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SEXTA-FEIRA · 05 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

Vorcaro. Mais nomes, mais datas e o caso Dark Horse: nova delação entregue à PF.

SpaceX. Musk começa a vender a SpaceX para o público — avaliada em US$ 1,77 trilhão.

Tarifas. Os EUA propuseram 37,5%. No dia seguinte, pediram para conversar.

Brasil · Dark Horse

Vorcaro · Banco Master · PF · PGR · STF · André Mendonça · Flávio Bolsonaro · Dark Horse

Vorcaro entregou nova proposta de delação e Polícia Federal diz que está mais completa

Na segunda-feira, os advogados de Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco Master — se sentaram com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para entregar uma nova tentativa de delação premiada. A primeira, rejeitada em maio, tinha um problema claro: Vorcaro omitiu nomes e protegeu pessoas que a PF já sabia quem eram — a polícia havia vasculhado oito celulares apreendidos e já conhecia boa parte do roteiro. Desta vez, segundo investigadores ouvidos pela CNN Brasil, a proposta chegou "mais completa": mais nomes, mais datas, mais anexos.

E tem mais. Segundo a CNN Brasil e o Metrópoles, a nova proposta inclui informações sobre o financiamento do filme Dark Horse — produção sobre Jair Bolsonaro cujo patrocínio teria sido solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro. Em maio, um áudio vazado mostrou Flávio pedindo apoio financeiro a Vorcaro para o projeto; o senador confirmou ter se encontrado com o banqueiro em dezembro de 2025 para tratar do assunto. A investigação agora quer entender em que termos o patrocínio foi combinado e de onde viria o dinheiro. PF e PGR têm até 12 de junho para concluir a análise. Se aprovada, a palavra final é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

E daí?

Vamos por partes, porque tem muita coisa em jogo aqui.

Para a política: Flávio Bolsonaro é hoje o principal nome da oposição para a corrida presidencial de 2026. Uma delação homologada que o coloca no centro de um esquema de financiamento via banco sob investigação é o tipo de coisa que transforma uma candidatura em uma crise jurídica permanente — às vésperas do período eleitoral. O timing não poderia ser pior para ele.

Para todo mundo: uma delação premiada só tem efeito jurídico depois de homologada pelo STF — nada disso é fato consumado ainda. Mas o processo de delação tem uma característica peculiar: mesmo antes de virar prova, os nomes vazam, as narrativas circulam e o estrago político já começa. É o que está acontecendo agora.

Mercados · Maior IPO da História

SpaceX · SPCX · Nasdaq · Musk · Starlink · Goldman Sachs · US$ 1,77 tri · Roadshow

A SpaceX vai abrir capital e captar US$ 75 bilhões na bolsa — o equivalente ao PIB do Uruguai

A empresa de Elon Musk que lança foguetes, opera a rede de internet via satélite Starlink e carrega astronautas para a Estação Espacial Internacional começou hoje o seu roadshow — a turnê de apresentações para grandes investidores que antecede a abertura oficial de capital na bolsa. O preço por ação foi definido ontem em US$ 135, avaliando a SpaceX em US$ 1,77 trilhão.

Para ter noção da escala: o maior IPO — sigla em inglês para estreia de uma empresa na bolsa de valores — da história até hoje foi o da Alibaba, gigante chinesa de comércio eletrônico, que captou US$ 25 bilhões em 2014. A SpaceX pretende levantar US$ 75 bilhões de uma só vez — três vezes mais. A estreia no Nasdaq está marcada para 12 de junho, sob o ticker SPCX, com o Goldman Sachs como banco líder da operação.

O coração do negócio, aliás, não é mais o foguete — é a internet. O Starlink, serviço de banda larga via satélite que hoje atende 10,3 milhões de assinantes em 155 países, respondeu por 69% da receita da SpaceX no primeiro trimestre de 2026. No ano passado, a divisão faturou US$ 11,4 bilhões, crescimento de 50% sobre 2024. A tese é simples: a SpaceX não é uma empresa aeroespacial. É uma empresa de telecomunicações com foguetes próprios.

Musk mantém controle absoluto mesmo após a abertura de capital — as ações vendidas ao público são da Classe A, com poder de voto limitado. Quem comprar SPCX participa dos lucros, mas não das decisões. Um detalhe que cada investidor vai ter que aceitar ou rejeitar antes de 12 de junho.

E daí?

Com avaliação de US$ 1,77 trilhão, a SpaceX entraria direto como a sétima maior empresa dos EUA por valor de mercado — ultrapassando a Tesla, que vale US$ 1,6 trilhão. Para o mercado global, um IPO desta magnitude drena capital de outros ativos por semanas: gestores que querem participar precisam vender posições em outros papéis para comprar SPCX. Isso pode gerar pressão temporária em bolsas emergentes, incluindo o Brasil. A data a acompanhar: 12 de junho, dia da estreia no Nasdaq.

Brasil · Tarifaço 2.0

USTR · Vieira · Greer · Lula · Lei da Reciprocidade · G7 · Trabalho Forçado · Pix

Um dia após o tarifaço de 37,5%, EUA e Brasil se encontraram em Paris e os dois lados dizem que querem negociar

Sim, de novo. Trump e as tarifas — como todo dia. A semana começou com o USTR — escritório de comércio dos EUA — propondo 25% de tarifa sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. O pretexto: uma lista de reclamações que inclui o Pix (sim, o sistema de pagamentos instantâneos virou argumento comercial americano), proteção de propriedade intelectual, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol. Na quarta-feira, uma segunda proposta acrescentou 12,5% adicionais sobre 60 países, incluindo o Brasil, desta vez pela alegação de tolerância ao trabalho forçado na pecuária. Dois tarifaços, um país.

Mas ao longo do dia o tom mudou. Em Paris, à margem de uma reunião da OCDE — clube das economias mais desenvolvidas do mundo —, o chanceler brasileiro Mauro Vieira se encontrou com Jamieson Greer, chefe do USTR. Greer disse que quer "continuar o diálogo" e que as conversas com o Brasil estão sendo "excelentes". Vieira saiu da reunião com uma frase seca: "provamos que os argumentos apresentados pelos EUA não são legítimos." A lógica que ele usou é simples e difícil de rebater — o Brasil tem déficit comercial com os EUA, não superávit. Ou seja, compra mais do que vende para os americanos. Em tese, seria o Brasil quem teria razão de reclamar, não o contrário.

Lula, por sua vez, deixou claro que não vai engolir quieto. Criticou abertamente a posição americana em reunião ministerial, anunciou que vai usar o G7 de meados de junho para confrontar Trump diretamente e sinalizou que o Brasil vai buscar novos parceiros comerciais — leia-se: China. A retaliação via Lei da Reciprocidade está na mesa, mas por enquanto o governo prefere o caminho da negociação. O prazo para o Brasil apresentar suas objeções formais ao USTR é 15 de julho.

O que a teoria diz

Usar a Section 301 — lei americana que permite tarifas punitivas contra práticas "injustas" de parceiros comerciais — contra um país que tem déficit com os EUA é, no mínimo, juridicamente criativo. A OMC (Organização Mundial do Comércio) não reconhece a maioria das justificativas apresentadas como base válida para tarifas unilaterais. O Brasil tem argumentos sólidos no papel. O problema é que, no mundo do Trump, o que vale não é o argumento jurídico — é quem aguenta a pressão por mais tempo.

💬 A Frase

"As negociações estão indo muito bem."

Donald Trump · 4 de junho de 2026

"Não houve nenhum progresso tangível."

Abbas Araghchi, chanceler do Irã · 4 de junho de 2026

Mesma negociação. Mesmo dia. Descrições opostas. O mercado financeiro leu as duas declarações e escolheu a de Trump — o Dow Jones fechou no maior nível da história. Às vezes a fé move montanhas. Às vezes move apenas o índice.

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📊 Mercados — Fechamento quinta 04/06

⚠️ Feriado de Corpus Christi: a B3 (a bolsa de valores brasileira) e o Tesouro Direto não operaram na quinta-feira, 4 de junho. Os dados abaixo referem-se exclusivamente aos mercados internacionais.

Ativo Fechamento Dia
Petróleo Brent US$ 96,97 ↓ −0,86%
Ouro (futuro) US$ 4.480,21 ↑ +1,02%
S&P 500 7.597,02 pts ↑ +0,58%
Dow Jones 51.637,48 pts ↑ +1,88%
Nasdaq 26.879 pts ↑ +0,10%

Fontes: Reuters, Trading Economics e Yahoo Finance · fechamento de 04/06 (cotações podem variar por contrato e horário) · B3 fechada — feriado de Corpus Christi · Elaboração: Daily Brew

📚 Vale Ler

Chefe da USTR disse que quer seguir diálogo sobre tarifas, afirma Vieira

O chanceler brasileiro detalha o encontro com Jamieson Greer em Paris e o argumento do déficit comercial que o Brasil usou para contestar as tarifas americanas.

CNN Brasil

PF vê nova delação de Vorcaro como mais completa

O que mudou da primeira proposta rejeitada para a nova versão — mais nomes, mais datas, mais anexos — e os próximos passos até 12 de junho.

CNN Brasil

SpaceX reveals its share price and record valuation: 555.6 million shares at $135 apiece

A Fortune detalha a estrutura do IPO, o papel do Starlink na avaliação e o que significa a SpaceX entrar nos índices de ações americanos a partir de junho.

Fortune

EUA e Irã estão perto de fechar acordo para encerrar a guerra, dizem fontes

As três etapas do acordo em negociação, o papel do Paquistão como mediador e por que os pontos sobre mísseis e urânio ainda travam o entendimento definitivo.

CNN Brasil

☕ BOA SEXTA-FEIRA

Os EUA propuseram 37,5% de tarifa ao Brasil.
No dia seguinte, pediram para conversar.
Vorcaro entregou mais nomes.
Musk começou a vender a SpaceX pelo PIB do Uruguai.
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