lá fora.

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📅 O que vem aí

Hoje · 07/07

Tarifa de 25%, dia 2. Flávio Bolsonaro abre o segundo dia da audiência do USTR, em Washington.

Quarta · 08/07

Ata do Fed. os bastidores da última reunião do banco central dos EUA, que mexem com o dólar aqui.

Sexta · 10/07

IPCA de junho. a inflação oficial do mês, com alívio esperado por alimentos.

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📊 Mercados — Fechamento de segunda (06/07)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa172.447 pts↓ −0,93%
Dólar (comercial)R$ 5,13↓ −0,70%
Petróleo (Brent)US$ 72,13*↑ +0,2%
Ouro (futuro)US$ 4.169*↓ −0,6%
S&P 5007.537 pts↑ +0,72%
BitcoinUS$ 64,2 mil*↑ +1,0%

* Preço por volta do fechamento do mercado brasileiro; segue em negociação no exterior.

Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics, Investing.com e CoinGecko · variação no dia (06/07) · Elaboração: Daily Brew

📚 Vale ler

Governo diz à Câmara que o rótulo de terrorista ao PCC pode abrir margem para os EUA

O documento do Itamaraty por trás do bloco 1, com o alerta sobre soberania e uso da força.

O Globo · Política · 06/07/2026

Embaixada do Brasil envia observadores à audiência do USTR

Como o governo escolheu não discursar e apostar na negociação direta até o dia 15.

Poder360 · Internacional · 06/07/2026

Relatório Focus mantém os juros em 14% e a inflação em 5,30%

Os números do Focus desta segunda que ancoram o bloco 2.

Economic News · Economia · 06/07/2026

Tribunal afasta o aumento de 10% do lucro presumido criado pela LC 224

O pano de fundo jurídico do bloco 3, com a tese que empresas vêm usando na Justiça.

Conjur · Tributos · 2026

EUA passam a designar CV e PCC como organizações terroristas

A decisão de 5 de junho que está na origem de toda a discussão do bloco 1.

Agência Brasil · Internacional · jun/2026

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