
DOMINGO · 13 DE SETEMBRO DE 2026 · EDIÇÃO ESPECIAL
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
The Companies Behind AI’s Rise
You do not have to guess which AI model wins to invest in the AI boom.
Every large language model needs a massive amount of specialized technology to keep running, scaling, and improving.
That means advanced memory, data storage, high-speed networking, semiconductor manufacturing, power systems, and cooling infrastructure.
MarketBeat’s new The Infrastructure’s Backbone: 10 Stocks Powering the AI Buildout report reveals 10 publicly traded companies positioned across the AI infrastructure stack.
These are the companies helping supply the technology AI providers need to keep growing.
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☕ Sessão Papo Econômico
Coluna convidada: hoje quem escreve é o Papo Econômico, @opapoeconomico, que traduz economia e mercados com gráfico próprio e zero economês.
☕ Bom domingo
Todo mês de setembro de ano eleitoral alguém anuncia que, desta vez, a terceira via vai crescer. Em 2026, o nome da vez é Augusto Cury, que foi de 2% para 7% no Datafolha em duas semanas, no cenário com Pablo Marçal. Somados, os candidatos fora de Lula e Flávio Bolsonaro reúnem de 19% a 22% dos votos válidos nas pesquisas de setembro.
Na edição especial de 09/09, mostramos que o mercado já lê o empate entre os dois como boa notícia, e que o erro das pesquisas de 2022 foi quase todo no Bolsonaro. Hoje a pergunta é outra: para onde vai esse voto de fora nas próximas três semanas? A história das quatro últimas eleições, um estudo de Princeton e o mercado de apostas dão pistas.
Eleições · O terceiro excluído
Datafolha · TSE · 2010 a 2022 · Votos válidos · Voto útil
Em 2018 e em 2022, a terceira via perdeu mais da metade dos votos no último mês
Pegamos a pesquisa Datafolha feita 30 dias antes de cada 1º turno desde 2010 e comparamos com a urna. O grupo analisado é tudo o que ficou fora dos dois finalistas, a tal terceira via. Para pesquisa e urna falarem a mesma língua, convertemos tudo para votos válidos, que é como o TSE conta: sem brancos, nulos e indecisos.
Em 2022, esse grupo tinha 18,1% dos votos válidos na pesquisa de 30/08 a 01/09. Na urna, teve 8,37%. Encolheu 54% em um mês. Em 2018, a queda foi de 58,8% para 24,69%, ou 58%. Em 2014, de 42%.
Uma ressalva honesta: o Datafolha arredonda cada candidato para número inteiro, o que dá uma folga de até três pontos nessas taxas, e em 2018 a troca de candidato do PT em setembro engordou a migração.

Fonte: Datafolha (set/2010 a set/2022) e TSE (out/2010 a out/2022). Em 2010, só Marina Silva · Elaboração: Daily Brew
A exceção é 2010. Marina Silva tinha 11,3% dos válidos a um mês da eleição e terminou com 19,33%, alta de 71%. A diferença: naquele ano, a líder tinha 50% das intenções de voto um mês antes. Sem disputa apertada, ninguém tinha motivo para abandonar o próprio candidato.
Em gente, a conta de 2022 fica assim: foram 118,2 milhões de votos válidos. Na proporção de setembro, o grupo de fora somaria cerca de 21,4 milhões de eleitores; a urna entregou 9,9 milhões. Algo como 11,5 milhões de pessoas trocaram de voto em quatro semanas, quase a população inteira da cidade de São Paulo, que tinha 11,45 milhões de habitantes no Censo 2022.
E a queda não é igual para todo mundo. Ciro Gomes saiu de 9,6% para 3,04% em 2022 e perdeu dois terços do eleitorado. Simone Tebet, no mesmo mês, perdeu só 22%. Em 2018, o mesmo Ciro perdeu só 23%. O voto que vai embora é, sobretudo, o voto emprestado de um dos dois líderes.
E daí?
Quem diz que "a terceira via não cresce" está dizendo que esse voto nunca existiu. Os números contam outra história: o voto existe, e muda de endereço com data marcada. A diferença importa porque um movimento com origem, tamanho e calendário pode ser medido antes de acontecer. É esse fluxo que decide quem chega ao 2º turno com mais gordura, e é ele que o mercado está tentando antecipar.
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Ciência · O teste de Princeton
Princeton · USP · Prefeituras · 200 mil eleitores · Dois turnos · Duverger
Um economista formado na USP mediu o voto útil em milhares de eleições. O eleitor presidencial foi além
Em 2011, Thomas Fujiwara, economista formado na USP e hoje professor em Princeton, publicou um estudo que virou referência sobre voto útil. Ele aproveitou uma regra da Constituição: cidades com até 200 mil eleitores elegem o prefeito em turno único, e acima disso pode haver 2º turno. Uma cidade de 199 mil eleitores é muito parecida com uma de 201 mil. Se o voto delas é diferente, a diferença vem da regra, e não do perfil da cidade. É o que os economistas chamam de experimento natural.
Os dados cobrem as eleições municipais de 1996 a 2008, mais de 20 mil disputas. O resultado geral: com dois turnos, quem fica do 3º lugar para baixo ganha 8,8 pontos, sobre uma base de 15,5%. É uma alta de 56%.
O detalhe que interessa para 2026 está em outra tabela do estudo. Nas disputas apertadas, em que o vencedor fica abaixo de 50%, a terceira via tem 14,8% dos votos com turno único e cerca de 30,5% com dois turnos. Nas disputas folgadas, a diferença some. O voto útil só aparece quando a eleição está disputada.

Fonte: Fujiwara (Quarterly Journal of Political Science, 2011, Tabela 3) e TSE (out/2002 a out/2022). Projeção 2026: bloco atual com a queda de 2018 e 2022 · Elaboração: Daily Brew
Agora, o teste. Todas as eleições para presidente de 2002 a 2022 foram ao 2º turno, ou seja, foram apertadas. Se o eleitor presidencial se comportasse como o municipal, a terceira via teria perto de 30,5%. Teve, em média, 19,8%. Em 2006 e em 2022, ficou abaixo até dos 14,8% que teria numa prefeitura sem 2º turno.
O teste tem limites, e é melhor dizer antes. Prefeito não é presidente. O estudo mede o tamanho final do voto, não o movimento da campanha, e o período é anterior à polarização atual. A estimativa das disputas apertadas também é imprecisa: usa só 64 municípios perto do corte, e o intervalo vai de 0,8 a 30,6 pontos. Um ponto joga a favor da comparação: as prefeituras estudadas tinham cerca de 4 candidatos, contra 11 a 13 na eleição presidencial, o que deveria engordar a terceira via, e não encolher.
🎓 O que a teoria diz
Lei de Duverger. Nos anos 1950, o cientista político francês Maurice Duverger separou dois efeitos de uma regra eleitoral. O efeito mecânico é a própria regra punindo quem é pequeno: em turno único, quem não chega em primeiro sai de mãos vazias. O efeito psicológico é o eleitor antecipando essa punição e mudando o voto antes, para não desperdiçá-lo. Décadas depois, o americano Gary Cox mostrou que, num sistema de dois turnos, cabem no máximo três candidatos viáveis. Nessa leitura, o voto útil não é erro do eleitor. É uma escolha racional, feita com a informação que ele tem na mão: a pesquisa.
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Pesquisas · A última foto
Véspera · Urna · Datafolha · Ibope · 2014 · 2018 · 2022
A última pesquisa vê cada vez menos da queda da terceira via
Se o voto muda de endereço, dá para ver a mudança chegando pela pesquisa? Cada vez menos. Olhe os últimos 15 dias antes do 1º turno de 2022. Nesse período, a terceira via caiu 7,7 pontos, de 16,1% para 8,37% dos votos válidos. A pesquisa de véspera só registrou um terço dessa queda: ainda dava ao grupo algo entre 13% e 14%. Os outros dois terços só apareceram quando a urna foi aberta.
Em 2018, a pesquisa de véspera viu pouco mais da metade da queda. Em 2014, quase três quartos. A parte que a última pesquisa não pega vem crescendo a cada eleição.

Fonte: Datafolha (set e out de 2014, 2018 e 2022) e TSE. Votos válidos dos candidatos fora dos dois finalistas. Véspera pelo meio da faixa de arredondamento do instituto (2014: 27% a 30%; 2018: cerca de 35%; 2022: 13% a 14%). Em 2014, brancos, nulos e nanicos da rodada de 17 e 18/09 estimados pelas rodadas vizinhas · Elaboração: Daily Brew
Na edição de 09/09, mostramos o outro lado desse erro: em 2022, as pesquisas de véspera erraram o 1º turno quase todo no Bolsonaro, que teve mais voto do que elas previam. Em 2018 foi parecido: Datafolha e Ibope deram a ele de 5 a 6 pontos a menos do que a urna. Os dois movimentos se encaixam: o voto que some da terceira via na última hora aparece num dos líderes.
Com dados públicos, não dá para separar o eleitor que decide na fila da pesquisa que erra o retrato. E vários institutos mudaram de método desde 2022. Mas o recado prático é o mesmo nos dois casos: quem forma opinião pela última pesquisa pode chegar atrasado.
E daí?
Em 2026, o grupo fora de Lula e Flávio soma entre 18,8% e 22,0% dos votos válidos nas pesquisas de AtlasIntel, Quaest e Datafolha de setembro. Se repetir 2018 e 2022, termina entre 8% e 12% na urna. São de 7 a 14 pontos de voto escolhendo um lado em três semanas, numa disputa em que cinco das seis pesquisas nacionais de setembro dão empate técnico no 2º turno.
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Mercado · A aposta que virou
Polymarket · Cripto · US$ 147,9 milhões · Liquidez · Ibovespa · Dólar
No Polymarket, Flávio passou Lula na quinta. Mas o dinheiro na mesa é menor do que parece
O Polymarket é um site de apostas em cripto onde cada contrato paga US$ 1 se o evento acontecer. O preço vai de zero a um dólar e funciona como uma probabilidade: um contrato a US$ 0,53 diz que o mercado vê 53% de chance.
Em 31/07, o contrato de vitória de Lula valia 63,5%, e o de Flávio, 23,9%. As linhas se cruzaram na quinta (10/09), por volta das 10h. Na sexta à tarde, Flávio estava em 52,7% e Lula, em 44,5%, enquanto as pesquisas seguem mostrando empate técnico.

Fonte: Polymarket, preço diário do contrato de vitória na eleição, API pública (31/07 a 11/09/2026) · Elaboração: Daily Brew
O volume impressiona à primeira vista. O contrato de Flávio já movimentou US$ 10,3 milhões, e o de Lula, US$ 10,7 milhões, perto de R$ 53 milhões e R$ 54 milhões. Só que volume é a soma de todas as compras e vendas desde que o mercado abriu, em setembro de 2025: o mesmo dólar entra na conta toda vez que muda de mão. É como o movimento de caixa de uma feira, que diz quanto dinheiro passou pelas barracas, e não quanto ficou em cada uma.
Quanto cada contrato já movimentou
US$ 13,2 MI · Renan Santos, com 2,1% de chance
US$ 10,7 MI · Lula, com 44,5% de chance
US$ 10,3 MI · Flávio Bolsonaro, com 52,7% de chance
US$ 4,6 MI · Augusto Cury, com menos de 1% de chance
Volume acumulado desde a abertura do mercado, em 18/09/2025. Fonte: Polymarket, API pública, consulta em 11/09/2026
O dinheiro disponível para negociar agora é bem menor: US$ 168 mil no contrato de Flávio e US$ 182 mil no de Lula. Com tão pouco na mesa, algumas ordens grandes já mexem no preço. E o contrato com mais volume do evento inteiro é o de Renan Santos, que tem 2% de chance. Volume mede movimento, não convicção.
E daí?
O Polymarket é mais um termômetro, não um oráculo. A plataforma não existia em 2018, e não localizamos mercado da eleição brasileira de 2022 nela, então não há histórico para saber quanto ela acerta por aqui. Na bolsa, o movimento aponta na mesma direção: o Ibovespa subiu 5,8% entre 31/07 e 10/09, e os analistas citam o "trade eleitoral", a leitura de que uma troca de governo traria contas públicas mais apertadas a partir de 2027, ao lado do petróleo e do dinheiro estrangeiro. O dólar oficial, porém, ficou praticamente parado: saiu de R$ 5,08 para R$ 5,11.
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🗳️ O que vem
Três semanas para a urna mostrar o tamanho da compressão
Segunda · 14/09
Fim do prazo para trocar candidato.
Depois disso, só em caso de morte. Nenhum dos polos pode mais ser substituído.
Quarta · 16/09
Copom.
O Banco Central decide a Selic, hoje em 14% ao ano, com a eleição já no radar dos juros futuros.
27/09 e 01/10
Debates na Record e na Globo.
O de 01/10 cai no último dia do horário eleitoral gratuito.
Domingo · 04/10
1º turno.
No dia seguinte, a bolsa subiu 4,57% em 2018 e 5,54% em 2022. O eventual 2º turno é em 25/10.
Pela régua de 2018 e 2022, a terceira via termina entre 8% e 12% dos votos válidos. Pela de 2014, quando o encolhimento foi menor, fecharia entre 11% e 15%. As duas réguas deixam de valer se algum nome de fora passar um dos líderes no 1º turno. Aí a história deixa de ser a do terceiro excluído e passa a ser a de quem tomou o lugar de um polo.
☕ Fechando a conta
O voto da terceira via não some. Ele escolhe um lado nas últimas semanas
Juntando as quatro histórias, o desenho é este. Em 2018 e em 2022, mais da metade dos votos da terceira via mudou de endereço no último mês. O estudo de Princeton ajuda a entender por quê: o voto útil aparece quando a eleição está apertada, e o eleitor presidencial foi além do que a regra de dois turnos explicaria. A pesquisa de véspera enxerga uma parte cada vez menor desse movimento, e o mercado de apostas tenta chegar antes, com pouco dinheiro na mesa.
Em 2026, as condições para a compressão estão todas dadas: um 2º turno empatado, um bloco de 19% a 22% dos votos válidos fora dos dois líderes e três semanas até a urna. Se a história se repetir, algo entre 7 e 14 pontos desse bloco vai escolher um lado até 04/10. É esse movimento, e não a pesquisa de hoje, que vai dizer quem chega ao 2º turno com vantagem, e que preço o mercado passa a dar para 2027.
Na terceira via, o voto não desaparece. Ele só decide tarde.
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📚 Vale ler
O estudo de Princeton sobre voto útil
O artigo de Thomas Fujiwara, com a tabela das disputas apertadas usada no bloco 2.
Quarterly Journal of Political Science · 2011
As pesquisas de setembro, lado a lado
Quaest, Nexus/BTG, Meio/Ideia e AtlasIntel no 2º turno entre Lula e Flávio.
Gazeta do Povo · 11/09/2026
O mercado da eleição no Polymarket
Preço, volume e regras do contrato de vitória usado no bloco 4.
Polymarket · ao vivo
As regras para trocar de candidato
O que muda depois de 14/09, e a única exceção.
TSE · 07/2026
A véspera do 2º turno de 2022
Oito institutos lado a lado, com a vantagem de Lula variando de 0,8 a 8 pontos.
Poder360 · 10/2022
Conferência feita em 11/09
Urna: 2010, 2014 e 2018 batem em CNN Brasil e Gazeta do Povo; 2022, no Correio Braziliense. Os percentuais "fora dos finalistas" usam só 1º e 2º colocados.
Datafolha 2010, 2018, 2022 e 2026: números batem em duas fontes (Agência Brasil, Exame, Correio, CNN, Gazeta do Povo) ou fecham 100% na soma.
AtlasIntel e Quaest de setembro: duas fontes cada.
IBGE: São Paulo com 11.451.999 habitantes no Censo 2022.
Bolsa: +4,57% em 08/10/2018 (ADVFN) e +5,54% em 03/10/2022 (CNN Brasil). 2014 saiu do texto: não achamos fonte além de estimativa de analista.
Ressalva que ficou: no Datafolha de 17 e 18/09/2014, brancos, nulos e nanicos foram estimados pelas rodadas vizinhas. A legenda do gráfico 3 avisa.
Já vinham da fonte primária: Polymarket (API), PTAX e Selic (Banco Central), calendário e prazo de troca de candidato (TSE) e o paper de Princeton.
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