O fim de semana foi o mais tenso em semanas — e a segunda-feira veio para compensar. O Brent abriu na manhã de ontem a US$ 114, com o prazo do ultimato de Trump vencendo, o Irã prometendo apagar a luz de toda a Ásia Ocidental e o mercado asiático despencando 5% antes das 9h de Brasília. Era o script de um dia catastrófico.
Então Trump postou no Truth Social. Disse que os EUA e o Irã tiveram "conversas muito boas e produtivas" e que todos os ataques militares estão adiados por cinco dias. O petróleo caiu mais de 10% em minutos. A bolsa virou. O dólar cedeu. E o mercado, que estava se preparando para o apocalipse, passou a discutir se cinco dias é tempo suficiente para um acordo.
O Irã, por sua vez, disse que não há nenhuma negociação em curso. Disse que Trump recuou por pressão dos mercados. O mercado, gentilmente, não esperou para saber quem estava certo — e subiu de qualquer forma. Em 2026, o detalhe de quem é o dono da verdade é luxo para depois do fechamento.
Segunda abriu em catástrofe: Brent a US$ 109,68 na máxima, Ásia em queda de 5%, prazo do ultimato de Trump vencendo. O Irã havia dito que fecharia o Estreito completamente se atacado. Era o script do dia mais caro da história recente do petróleo.
Às 10h30 de Brasília, Trump publicou no Truth Social: "conversas muito boas e produtivas", ataques adiados por cinco dias. O Brent despencou para US$ 91,89 na mínima — queda de mais de 10% no mesmo pregão, a maior desde 2020. O Ibovespa virou para alta de 3,6%.
O Irã disse que as conversas não existiram. Que Trump recuou por pressão dos mercados. O Brent fechou em US$ 95,18 de qualquer forma — e o mercado prefere acreditar em acordos que não existem do que em guerras que existem.

O Boletim Focus trouxe as notícias que o mercado já esperava — e temia. IPCA 2026 subiu de 4,10% para 4,17%, segunda alta consecutiva. Selic terminal foi de 12,25% para 12,50%. O câmbio ficou em R$ 5,40 — longe dos R$ 5,20 de fevereiro.
O detalhe que importa: o Focus fecha toda sexta-feira. As projeções desta semana capturaram o Brent acima de US$ 106 e o dólar a R$ 5,31. Se o Brent fechar a semana abaixo de US$ 100, o Focus da próxima segunda pode surpreender. O problema é que o petróleo não fecha acordos de paz.
O PGR Paulo Gonet manifestou-se a favor da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro por razões de saúde. A decisão cabe a Moraes. Não é absolvição nem ficha corrida — mas sinaliza uma resolução menos explosiva do que muitos temiam.
Com Bolsonaro em domiciliar e Flávio mais ao centro, outubro de 2026 começa a parecer menos polarizado que 2022. Uma eleição menos volátil significa menos risco de ruptura institucional — e o mercado precifica isso o tempo todo, mesmo que discretamente.
Fonte: B3, Investing.com · 23/03/2026
|
|
|
O dia que começou em queda de 5% na Ásia e terminou em alta de 3,6% no Brasil
O pregão de segunda em tempo real: da máxima do Brent em US$ 109 ao post de Trump que derrubou tudo.
CNN Brasil
|
|
Focus piora pela segunda semana: IPCA vai a 4,17% e Selic terminal sobe para 12,5%
O termômetro capturou a semana passada — antes do alívio de hoje. O próximo Focus pode surpreender se o petróleo cooperar.
CNN Brasil
|
|
Irã nega conversas com os EUA: "Trump recuou por pressão dos mercados"
A versão iraniana: sem negociação, sem contato. O mercado subiu de qualquer forma — e esse é o ponto.
Metrópoles
|
|
PGR pede domiciliar para Bolsonaro — e o que muda na eleição de 2026
O parecer do PGR e por que uma eleição menos polarizada é, tecnicamente, um ativo para os mercados.
Infomoney
|
O Irã disse que não existiu nenhuma conversa.
A bolsa subiu 3,6% e não perguntou para ninguém.
Cinco dias para provar que o acordo é real. ☕
| 📲 Siga @dailybrewbr no Instagram |