Daily Brew

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SÁBADO · 16 DE MAIO DE 2026

☕ Bom dia

Trump foi a Pequim. Xi prometeu muito. O Brent não foi convidado e subiu 8% assim mesmo.

A semana acabou com o Ibovespa 3,71% menor, o dólar 3,48% maior e o Estreito de Ormuz exatamente no mesmo lugar. Wall Street tentou segurar os ganhos da quinta e devolveu tudo na sexta. O Treasury de 10 anos fechou em 4,55% — o mais alto em um ano. Nenhum dos dois lados de Ormuz recebeu o memorando de Pequim. Sábado é dia de descansar. O barril não desligou. ☕

Geopolítica · Pequim sem chave

Trump · Xi · Irã · Ormuz · Brent · Araghchi · Paquistão · Mediação

Trump e Xi fecharam cúpula. O estreito não fechou negociação.

Donald Trump e Xi Jinping encerraram a cúpula em Pequim nesta sexta. O presidente americano saiu com promessas: Xi apoiaria restrições nucleares ao Irã, não enviaria armamentos ao país persa e defenderia a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump chamou de "grandes progressos". O Brent subiu 3,35% no mesmo pregão.

A ironia está nos detalhes. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na mesma sexta que a mediação conduzida pelo Paquistão seguia "em um caminho muito difícil". As promessas de Pequim viajam mais rápido do que as negociações em Teerã.

Na semana, o Brent acumulou alta de 7,87%, fechando a US$ 109,26. É o maior ganho semanal desde março, quando o bloqueio começou. O WTI subiu 5,89%. Nos postos americanos, a gasolina segue 52% mais cara do que antes da guerra.

🎓 O que a teoria diz

Problema do compromisso na teoria dos jogos: quando um país faz uma declaração de apoio sem mecanismo verificável de cumprimento, o mercado precifica com ceticismo — e acerta quase sempre. Xi pode dizer que quer Ormuz aberto; mas sem enforcement multilateral, a promessa tem o mesmo peso prático que um comunicado sem data. O Irã sabe disso. Araghchi sabe disso. O petróleo soube antes dos dois.

E daí?

Brent acima de US$ 110 ainda não é o cenário-base, mas está a menos de US$ 1 de distância. Se Ormuz não reabrir até junho, as projeções do Morgan Stanley (US$ 130–150) voltam à pauta — e com elas, mais pressão de IPCA, menos espaço para o Copom cortar. Para PETR4, vento a favor enquanto o impasse durar. O risco: um tweet de paz derruba o barril 5% no mesmo pregão.

EUA · Sexta de papel

S&P 500 · Nasdaq · Dow Jones · Tech · Treasuries · Fed · Intel · Nvidia · Cerebras

Wall Street guardou os ganhos da semana na gaveta.

O S&P 500 caiu 1,24% na sexta, fechando em 7.408 pontos. O Nasdaq recuou 1,54%, para 26.225. O Dow Jones perdeu 1,07%, encerrando abaixo dos 50 mil. O setor de tecnologia concentrou as perdas: Intel caiu 6%, AMD e Micron cederam mais de 5,7%, Nvidia perdeu 4,4%. A Cerebras Systems — que estreou na quinta com alta de 68% — devolveu 10% logo em seguida. Boas-vindas ao mercado.

O pano de fundo é o yield do Treasury de 10 anos, que fechou em 4,55% — o mais alto em um ano. Com a gasolina americana 52% mais cara e Ormuz ainda fechado, o mercado começa a precificar que o Fed tem menos motivo para cortar juros — e mais razão para esperar.

A cúpula Trump-Xi terminou sem alívio concreto no Oriente Médio. O mercado leu a ausência de resultado e vendeu risco. A ata do FOMC de abril sai na quarta-feira (20/05) — e o tom vai importar.

🎓 O que a teoria diz

Sensibilidade à duration: ações de crescimento — tech, biotech, plataformas — têm fluxos de caixa concentrados no futuro distante. Quando a taxa livre de risco sobe, o valor presente desses fluxos cai de forma desproporcional. É o mesmo mecanismo dos títulos longos: um bond de 30 anos cai mais do que um de 2 anos para cada ponto base de alta nos yields. No caso das ações de tecnologia, a "duration implícita" pode superar décadas — o que explica por que o Nasdaq sangra mais do que o Dow quando o Treasury estica.

E daí?

Treasury acima de 4,5% atrai capital que antes estava em risco — ações sobem menos, dólar se fortalece, emergentes perdem fluxo. A ata do FOMC de abril (quarta, 15h BRT) é o próximo gatilho: se revelar discussão sobre alta de juros, o mercado vai reagir antes que o Fed se pronuncie. Quem opera Nasdaq precisa monitorar o CPI americano de maio — previsto para meados de junho.

Brasil · Semana do real

Ibovespa · Real · Dólar · Focus · IPCA · Selic · Copom · BCB

−3,71% no Ibovespa. +3,48% no dólar. A semana mais pesada de maio.

O Ibovespa perdeu 3,71% na semana, fechando sexta em 177.283 pontos — queda de 0,61% só no último pregão. O dólar ganhou 3,48% em cinco dias e fechou a R$ 5,07, acima do patamar psicológico que o mercado esperava não rever tão cedo. Selic em 14,5% e o câmbio subiu assim mesmo: quando o problema é Ormuz, os juros domésticos resolvem pouco.

Na segunda, o Boletim Focus trouxe a nona alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026: agora em 4,91%, quase dois pontos acima do centro da meta. A projeção para a Selic em 2027 subiu de 11% para 11,25% — o mercado apostando em juros altos por mais tempo. É a nona semana seguida em que o consenso aponta para cima.

O próximo Copom é em junho — e chega com menos margem do que o de abril. Com Brent em US$ 109, câmbio acima de R$ 5 e expectativas de inflação ainda em alta, o espaço para cortar mais virou pergunta sem resposta óbvia.

🎓 O que a teoria diz

Inércia inflacionária e desancoragem de expectativas: quando as expectativas de inflação sobem por semanas consecutivas, o processo ganha autonomia. Agentes revisam preços, salários e contratos com base na inflação esperada — não apenas na realizada. Nove semanas seguidas de revisão para cima no Focus não é ruído: é um sinal de que o mercado deixou de acreditar que o IPCA vai convergir para a meta no horizonte relevante. Para o Copom, esse é o dado mais difícil de ignorar.

E daí?

Para NTN-B, o ambiente é de prêmio crescente — IPCA esperado mais alto significa retorno real mais atrativo, mas também mais incerteza sobre o patamar final. Para o câmbio, o driver agora é quase todo externo: uma resolução de Ormuz derruba o dólar mais rápido do que qualquer decisão do Copom. A ata da reunião de abril sai na semana que vem (quarta) — o tom vai revelar quanto o comitê já viu o que está acontecendo no câmbio.

📊 Gráfico da semana

Cinco dias que mudaram o barril

Petróleo Brent (US$/barril) · 8–15 de maio de 2026 · Fonte: Yahoo Finance / InfoMoney

O Brent acumulou alta de 7,87% de sexta a sexta (08–15/mai), fechando a US$ 109,43 — o maior ganho semanal desde o início do bloqueio de Ormuz em março. A cúpula Trump-Xi em Pequim não trouxe acordo concreto; o ministro iraniano classificou as negociações como "em um caminho muito difícil". O mercado preferiu o Brent ao otimismo diplomático.

📌 O número do dia

9

SEMANAS SEGUIDAS QUE O FOCUS SUBIU A PROJEÇÃO DO IPCA 2026

Nenhum banco de investimento mudou de ideia para baixo. O Focus é uma pesquisa de consenso — e o consenso errou para cima pela nona semana seguida. A meta é 3%. A projeção é 4,91%.

📊 MERCADOS — FECHAMENTO SEXTA 15/05

Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 177.283 pts ↓ −0,61% 175.417 / 178.340
Dólar (USD/BRL) R$ 5,0668 ↑ +1,62%
Petróleo Brent US$ 109,43 ↑ +3,51% ⭐ 106,00 / 110,00
Ouro (Comex) US$ 4.685,30 ↓ −2,64% ⭐
S&P 500 7.408,50 pts ↓ −1,24% 7.397,50 / 7.454,85
Dow Jones 49.526,17 pts ↓ −1,07% 49.503,57 / 49.930,26
Nasdaq 26.225,14 pts ↓ −1,54% 26.097,54 / 26.460,76
Bitcoin US$ 103.428 ↑ +1,14% ⭐ 101.980 / 104.210

Brent: +3,51% no dia, acumulando alta de 7,87% na semana. Cúpula Trump-Xi sem desfecho concreto em Ormuz manteve o prêmio de guerra embutido no barril.

Ouro: −2,64% na sessão, cedendo ao dólar forte e ao Treasury de 10 anos em 4,55%. Ativo de safe-haven saiu perdendo para o petróleo neste ciclo de tensão.

Bitcoin: acima de US$ 103 mil, descolado do ouro — o BTC tem seguido fluxo de apetite por risco, não de safe-haven, neste ciclo de guerra.

Fonte: Investing.com · ICE Futures Europe / MarketWatch (Brent) · Elaboração: Daily Brew · 15/05/2026

💬 A frase

"O processo de mediação conduzido pelo Paquistão segue em um caminho muito difícil."

Abbas Araghchi — Ministro das Relações Exteriores do Irã · 15 de maio de 2026

Trump chamou de "grandes progressos". O mercado leu o ministro iraniano. O barril ficou com os dois.

📅 O que vem aí

Seg 18/05

Boletim Focus + IBC-Br de março (BCB) — segunda dupla: expectativas do mercado para IPCA e Selic, mais a proxy mensal do PIB. Com Selic em 14,5% e câmbio acima de R$ 5, o IBC-Br vai mostrar quanto a atividade resistiu ao juro alto em março. Alto impacto

Ter 19/05

Vendas no Varejo — IBGE (março) — termômetro do consumo doméstico. Com desemprego subindo e juro alto, o dado vai sinalizar quanto o consumidor brasileiro ainda aguenta segurar a bolsa. Médio impacto

Qua 20/05

Ata do Copom (BCB) + Ata do FOMC de abril (Fed, 15h BRT) — dupla de peso. A ata do Copom vai revelar o tom do comitê após o corte de 0,25 ponto em abril. A ata do Fed vai mostrar se houve debate sobre alta de juros em resposta ao choque inflacionário de Ormuz. Alto impacto

Qui 21/05

Relatório Trimestral de Inflação (BCB) + PMI Flash — EUA, Zona do Euro e Alemanha — o RTI traz as projeções oficiais do Banco Central para IPCA. No mesmo dia, os PMIs flash dão a primeira leitura da atividade global em maio. Com petróleo em US$ 109, o mundo inteiro vai monitorar os dois ao mesmo tempo. Alto impacto

📚 Vale ler

Petróleo fecha em alta com entraves diplomáticos no Oriente Médio e cúpula Xi-Trump

A cúpula em Pequim terminou com promessas de Xi sobre Ormuz — e o Brent subiu mesmo assim. O barril encerrou a semana com a maior alta desde março, ignorando o otimismo diplomático com elegância.

Diário do Grande ABC · Energia · 15/05/2026

Focus: inflação sobe pela 9ª semana consecutiva e Selic vai a 11,25% em 2027

O IPCA projetado para 2026 chegou a 4,91% — quase dois pontos acima da meta. É a nona alta seguida. O mercado também elevou a Selic esperada para 2027: o consenso agora aposta em juros altos por mais tempo.

InfoMoney · Política Monetária · 11/05/2026

Stock Market Live May 15, 2026: S&P 500 deep in the red

O S&P caiu 1,24% na sexta. O Treasury de 10 anos chegou a 4,55% — o mais alto em um ano. A cobertura minuto a minuto da jornada que devolveu os ganhos da semana e deixou o mercado com perguntas sobre o Fed.

24/7 Wall St. · Mercados EUA · 15/05/2026

Agenda econômica da semana 18–24 de maio: FOMC, PMIs e dados de atividade

Um mapa completo do que vem aí: ata do FOMC de abril (quarta), PMI flash global (quinta) e dados de atividade da China, Japão e Reino Unido. Para quem precisa saber o que vai mover o mercado antes de segunda-feira.

LiteFinance · Agenda Global · 2026

☕ Bom sábado

Trump foi a Pequim.
Xi prometeu muito.
Ormuz continua fechado.
O Brent ganhou oito por cento na semana.
O Ibovespa perdeu quase quatro.
O dólar voltou acima de R$ 5.

Descansa.
Segunda vem o Focus — e a conta recomeça. ☕

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