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Nobody actually knows how AI gets used.

AI tool sprawl happened fast, and visibility never caught up. Employees paste contracts into ChatGPT, run code through Copilot, and build workflows in apps security never approved.

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No need to guess what 'AI adoption' means inside your company.

Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUARTA-FEIRA · 19 DE AGOSTO DE 2026

☕ Bom dia

Bolso. "Sobra mês no fim do salário" é realidade para 53% dos trabalhadores brasileiros, aponta levantamento da Serasa.
Clima. A agência climática dos EUA vê 95% de chance de um El Niño muito forte, e as projeções já falam em alta de até 15,8% nos preços agrícolas globais.
Apostas. Estudo com 230 mil famílias americanas mostra: cada dólar que entra na bet é quase um dólar que deixa de ser investido. ☕

Bolso · Fim do mês

Serasa · Salário · Alimentação · Contas da casa · CLT · PJ

O salário de 53% dos trabalhadores acaba antes do mês

A Serasa Experian, empresa de análise de crédito, divulgou ontem um levantamento que resume o ano em um número: 53% dos trabalhadores brasileiros não conseguem fechar o mês com dinheiro para pagar todas as contas.

E o número quase não se mexe: em 2025, eram 54%. Ou seja, não é um susto passageiro, é o estado permanente das coisas. O desemprego caiu, a renda média subiu, e a metade do país continua exatamente onde estava: devendo o mês para si mesma.

A pergunta seguinte é onde esse salário se perde. E o vilão tem nome e mesa: a alimentação pressiona o orçamento de 78% dos entrevistados, mais do que as contas da casa (luz, água e gás, com 72%) e bem mais do que financiamentos de imóvel ou carro (44%).

O que mais aperta o orçamento

% de trabalhadores que citam cada despesa como fator de pressão nas contas do mês

Alimentação · 78%
   
Contas da casa (luz, água, gás) · 72%
   
Financiamentos (imóvel ou carro) · 44%
   
Roupas e itens de consumo · 43%
   
Empréstimos · 33%
   
Estudos · 22%
   

Fonte: Serasa Experian (jun/2026) · Elaboração: Daily Brew

Quando a conta não fecha, o que sobra é dívida. Não por acaso, 82% das famílias brasileiras carregavam alguma dívida em julho, com quase um terço da renda já comprometido com prestações.

O aperto não fica na planilha. Entre quem passou por dificuldade financeira nos últimos cinco anos, 51% relatam estresse no trabalho, 46% exaustão extrema e 33% queda de produtividade. O ciclo é conhecido: falta dinheiro, dorme-se mal, rende-se menos. E o salário que já não dava segue não dando.

A pesquisa ouviu 1.008 profissionais em junho, entre empregados com carteira assinada (CLT) e prestadores de serviço (PJ), de empresas públicas e privadas.

O que a teoria diz

Famílias "mão na boca". É como os economistas chamam quem consome toda a renda do período, sem sobra (no jargão em inglês, hand-to-mouth). O grupo não é só de renda baixa: inclui gente de renda média, às vezes com casa e carro, mas sem reserva líquida. Para essas famílias, qualquer imprevisto vira dívida cara, e a inflação de alimentos dói mais do que o IPCA (índice oficial de inflação) sugere, porque morde justamente a parte do orçamento que não tem de onde ceder.

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Clima · El Niño monstro

NOAA · ONU · FAO · Trigo · Milho · Café · Inflação de alimentos

Um El Niño "monstro" está se formando, e vai aumentar a conta do supermercado

El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. Quando ele vem forte, bagunça chuva e temperatura no planeta inteiro. E o que está se formando agora não é um El Niño qualquer: a NOAA (agência climática dos EUA) já estima em 95% a probabilidade de um evento muito forte, com pico entre setembro e dezembro. A ONU fala no mais intenso em mais de 70 anos.

O precedente não anima. Um estudo publicado na revista Science em 2023 estimou que o El Niño de 1997-98, um dos mais fortes já registrados, custou US$ 5,7 trilhões à economia mundial nos anos seguintes; o de 1982-83, US$ 4,1 trilhões. No acumulado deste século, os mesmos autores projetam US$ 84 trilhões em perdas.

O mercado começou a fazer as contas. Na terça, a StoneX, consultoria global de commodities, apontou o fenômeno como o principal fator de risco para a agricultura mundial no trimestre: chuva irregular e calor acima da média nas regiões produtoras tendem a encarecer trigo, milho, arroz e café.

A conta do El Niño nos preços

Variação dos preços agrícolas: o que já subiu com o risco climático e o que as projeções indicam

Café arábica (futuros, desde junho) · +35%
   
Café robusta (futuros, desde junho) · +20%
   
Commodities agrícolas globais (projeção até 2028) · +15,8%
   
Arroz, açúcar, café e óleo de palma (choque potencial) · +50% a +100%
   
 
alta já acumulada
 
projeção para o El Niño forte

As projeções são do Goldman Sachs (jul/2026): alta de 15,8% na cesta agrícola global até o fim de 2028 e choques de 50% a 100% nas culturas mais expostas ao clima, caso o El Niño confirme a força prevista.

Fontes: StoneX (futuros do café, ago/2026) e Goldman Sachs (projeções, jul/2026) · Elaboração: Daily Brew

A ONU já fez a conta social. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) projeta que esse El Niño pode empurrar mais 49 milhões de pessoas para a insegurança alimentar aguda até o fim de 2027, com o total subindo de 225 milhões para 274 milhões nos 45 países acompanhados, alta de 22%. A FAO, agência da ONU para agricultura e alimentação, prevê comida mais cara já nos próximos meses e resume o momento como uma tempestade perfeita: guerra, energia cara e clima, tudo ao mesmo tempo.

Por aqui, o roteiro dos El Niños fortes é conhecido, como se viu em 2023 e 2024:

  • Seca no Norte e no Nordeste, com reservatórios e rios mais baixos;
  • Chuva demais no Sul, atrapalhando colheita e escoamento;
  • Comida mais cara: o Santander estima que o fenômeno, sozinho, pode adicionar de 1 a 3,4 pontos percentuais à inflação de alimentos.

Quando o IPCA de julho veio em 0,07%, avisamos que a trégua vinda dos alimentos era sazonal, "coisa de safra e de clima", e costuma se desfazer nos meses seguintes. Um El Niño forte é esse aviso em escala global. E o golpe cai onde o orçamento menos aguenta: na pesquisa da Serasa do bloco de abertura, a comida é o item que mais aperta as contas de 78% das famílias.

O que a teoria diz

Choque de oferta. Quando o preço sobe porque a produção encolheu (uma quebra de safra, por exemplo), e não porque as pessoas passaram a consumir mais, os economistas chamam de choque de oferta. É o tipo de inflação mais difícil de combater: juro alto esfria a demanda, mas não faz chover no lugar certo. Ao banco central resta esperar o choque passar e impedir que ele contamine os demais preços da economia.

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Apostas · O outro caixa

Bets · Poupança · Cartão de crédito · Corretoras · SPC · Famílias

Cada dólar apostado em bets é quase um dólar que sai da poupança

O que as apostas esportivas fazem com as finanças de quem aposta? Um estudo recém-publicado no Journal of Financial Economics, uma das revistas de finanças mais respeitadas do mundo, respondeu a essa pergunta na maior escala já tentada, nos Estados Unidos. E a resposta é desconfortável: a aposta não rouba espaço de outros gastos. Rouba da poupança.

Depois que as bets foram legalizadas, os depósitos das famílias apostadoras em corretoras de investimento caíram 14%. Na estimativa mais direta do estudo, cada US$ 1 apostado reduz o investimento em quase US$ 1. E a aposta não tirou dinheiro nem de outros jogos, como loteria e pôquer: o que financiou as bets foi o dinheiro que seria guardado.

A força do resultado está no método. Os pesquisadores acompanharam as transações bancárias de 230 mil famílias entre 2018 e 2023, período em que 26 estados americanos legalizaram as apostas on-line, cada um numa data diferente. O calendário desencontrado virou um experimento natural: dá para comparar famílias parecidas antes e depois de a bet chegar ao estado delas. O gráfico mostra o efeito sobre o investimento a partir do trimestre da legalização:

Efeito da legalização sobre o investimento líquido trimestral das famílias apostadoras (depósitos menos saques em corretoras), em US$. Em vermelho, os trimestres antes da legalização: efeito zero. Em azul, os trimestres depois: três anos mais tarde, são cerca de US$ 60 a menos investidos por trimestre. A área sombreada é o intervalo de confiança de 95%. Reprodução da Figura 5 de Baker et al., "Gambling Away Stability", Journal of Financial Economics (2026)

E o efeito é regressivo: quem já estava no limite afunda mais. Nas famílias financeiramente apertadas, a fatura do cartão de crédito sobe US$ 368 em média (alta de 8%), o limite disponível encolhe e o estouro da conta fica mais frequente. Entre quem aposta, o depósito médio nas casas é de US$ 180 por trimestre, e dois terços continuam apostando e aumentando o valor com o tempo.

O Brasil conhece o filme. Por aqui, as famílias deixaram R$ 62,5 bilhões líquidos nas bets em 2025, e um em cada seis apostadores já pegou empréstimo para bancar a aposta e 41% dizem ter cortado consumo para apostar, segundo levantamento do SPC que mostramos por aqui. E um agravante: cerca de um em cada cinco apostadores brasileiros diz ver as bets como uma forma de investimento, segundo pesquisa da ANBIMA (associação das instituições do mercado de capitais) com o Datafolha, de abril deste ano. O estudo americano mostra que as apostas tomam, sim, o lugar do investimento. A pergunta que fica é quanto elas já roubam de poupança no Brasil.

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📈 Mercados — Fechamento Terça 18/08

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 166.335 pts ↓ −0,27%
Dólar (spot) R$ 5,22 ↑ +0,40%
Petróleo Brent US$ 91,02 ↑ +0,17%
Ouro US$ 4.387 ↓ −0,71%
S&P 500 7.692 pts ↓ −0,72%
Dow Jones 53.344 pts ↓ −0,22%
Nasdaq 26.290 pts ↓ −1,33%
Bitcoin US$ 64.546 ↑ +0,06%

Fontes: B3, InfoMoney e Yahoo Finance · fechamento de 18/08 (Brent, ouro e bitcoin em cotação de fim de dia; valores podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew.

📅 O que vem aí

Hoje · 19/08

Fed. sai às 15h (de Brasília) a ata da última reunião do FOMC, o comitê do banco central americano que decide os juros. O mercado vai caçar pistas sobre o rumo da taxa em setembro.

📚 Vale ler

Mais da metade dos trabalhadores termina o mês sem dinheiro, diz Serasa

A cobertura completa do levantamento do bloco de abertura, com os recortes de saúde e produtividade que não couberam aqui.

CNN Brasil

El Niño forte pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda

O detalhamento da projeção da ONU citada no segundo bloco, com o plano de ação dos países mais vulneráveis.

Agência Brasil

Gambling Away Stability: Sports Betting's Impact on Vulnerable Households

O paper íntegro do terceiro bloco, com a metodologia e as tabelas completas (em inglês).

NBER

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