O mercado reabre hoje depois de quatro dias parado. Muita coisa aconteceu no feriado.
Na sexta, um caça F-15E americano foi abatido pelo Irã — dois pilotos ejetados em território inimigo, Irã oferecendo recompensa pela captura, e o mundo segurando a respiração para o próximo ato. No sábado, Trump deu ultimato de 48 horas ao Irã. No domingo, anunciou o resgate dos dois pilotos — operação que ele descreveu como "uma das mais ousadas da história militar americana". Ferido, mas vai ficar bem.
O mercado vai digerir tudo isso junto com o Payroll de março, que saiu na sexta com a B3 fechada, e com o Focus de hoje — IPCA 2026 em 4,31% no último boletim, subindo pela terceira vez consecutiva. Ah, e a eleição começou: prazo de desincompatibilização venceu no sábado.
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Na sexta-feira, um caça F-15E americano foi abatido pela defesa aérea iraniana no sudoeste do Irã — o primeiro incidente confirmado do tipo em mais de um mês de guerra. Os dois tripulantes ejetaram. Um foi resgatado ainda na sexta. O segundo — um coronel — desapareceu em território montanhoso iraniano, com forças iranianas próximas e o governo de Teerã oferecendo recompensa para quem o capturasse ou entregasse. Por horas, o mundo observou o que poderia ter se tornado o incidente mais explosivo do conflito: um prisioneiro de guerra americano em mãos iranianas teria mudado tudo.
No sábado, Trump emitiu ultimato de 48 horas ao Irã — reabre o Ormuz ou "o inferno cai sobre eles". Mais tarde, no domingo de madrugada, anunciou o resgate do segundo piloto. "Nós o resgatamos!", escreveu no Truth Social, chamando a operação de "uma das mais ousadas da história militar americana". Nenhuma baixa americana nas duas operações. Primeiro caso na memória militar de dois pilotos resgatados separadamente em território inimigo profundo.
O coronel está ferido, mas ficará bem. O ultimato de 48 horas vence hoje. O Irã ainda não respondeu. O mercado abre a semana com todos esses elementos na tela ao mesmo tempo.
Um relatório da Rio Bravo divulgado esta semana resume com honestidade incomum o estado do câmbio: se a guerra continuar, o dólar pode subir a R$ 5,25. Se caminhar para o fim, pode cair a R$ 4,90. O intervalo tem mais de 30 centavos — e depende inteiramente de uma variável que nenhum modelo econômico controla. Não é projeção. É um mapa de cenários disfarçado de previsão.
A teoria econômica tem um nome para esse comportamento do câmbio: random walk. A ideia, que remonta a Eugene Fama e Burton Malkiel, é que a taxa de câmbio incorpora toda informação disponível no momento — e portanto os movimentos futuros são essencialmente imprevisíveis. Não porque os economistas são incompetentes, mas porque qualquer padrão previsível seria imediatamente explorado pelo mercado e desapareceria. O relatório da Rio Bravo está dizendo, em outras palavras, que o dólar vai onde a guerra mandar — e a guerra vai onde Trump mandar. E Trump, como a semana mostrou, não tem padrão previsível.
Para complicar: no sábado venceu o prazo de desincompatibilização eleitoral. Ao menos nove governadores deixaram seus cargos, 17 ministros foram trocados em Brasília, e a janela partidária encerrou com mais de 70 deputados trocando de partido. Haddad caminha para disputar o governo de São Paulo. Marina Silva e Simone Tebet miram o Senado. A eleição de outubro começou — e com ela, mais uma camada de incerteza sobre política fiscal, gastos e o humor do mercado com o Brasil.
O último Boletim Focus, divulgado na segunda anterior ao feriado, mostrou o IPCA de 2026 em 4,31% — terceiro avanço consecutivo e o maior patamar desde o início da guerra. O teto da meta é 4,50%. A distância virou alerta: o mercado está precificando que o choque do petróleo vai aparecer na inflação de abril e maio com força. O Focus de hoje vai mostrar se essa trajetória continua subindo.
Do lado americano, o Payroll de março saiu na sexta com a B3 fechada. O ADP havia antecipado 62 mil vagas — fraco para o padrão histórico. O mercado abre segunda digerindo o número junto com o ultimato vencido de Trump. Se o emprego americano estiver cedendo, a narrativa de "a guerra já afeta a economia real" ganha força — e o Fed fica mais dovish, o que pode pressionar o dólar para baixo e aliviar o câmbio brasileiro.
O Copom se reúne em abril. Com Brent em US$ 109, IPCA subindo no Focus e eleição começando, o espaço para cortes agressivos encolheu. O mercado projeta Selic em 12,50% no fim de 2026 — bem menos do que os 9,75% que se esperava antes da guerra.

Último fechamento disponível: quinta-feira 02/04. Mercados fechados sexta (Páscoa). Referência para abertura de hoje. Fonte: B3, ICE, Investing.com
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