Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

SEXTA-FEIRA · 21 DE AGOSTO DE 2026

A Rhino é um app de corrida em que todo carro vem blindado. Você pede como pediria qualquer outro, e o que muda é o carro e quem dirige.

Quem dirige é motorista premium, o mesmo perfil que os principais executivos do mercado financeiro já usam. Funciona 24 horas e aceita agendamento. Com o cupom DAILYBREW são até R$ 200 de desconto.

Pegar meus R$ 200 na Rhino

Desconto de até R$ 200 na primeira corrida. Em trajetos de até 10 km a corrida sai por R$ 49. Acima de 10 km, o valor mínimo é R$ 149. O cupom já vai aplicado no link.

☕ Bom dia

Empresas. 9,1 milhões de CNPJs estão com contas em atraso, e as recuperações judiciais em andamento já somam 6.341, alta de 65,8% em três anos.
IA. A nova economista-chefe do FMI argumenta que os ganhos de produtividade da IA podem não segurar a inflação.
CEOs. O primeiro filho derruba em até 28% a chance de uma mulher virar CEO, mostra estudo; com os homens, a chance até sobe. ☕

Crédito · No vermelho

Serasa · Recuperação judicial · Selic · Banco Central · Casas Bahia · Agronegócio

9,1 milhões de empresas estão com contas em atraso

A manchete corporativa da semana foi a Casas Bahia, que pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas. Ela está longe de ser a única com contas para acertar: segundo a Serasa Experian, empresa de análise de crédito, o número de CNPJs com contas em atraso cresceu 17,2% em um ano, e 8,7 milhões deles, quase a totalidade, são micro e pequenas empresas. Antes de seguir, vale separar duas situações diferentes:

Duas situações, dois nomes

Empresa negativada (inadimplente)
Tem ao menos uma conta vencida e não paga: o fornecedor, o aluguel, a luz. É a situação comum e silenciosa. 9,1 milhões de CNPJs estavam nela em junho.

Empresa em recuperação judicial
Entrou com processo na Justiça para, protegida temporariamente das cobranças, renegociar todas as dívidas de uma vez e tentar não quebrar. É o estágio mais grave, e raro: 2.466 empresas entraram nesse caminho em 2025, recorde da série da Serasa.

Ou seja: para cada empresa que chega à Justiça, existem milhares que simplesmente pararam de pagar o boleto. E mesmo a recuperação judicial, o estágio mais grave, está cheia: somando os processos em andamento, 6.341 empresas estão nessa situação neste momento, alta de 65,8% em três anos, segundo o Obre, observatório que acompanha esses processos. Quem puxa a fila é o agronegócio, castigado também por commodities mais baratas, insumo caro e quebras de safra: os pedidos do setor cresceram 66% nos 12 meses encerrados em junho.

O que liga as duas pontas é o juro. A Selic, a taxa básica definida pelo Banco Central, saiu de 2% no início de 2021 para os atuais 14% ao ano, e o gráfico abaixo mostra o que essa escalada fez com quem deve: quando ela subiu, o calote foi atrás.

Em cima, a Selic: do vale de 2% em 2021 ao topo de 15% em 2025, com os cortes recentes até os 14% atuais. Embaixo, a parcela do crédito bancário com atraso acima de 90 dias, nas famílias (laranja) e nas empresas (azul). Uma ressalva de leitura: desde o início de 2025, uma mudança nas regras contábeis do crédito (Resolução 4.966) alterou o registro de atrasos e baixas e elevou o nível medido de inadimplência; segundo o próprio Banco Central, parte relevante da alta de 2025 vem desse efeito, e a comparação com os anos anteriores exige cautela. Fonte: Banco Central.

Para as empresas, o juro alto entra por duas portas. A primeira é direta: boa parte da dívida empresarial no Brasil é pós-fixada, atrelada ao CDI, uma taxa que anda colada na Selic. Quando o Banco Central sobe o juro, a dívida que a empresa já tinha fica mais cara sozinha, sem ninguém assinar contrato novo. Não à toa, consultores de reestruturação e casas de análise repetem o mesmo diagnóstico: nesse patamar de juros, o caixa corrói, a rolagem das dívidas trava, e até negócios operacionalmente saudáveis vão à Justiça pedir recuperação judicial, sufocados pelo custo do dinheiro. A expectativa corrente é de novos recordes de inadimplência corporativa e de recuperações judiciais neste ano.

A segunda porta é a do cliente. As famílias estão devendo, e devendo caro: o juro médio dos empréstimos comuns às famílias (o chamado crédito livre) chegou a 64% ao ano, e o calote das famílias está nas máximas da série do Banco Central. Mesmo com o desemprego perto da mínima histórica (5,4% no segundo trimestre, segundo o IBGE), o dinheiro do mês acaba antes das contas, e a disposição para comprar diminui: a intenção de consumo medida pela CNC (a confederação do comércio) caiu 0,6% em agosto.

É assim que o aperto de um vira o aperto do outro: a venda que não acontece derruba a receita da empresa, e a receita que falta reaparece como boleto atrasado no fornecedor, engordando a fila dos negativados.

🎓 O que a teoria diz

Acelerador financeiro (Bernanke & Gertler). O aperto financeiro não só acompanha a desaceleração: ele a amplifica. Juro mais alto piora o balanço das empresas; com balanço pior, o crédito fica mais caro e mais raro; sem crédito, a empresa corta compra, estoque e investimento, derrubando a receita do vizinho e piorando o balanço dele. Cada volta aperta a seguinte. É o que explica um país bater recorde de empresas negativadas com o desemprego perto da mínima: o motor do sufoco não é a falta de trabalho, é o custo do dinheiro.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Internacional · Milagre em revisão

FMI · Tenreyro · Banco da Inglaterra · Fed · Warsh · Produtividade · IA

A economista-chefe do FMI duvida que a IA segure a inflação

Existe uma aposta confortável circulando pelos mercados: a inteligência artificial vai aumentar tanto a produtividade que a inflação global cede sozinha, e os bancos centrais poderão manter os juros baixos sem susto.

Silvana Tenreyro, a nova economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), acaba de complicar essa conta. Em texto publicado nesta semana no Bank Underground, o blog dos economistas do Banco da Inglaterra, ao lado de Jenny Chan (do próprio banco) e Ludovica Ambrosino (London Business School), ela mostra que produtividade mais alta pode tanto derrubar quanto subir a inflação. Depende de três coisas: quando o ganho chega, se ele veio para ficar e em qual setor ele cai.

A intuição diz que produzir mais com os mesmos insumos barateia as coisas. Mas essa conta só fecha se a demanda ficar parada, e ela não fica: quando famílias e empresas esperam renda e lucros maiores lá na frente, elas gastam e investem hoje, antes de o ganho existir. É o que já acontece com a IA, notam as autoras: o investimento em data centers e infraestrutura vem crescendo antes de os ganhos de produtividade aparecerem. Se a demanda cresce mais rápido do que a oferta, o resultado é preço para cima, e o banco central tem que subir o juro, não cortá-lo.

O placar do estudo

Quando a produtividade derruba preços
Ganho rápido e passageiro nos serviços do dia a dia (o corte de cabelo, o restaurante): a oferta cresce na frente e os preços cedem.

Quando ela sobe preços
Ganho lento e duradouro, que todo mundo já precifica: o gasto antecipa o futuro e a demanda cresce antes de a oferta conseguir acompanhar. Ou ganho concentrado nas empresas exportadoras: o preço do que elas vendem é definido no mercado internacional e não cai aqui dentro; o que sobe são os salários do setor, e com eles o preço dos serviços locais, que não ficaram mais produtivos.

Não é teoria de quadro-negro. No boom da internet dos anos 1990, Alan Greenspan, então presidente do Fed (o banco central dos EUA), dizia que a produtividade estava segurando a inflação, e avisava, no mesmo discurso, que a demanda e os salários acabariam crescendo mais rápido do que a produtividade. Foi o que aconteceu: o Fed teve que subir os juros, e a festa terminou na recessão de 2001.

Nos EUA, esse debate já saiu do papel. Kevin Warsh, o atual presidente do Fed, vem dizendo esperar que a IA permita à economia crescer mais rápido sem gerar inflação. Mas a ata da última reunião do comitê, divulgada na quarta, mostra que a dúvida circula dentro de casa: o boom de investimento em IA apareceu listado entre os riscos de inflação, com menção à pressão sobre semicondutores, equipamentos e eletricidade. É exatamente o mecanismo que as autoras descrevem: a demanda da IA chegando antes da produtividade dela.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Trabalho · Teto de vidro

NBER · Costa Rica · CEOs · Maternidade · Casamento · Carreira

O primeiro filho tira mulheres da rota de CEO. Com os homens, nada acontece

Um estudo novo do NBER (o escritório nacional de pesquisa econômica dos EUA), divulgado nesta semana, cruzou os registros de todas as empresas formais da Costa Rica com o registro civil do país inteiro para responder a uma pergunta incômoda: em que momento as mulheres saem da disputa pelo cargo mais alto das empresas? A resposta tem data: o nascimento do primeiro filho.

O que os dados mostram

  Mulheres Homens
Chance de virar CEO após o 1º filho Cai 23% em 3 anos e 28% em 10, sem recuperar Não cai; nas grandes empresas, sobe ~1/3
Chance de virar CEO após casar Quase não muda Aumenta
CEOs com filhos 48% 61%
CEOs casados(as) 38% 63%

Nas grandes empresas do país, 80% dos CEOs são homens. Fonte: NBER (dados administrativos da Costa Rica) · Elaboração: Daily Brew

O gargalo, portanto, não é "família" em abstrato. É quem carrega a família na prática. Depois do primeiro filho, caem o emprego formal, a renda e a fatia da renda da casa bancada pela mãe, enquanto a do pai sobe. E os autores mostram que é justamente quem banca a maior fatia da renda da casa que tem mais chance de chegar a CEO.

🎓 O que a teoria diz

Penalidade da maternidade. A literatura econômica chama de child penalty a diferença de renda e carreira que se abre entre mães e pais depois do primeiro filho, mesmo entre casais parecidos em tudo antes do nascimento. O achado novo é mostrar que a penalidade não fica na média salarial: ela sobe até o último andar do organograma e ajuda a explicar por que há tão poucas mulheres CEOs.

E daí?

Se o funil aperta no primeiro filho, programas de liderança feminina que só atuam na porta do cargo chegam tarde. A literatura que o estudo evoca (Claudia Goldin, Nobel de 2023) aponta o que de fato move o placar: repensar a estrutura dos postos de topo, hoje desenhados para quem tem disponibilidade total, e a divisão do trabalho dentro de casa. Para empresas que dizem querer mais mulheres CEOs, o problema começa anos antes da nomeação.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Que nota você dá pra edição de hoje?

Login or Subscribe to participate

📈 Mercados — Fechamento Quinta 20/08

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 167.927 pts ↑ +0,06%
Dólar (spot) R$ 5,19 ↑ +0,32%
Petróleo Brent US$ 93,78 ↑ +2,36%
Ouro US$ 4.577 ↑ +1,95%
S&P 500 7.641 pts ↓ −0,86%
Dow Jones 52.765 pts ↓ −1,31%
Nasdaq 26.067 pts ↓ −1,00%
Bitcoin US$ 72.768 ↑ +5,06%

Fontes: B3, InfoMoney e Yahoo Finance · fechamento de 20/08 (Brent, ouro e bitcoin em cotação de fim de dia; valores podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew.

📅 O que vem aí

Hoje · 21/08

Atividade global. Saem as prévias de agosto dos PMIs, as sondagens que medem o ritmo da indústria e dos serviços nos EUA e na Europa. É o primeiro termômetro do mês para saber se a economia lá fora está esfriando.

Quinta · 27/08

Emprego. O IBGE divulga a taxa de desemprego do trimestre encerrado em julho. O dado vai mostrar se o mercado de trabalho segue perto das mínimas enquanto o calote sobe, o tema do bloco de abertura de hoje.

📚 Vale ler

Como e por que o Brasil vive uma onda de recuperações judiciais

Os números do Obre citados no bloco de abertura, com o raio-x do agronegócio e do varejo na fila da Justiça.

FolhaMercado

Recuperações judiciais atingem 2,5 mil empresas em 2025, o maior nível da série

O release original do recorde citado no bloco de abertura, com a divisão por setor e por porte de empresa.

Serasa Experian

Does higher productivity create inflationary or disinflationary pressure?

O texto íntegro de Tenreyro, Chan e Ambrosino sobre IA, produtividade e inflação, com os gráficos dos três cenários (em inglês).

Bank Underground · Banco da Inglaterra

Do Children Derail Women from the CEO Track?

O paper íntegro do terceiro bloco, com a metodologia e as tabelas completas (em inglês).

NBER

☕ Daily Brew

O melhor investimento de hoje: mandar esse link.

Seu placar agora {{rp_personalized_text}}
Indicar pelo WhatsApp
05
Resumo de 5 livros
10
Caneca exclusiva
20
Livro grátis
50
Zoom com o Leo

Grátis, sem prazo — cada indicação conta pra sempre.

Ver minhas recompensas