O Ibovespa fechou em alta modesta de 0,32%, puxado por Petrobras e Vale enquanto os bancos sangravam. Nos EUA, S&P e Nasdaq fecharam no vermelho. O Brent ficou estável perto de US$ 96, com máxima de US$ 100 no dia — longe da queda de segunda, mas longe também da paz.
A ata do Copom saiu de manhã cheia de "cautela" e "serenidade", sem nenhuma pista sobre maio. O WSJ revelou que foi o príncipe saudita MBS quem pressionou Trump a atacar o Irã — em privado, claro, enquanto defendia diplomacia em público. E a OTAN anunciou 22 países organizados para reabrir Ormuz, com a confiança de quem ainda não combinou data.
E no Brasil, Moraes aceitou a prisão domiciliar de Bolsonaro. O ex-presidente sai da UTI para casa — o que, dependendo de quem você pergunta, é uma vitória da humanidade ou o início da campanha de 2026. Provavelmente os dois.
O Banco Central publicou a ata da reunião que cortou a Selic para 14,75% e entregou exatamente o que o mercado esperava — e temia. O documento confirma que a "magnitude e duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo". Traduzindo: o BC vai esperar para ver. Com guerra, petróleo acima de US$ 100 e inflação sendo revisada para cima toda semana, é difícil argumentar que estava errado.
O que chamou atenção dos economistas foi o que a ata não disse. Nenhuma sinalização sobre o ritmo dos próximos cortes. Nenhuma indicação sobre pausa. O Copom essencialmente disse que vai continuar dependente de dados — o que, no contexto atual, significa dependente do petróleo.
Analistas da SulAmérica e da BPMoney mantêm o cenário de corte de 0,25pp em abril, mas com ressalva: "se o cenário externo cooperar". A frase mais honesta da ata veio nas entrelinhas: o BC não sabe o que vai acontecer com a guerra, então você também não sabe o que vai acontecer com a Selic.

O ministro Alexandre de Moraes aceitou o pedido de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O ex-presidente, condenado a 27 anos por tentativa de golpe e internado desde 13 de março com pneumonia na UTI do DF Star, poderá cumprir pena em casa. A PGR havia emitido parecer favorável na véspera, após Michelle Bolsonaro se reunir com Moraes no STF.
Para o mercado, a notícia teve impacto limitado no pregão de hoje — o Ibovespa subiu 0,32% num dia em que Petrobras e Vale seguraram o índice enquanto os bancos caíam. A leitura dos analistas é que a domiciliar reduz ruído jurídico de curto prazo, mas acende o radar eleitoral: com Bolsonaro em casa e em recuperação, o PL já começa a calibrar 2026. Flávio Bolsonaro empata com Lula em segundo turno nas últimas pesquisas. A política brasileira voltou oficialmente ao cardápio do investidor estrangeiro.
Os fundos FGTS ligados à Petrobras acumulam alta de mais de 50% em 2026 — muito acima dos 11,88% do Ibovespa no período. Só em março, a valorização já passa de 20%. Para quem tem dinheiro do FGTS investido nesse fundo, a guerra no Oriente Médio foi o melhor investimento involuntário da vida. O petróleo subiu, a Petrobras subiu junto e o trabalhador brasileiro, sem fazer nada, ficou mais rico.
O problema é que o mesmo barril de petróleo que valoriza o FGTS Petrobras pressiona o diesel, o frete, o alimento e a inflação. O Brasil exporta petróleo, mas importa diesel refinado — e é exatamente o diesel que está pressionando os preços. É como torcer para a valorização da própria casa e ao mesmo tempo pagar aluguel mais caro por causa dela. O país joga dos dois lados, mas o gol contra dói mais no bolso do que o gol a favor rende na conta.
Fechamento 17h (25/03). Fonte: B3, Investing.com · 25/03/2026
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Exame
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