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QUINTA-FEIRA · 10 DE SETEMBRO DE 2026
☕ Bom dia
Bets. Estudo do Insper e da Stone mostra que quem começa a apostar fica cerca de 20% mais inadimplente, e os bancos cortam o limite de quem aposta em 16%.
PISA. No exame internacional que compara alunos de 15 anos do mundo inteiro, os brasileiros nunca estiveram tão perto da média dos países ricos, em parte porque a média deles caiu.
Gasolina. O petróleo furou os US$ 100 e o governo respondeu com corte de imposto de R$ 0,63 por litro na gasolina, etanol zerado e diesel subsidiado: R$ 7 bilhões por mês. ☕

Bolso · A fatura do tigrinho
Bets · Insper · Stone · Banco Central · Pix · Cartão · Crédito
Um ano depois da primeira aposta: mais calote, menos limite e menos sobra na conta
Um novo estudo mediu o que as bets fazem com a vida financeira de quem aposta. Ele é assinado pelo economista Sergio Firpo, do Insper, e por três pesquisadores da Stone, a empresa das maquininhas de cartão. O ponto de partida foi o extrato de milhões de clientes da própria Stone. O extrato mostra o mês exato em que cada pessoa fez o primeiro Pix para uma bet, licenciada ou não. Esses dados foram cruzados com o registro de crédito do BC (Banco Central), onde os bancos informam as dívidas e os limites de cada cliente. Os dados de crédito do BC mostram o que aconteceu com essas pessoas depois da primeira aposta.
A comparação é simples. De um lado, quem começou a apostar a partir de janeiro de 2025. Do outro, gente de perfil parecido que nunca apostou. O estudo acompanha os dois grupos antes e depois. Nos 12 meses seguintes à primeira aposta:
O que muda depois da primeira aposta
↑ SOBE 19,7% · a probabilidade de estar inadimplente
↑ SOBE 38,7% · a fatura do cartão em atraso
↓ CAI 16% · o limite de crédito oferecido pelos bancos
↓ CAI 43% · a sobra mensal que fica na conta
Barras indicam o tamanho da variação, sobre o nível pré-aposta de cada grupo, ante quem nunca apostou. Fonte: Carvalho, Firpo, Freitas e Scatimburgo, "Online Betting and Financial Distress: Evidence from Brazil" (Insper/Stone, agosto de 2026).
A parte mais honesta do estudo é admitir que a estrada tem mão dupla. A aposta piora as contas, mas as contas ruins também levam à aposta. Quem entra no vermelho fica 2,6 pontos percentuais mais propenso a começar a apostar. Ou seja: parte do estrago já vinha de antes. Os autores descontam esse efeito, e mesmo assim sobra muita coisa. O impacto das apostas "limpo" fica em cerca de 14% na inadimplência e 35% no atraso do cartão. O estudo também desenha o retrato de quem aposta:
O mercado real, segundo o estudo
9 em cada 10 apostadores sacam menos do que depositam. O dinheiro que vai, em regra, não volta.
Cassino, não esporte. O grosso das transferências vai para jogos como o tigrinho, não para aposta esportiva.
Os mais jovens comprometem a maior fatia do orçamento. A inadimplência também sobe mais entre eles.
Corte desigual. Quem já tinha pouco crédito perde 2,6 vezes mais limite do que os outros apostadores.
E não é um problema de nicho. Cerca de 25 milhões de brasileiros apostaram em plataformas licenciadas em 2025, segundo o estudo. Nessas plataformas, eles deixaram R$ 37 bilhões. É o total apostado menos o que voltou em prêmios, na conta da Secretaria de Prêmios e Apostas. Somando o mercado clandestino, a perda das famílias chega a R$ 62,5 bilhões.
No meio disso tudo, fica um recado prático. O corte de 16% no limite é decisão do banco, não do apostador. E os autores mostram que ele não é só reação aos calotes: o corte é maior para quem tinha pouco crédito e é igual em todas as idades, enquanto a inadimplência sobe mais entre os jovens. A leitura do paper é que o hábito de apostar vira informação nova na avaliação de risco do cliente, por um caminho que os autores admitem não observar diretamente. Em resumo: apostar deixa rastro no sistema financeiro, e o rastro custa crédito. Mais para quem tem menos.
🎓 O que a teoria diz
A literatura econômica do jogo separa duas motivações: o jogo por entretenimento e o jogo por desespero. No segundo, a aposta é a loteria de quem não tem poupança nem crédito barato. É a única forma que sobra de tentar transformar R$ 50 no valor que quita uma dívida (quase nunca transforma). A evidência clássica vem dos EUA: a venda de loteria sobe junto com a pobreza. Um experimento mais recente achou o contrário disso: quando as pessoas ganham acesso a uma poupança que alivia o aperto, a procura por apostas cai. Por isso a causalidade aparece nos dois sentidos. A aposta empobrece, e o empobrecimento convida a apostar.
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Educação · A régua do mundo
PISA · OCDE · Leitura · Matemática · Ciências · Capital humano
O Brasil ficou mais perto dos países ricos no PISA, em parte porque eles pioraram
Saiu na terça o PISA 2025. O PISA é o exame da OCDE, o clube dos países ricos, que compara alunos de 15 anos do mundo inteiro. Esta edição avaliou 760 mil estudantes em 91 países e regiões. No Brasil, foram 30.140 alunos. A nota brasileira: 408 em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Leitura e matemática ficaram no mesmo lugar desde a edição de 2022. Ciências subiu 6 pontos.
A manchete simpática está na comparação longa. A distância entre o Brasil e a média da OCDE é a menor da série, que começa em 2006. E encolheu nas três áreas:
A distância que encolheu
Pontos que separam o Brasil da média da OCDE no PISA
■ 2006 ■ 2025
Matemática
| 131 |
| 92 |
Ciências
| 113 |
| 77 |
Leitura
| 102 |
| 58 |
Fonte: OCDE, PISA 2025, divulgado em 08/09/2026. Elaboração: Daily Brew.
O asterisco: essa aproximação tem dois motores, e um deles é o errado. Parte da distância sumiu porque a média dos países ricos caiu. Desde 2022, as notas do Brasil em leitura e matemática não saíram do lugar. Mesmo assim, o país "encostou". Hoje a média da OCDE é 466 em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências, bem abaixo do patamar de duas décadas atrás. O avanço brasileiro na série longa existe, e ciências acaba de dar um passo real. Mas convergir porque o outro anda para trás é uma vitória que não aparece no salário de ninguém.
A edição de 2025 estreou uma prova nova, de resolução de problemas no computador. Nela a distância é a maior de todas: 406 pontos do Brasil contra uma média de 500 da OCDE. Outro retrato curioso é o do celular: 81% dos alunos brasileiros estudam em escolas que restringem o uso, contra 49% na média da OCDE.
E daí?
Por que uma prova de escola aparece numa newsletter de economia? Porque educação vira capital humano. Gente que aprende mais produz mais. E produtividade mais alta é o que sustenta renda mais alta no longo prazo. Enquanto a matemática do aluno de 15 anos ficar parada em 377 pontos, o salário do trabalhador de 30 também terá dificuldade de sair do lugar.
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Brasil · A conta da bomba
Gasolina · Diesel · Etanol · Brent · PIS/Cofins · Ormuz · Arcabouço
O petróleo passou dos US$ 100, e segurar a bomba agora custa R$ 7 bilhões por mês
Recapitulando: desde maio, o governo banca um desconto de R$ 0,44 no litro da gasolina para segurar o preço na bomba durante a guerra no Oriente Médio. Na terça, a Daily Brew contou que esse desconto vencia no dia seguinte, sem substituto assinado. O substituto saiu na quarta, em dose dupla e maior.
A primeira dose usa a lei sancionada no fim de agosto, que permite trocar o pagamento direto por corte de imposto. Um decreto corta o PIS/Cofins (os tributos federais) da gasolina em R$ 0,63 por litro, desconto R$ 0,19 maior que o antigo. O mesmo decreto zera o imposto federal do etanol. A segunda dose vai para o diesel: uma MP (medida provisória) garante subvenção de R$ 1,00 por litro, paga direto a produtores e importadores. Para bancar os repasses, o governo já tinha aberto, no Diário Oficial da mesma quarta, um crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões.
O pacote na bomba, por litro
Desconto garantido pelo governo a partir de 10/09
Diesel · R$ 1,00 (subvenção direta)
Gasolina · R$ 0,63 (corte de imposto)
Etanol · R$ 0,19 (imposto federal zerado)
💰 Custo estimado pelo governo: R$ 5 bi por mês no diesel + R$ 2 bi na gasolina e no etanol.
Fonte: decreto e MPs de 09/09 (Presidência/Fazenda), via Metrópoles, Exame e CNN. Elaboração: Daily Brew.
O diesel leva a maior fatia por um motivo simples. Diesel move caminhão, e caminhão move o preço de quase tudo, do frete ao feijão. E é nele que a conta está mais defasada: pelos números que mostramos na terça, importar diesel custa R$ 2,52 por litro acima do preço da refinaria. Na gasolina, a diferença é de R$ 0,86.
A pressão que forçou a dose maior veio do mar. Na quarta, o Petróleo Brent (a referência global de preço) voltou aos três dígitos: fechou a US$ 101,21 o barril, alta de 3,4% no dia, no maior nível desde o fim de julho. O gatilho veio da guerra. Na terça, forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos, em resposta a mísseis disparados contra um navio de guerra dos EUA. Tudo perto do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O Goldman Sachs já fala em US$ 120 se os ataques a navios continuarem. Um mês atrás, o barril custava US$ 87. "Não permitir que o preço da guerra do Irã venha para o bolso do brasileiro", resumiu Lula ao assinar as medidas.
Falta a parte mais importante: como esse gasto entra nas contas públicas. A resposta é que ele quase não entra. O corte de imposto da gasolina e do etanol é perda de arrecadação, compensada, diz o governo, pela receita extra que o próprio petróleo caro gera. Já o dinheiro do diesel sai de crédito extraordinário, a modalidade reservada a despesas urgentes que fica fora do arcabouço fiscal (a regra que limita o gasto público) e da meta fiscal do ano. É a terceira MP de crédito da série: a primeira criou o desconto, em maio; a segunda liberou R$ 3,3 bilhões, em julho; esta libera R$ 6,6 bilhões. Tudo a três semanas do primeiro turno das eleições no Brasil.
E daí?
No posto, o efeito imediato pode até ser de queda: o desconto da gasolina ficou R$ 0,19 maior, e o etanol perdeu todo o imposto federal. Mas repare no calendário. O corte vale de 10 de setembro a 5 de outubro, e o primeiro turno é em 4 de outubro. Passada a eleição, a conta de R$ 7 bilhões por mês volta à mesa. E ela não sumiu em momento algum: só trocou de endereço, da bomba para as contas públicas, cuja dívida o raio-x fiscal de segunda mostrou crescer mais rápido que a economia.
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📊 Mercados — Fechamento Quarta 09/09
Bolsas caíram no Brasil e nos EUA com o petróleo de volta aos três dígitos e a cautela antes da inflação americana de sexta; o ouro subiu junto com o barril. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central. Brent: settlement do contrato de novembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, Banco Central, ICE e AP · fechamento de 09/09 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew. |
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📅 O que vem aí
Hoje · 9h
Serviços de julho. O IBGE mostra como começou o semestre o setor que mais emprega no país, depois de um junho parado.
Sexta · 9h
IPCA de agosto. A última leitura da inflação oficial antes da reunião do Copom na semana que vem; a expectativa é de um número perto de zero.
Sexta · 9h30
Inflação dos EUA. Meia hora depois da nossa sai a americana, o último número grande antes da decisão do Fed, o banco central dos EUA.
Dias 15 e 16
Copom e Fed. Brasil e Estados Unidos decidem os juros nos mesmos dois dias. A Selic, a taxa básica daqui, está em 14% ao ano desde 6 de agosto.
📚 Vale ler
A reportagem que revelou o estudo das bets
A matéria original sobre a pesquisa do bloco 1, com as falas de Sergio Firpo sobre o que fazer com os resultados.
Folha de S.Paulo · 07/09/2026
O PISA 2025, área por área
Os números completos do bloco 2, incluindo a recuperação pós-pandemia e o dado sobre celular nas escolas.
Agência Brasil · 08/09/2026
A MP dos R$ 6,6 bilhões, em detalhes
Os números oficiais do crédito extraordinário do bloco 3, combustível por combustível, e o tratamento fiscal da despesa.
Metrópoles · 09/09/2026
O petróleo a US$ 100 e o seu bolso
O guia prático do barril caro: por que subiu e por onde a alta chega ao consumidor brasileiro.
Exame · 09/09/2026
O dia em que o barril voltou aos três dígitos
A cronologia da escalada entre EUA e Irã no estreito de Ormuz que devolveu o Petróleo Brent aos US$ 100.
Poder360 · 09/09/2026


