O IPCA-15 de março saiu em 0,44% — menos que fevereiro, mais que o esperado. O Banco Central disse que a guerra pode ter impacto "significativo e duradouro" no PIB. O Ibovespa fechou em queda de 1,45%, o Nasdaq perdeu 2,38% e o Brent voltou acima de US$ 101. O prazo de Trump vence amanhã.
A inflação desacelerou no papel. Na mesa do brasileiro, a conta foi diferente: açaí +30%, feijão +20%, ovo +7,5%. A coleta do IPCA-15 terminou em 17/03 — capturando menos da metade dos dias de guerra. O IPCA cheio de março, divulgado em abril, vai contar o que aconteceu depois.
O Irã diz que não negocia. O Paquistão diz que está mediando. Trump diz que o Irã está implorando por um acordo. Três países, três versões, zero confirmação — e o Brent acima de US$ 100 como árbitro silencioso de quem está certo.
O IPCA-15 de março veio em 0,44% — bem abaixo dos 0,84% de fevereiro, o que tecnicamente é uma desaceleração. O problema é que o período de coleta foi de 13 de fevereiro a 17 de março: a guerra começou em 28 de fevereiro, então os primeiros 16 dias do levantamento não capturaram nenhum efeito do Brent acima de US$ 100. O IPCA cheio de março, que será divulgado em abril, vai contar outra história.
Os vilões do mês foram os alimentos — alta de 0,88%, com a alimentação em casa subindo 1,10%. O açaí disparou 29,95%. O feijão-carioca, 19,69%. O ovo, 7,54%. O leite longa vida, 4,46%. O diesel subiu 3,77% — mas como a coleta foi feita antes dos piores efeitos da guerra, esse número também está defasado. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 ficou em 3,9% — dentro da meta. Por enquanto.

O Banco Central publicou hoje o Relatório de Política Monetária e entregou o que o mercado temia: a guerra no Oriente Médio pode ter impacto "significativo e duradouro" no PIB e na inflação brasileiros. O documento aponta que o choque externo eleva as expectativas de inflação, aumenta os prêmios de risco e inclina a curva de juros — tudo ao mesmo tempo, na direção errada.
O BC se alinha explicitamente ao que outros bancos centrais já estavam dizendo: esse não é um choque passageiro de petróleo. É um cenário de potencial estagflação — crescimento menor, inflação mais resistente, e o Copom preso entre o freio e o acelerador ao mesmo tempo. O BC não sinalizou pausa, mas deixou claro que o ciclo de cortes vai precisar de mais tempo e mais dados antes de acelerar.
O Ibovespa fechou ontem em alta de 1,6%, o Brent estava em US$ 98 e o mundo tinha acordado animado com o plano de paz de 15 pontos via Paquistão. Hoje cedo o ministro iraniano das Relações Exteriores lembrou que "não houve qualquer negociação", que o Irã "não tem intenção de negociar", e que Trump estava apenas "ganhando tempo para sua campanha militar". O Brent voltou a subir acima de US$ 101 de manhã. A bolsa abriu em queda.
Até o fechamento de ontem: Ibovespa −0,78%, S&P −0,69%, Nasdaq −1,03%, Dow −0,24%. O ouro caiu 2% — o que acontece quando o mercado temporariamente acredita que a guerra vai acabar e reduz a busca por proteção. O Bitcoin perdeu 1,92%. O dólar ficou estável em R$ 5,23, o que, dada a volatilidade da semana, é quase uma raridade.
Fechamento 17h (27/03). Fonte: B3, Investing.com · 27/03/2026
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IPCA-15 de março: +0,44%, com açaí a +30% e feijão a +20%
O índice geral desacelerou. Os alimentos não receberam o aviso.
Agência Brasil
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BC: guerra pode ter impacto "significativo e duradouro" no Brasil
O Relatório de Política Monetária colocou em preto e branco o que o mercado já temia.
Poder360
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Wall Street cai com retorno da incerteza sobre o Oriente Médio
A narrativa do acordo durou menos de 24 horas antes do Irã voltar a negar que existe negociação.
Infomoney
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Copom vê guerra como crise de potencial estagflacionário
Análise do Valor sobre o alinhamento do BC brasileiro com outros bancos centrais no diagnóstico da guerra.
Valor Econômico
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O BC disse que a guerra vai doer por muito tempo.
O Irã lembrou que não foi convidado para o acordo.
Amanhã é o prazo de Trump. O mercado está esperando. ☕
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